Entre estantes e algoritmos: alunos da SIS Brasília resgatam o valor da pesquisa em bibliotecas físicas

by Amarildo Castro


Em atividade na UnB, estudantes vivenciam métodos tradicionais de investigação
acadêmica às vésperas do Dia da Educação, celebrado em 28 de abril

Alunos da SIS Brasília participaram de uma experiência imersiva no campus da Universidade de Brasília (UnB) com um propósito que contrasta com os hábitos da era digital: aprender, na prática, como realizar pesquisas em uma biblioteca física.

A atividade propôs uma reflexão sobre os caminhos do aprendizado em um mundo onde a informação está, literalmente, na palma da mão. Em vez de recorrerem a mecanismos de busca instantâneos, os estudantes foram desafiados a explorar estantes, compreender sistemas de catalogação e localizar obras a partir de referências bibliográficas.

Durante a visita, os alunos conheceram o funcionamento interno da biblioteca universitária, incluindo a organização por áreas do conhecimento, o uso de fichas catalográficas e a importância da curadoria de acervos. A experiência também incluiu orientações sobre como selecionar fontes confiáveis, comparar informações e construir uma linha de raciocínio consistente, competências fundamentais tanto no ambiente acadêmico quanto fora dele.

O diretor da escola, Henrick Oprea, ressaltou o valor pedagógico da iniciativa, especialmente em um contexto de excesso de informação. “Em um cenário em que as respostas são imediatas e muitas vezes superficiais, é essencial que os alunos desenvolvam a capacidade de investigar com profundidade. A biblioteca física exige um outro ritmo, mais reflexivo, e isso contribui diretamente para a formação de um pensamento crítico mais sólido”, afirmou.

A proposta também promoveu a interação entre os estudantes da educação básica e a comunidade universitária. Carine Fernandes, bibliotecária da SIS Brasília acompanhou a atividade e destacou o impacto desse tipo de vivência. “A biblioteca é um espaço de descoberta que vai muito além dos livros. Aqui, você aprende a questionar, a buscar diferentes perspectivas e a construir conhecimento de forma mais autônoma. É uma experiência que faz diferença na formação acadêmica”, comentou.

Para os alunos da SIS Brasília, o contato com esse universo foi, ao mesmo tempo, desafiador e revelador. Sofia Moreno, aluna do segundo ano, comenta sobre a visita: “Eu achei interessante perceber que a pesquisa não acontece só digitando uma pergunta. Você precisa interpretar, escolher caminhos, entender o contexto. Dá mais trabalho, mas também parece que a gente aprende de verdade”, relatou um dos estudantes.

A iniciativa reforça a importância de equilibrar o uso das tecnologias digitais com práticas tradicionais de aprendizagem. Se por um lado a internet democratizou o acesso à informação, por outro, o excesso de dados e a velocidade das respostas podem limitar a profundidade da compreensão. Nesse sentido, experiências como a vivida na UnB convidam os alunos a desacelerar e a valorizar o processo de construção do conhecimento.

A atividade ganha ainda mais significado ao destacar que educar vai além de transmitir conteúdo: “trata-se de formar indivíduos capazes de pensar criticamente, investigar com autonomia e navegar, com responsabilidade, entre o mundo digital e o físico”, completa Oprea.

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