- Das avaliações contínuas ao fortalecimento da gestão escolar, conheça as políticas por trás da liderança do Estado no Ideb e no Saeb em todas as etapas da educação básica
O Paraná tornou-se, em 2025, o único estado brasileiro a liderar simultaneamente o Ideb e o Saeb em todas as etapas da educação básica no ensino público. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, alcançou o Ideb de 6,9, acima da média nacional de 6,1. Nos anos finais, chegou a 5,8, enquanto o país registrou 5,0. No Ensino Médio — historicamente o maior gargalo da educação pública brasileira — o Estado atingiu 5,1, tornando-se a única rede estadual a ultrapassar a nota 5,0, frente à média nacional de 4,3.
Além de liderar o ranking nacional, o Paraná também reduziu a distância entre a qualidade do ensino público e do privado. Em apenas dois anos, a diferença no Ideb caiu pela metade nos anos iniciais do Ensino Fundamental — de 1,1 para 0,5 ponto — e diminuiu de 1,2 para 0,8 ponto no Ensino Médio. O resultado mostra que a rede pública estadual cresceu mais rapidamente do que a privada, um movimento pouco comum no cenário educacional brasileiro, o que reforça o avanço da qualidade do ensino oferecido aos estudantes da rede pública.
| IDEB 2025 (rede pública) | ||
| Etapa | Paraná | Brasil |
| Anos iniciais | 6,9 | 6,1 |
| Anos finais | 5,8 | 5,0 |
| Ensino Médio | 5,1 | 4,3 |
| Fonte: Inep/MEC | ||
O que explica esse resultado?
Especialistas costumam afirmar que nenhum indicador educacional melhora com uma única política pública. No caso do Paraná, documentos da Secretaria de Estado da Educação (Seed), avaliações do Todos Pela Educação e dados do próprio governo apontam para um conjunto de medidas implementadas ao longo dos últimos anos.
1. A aprendizagem passou a ser acompanhada continuamente — e não apenas a cada dois anos
Antes, a principal fotografia da aprendizagem era o Saeb, aplicado bienalmente. Hoje, todas as escolas estaduais participam da Prova Paraná, uma avaliação periódica criada para identificar dificuldades e orientar intervenções pedagógicas ao longo do próprio ano letivo. Segundo a Seed, os resultados permitem que gestores e professores reorganizem os conteúdos antes que as defasagens se consolidem.

2. Formação de professores deixou de ser evento e virou política permanente
A Secretaria Estadual de Educação do Paraná ampliou a formação continuada para professores, pedagogos e diretores. Além da capacitação pedagógica, os gestores escolares passaram a receber acompanhamento mais próximo por parte dos Núcleos Regionais de Educação.
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a qualidade da liderança escolar está entre os fatores que mais influenciam o desempenho dos estudantes.
3. Tecnologia e infraestrutura passaram a fazer parte da política pedagógica
Nos últimos anos, o Estado do Paraná ampliou os investimentos em conectividade, laboratórios, notebooks, robótica, climatização, reformas e novos equipamentos. A própria Secretaria informa que destina cerca de 30% do orçamento estadual à educação, percentual superior ao mínimo constitucional. “Mais do que comprar equipamentos, a estratégia foi integrá-los ao currículo”, afirma o secretário Roni Miranda.
4. Gestão escolar baseada em metas e apoio permanente
Uma das características mais citadas por pesquisadores e educadores é a combinação entre a autonomia das escolas e o acompanhamento sistemático por meio de indicadores.
Os resultados do Ideb passaram a ser monitorados juntamente com a frequência, a aprendizagem, o abandono e a evolução dos estudantes. Segundo Miranda, “esse modelo reduz o tempo entre a identificação do problema e sua solução”.
5. Foco no pedagógico
Embora os resultados do Ideb reflitam políticas implementadas ao longo de vários anos, um dos programas mais recentes do governo é o Parceiro da Escola, iniciado em 2023 e ampliado nos últimos dois anos.
O secretário sustenta que o programa contribuiu para criar condições administrativas que favorecem a aprendizagem. De acordo com o Secretário de Educação, ao transferir atividades administrativas, de manutenção e limpeza, e parte da gestão operacional para empresas especializadas, os diretores passaram a dedicar mais tempo ao acompanhamento pedagógico das equipes e à aprendizagem dos estudantes. “Esse modelo tem reduzido os cancelamentos de aulas e ampliado a presença dos gestores nas ações pedagógicas”, evidencia Miranda.
Atualmente, 95 escolas participam do programa, atendendo cerca de 61 mil estudantes. Segundo dados oficiais apresentados pela Seed-PR e pela APG.Gov, essas escolas registraram um crescimento de 67% nas observações pedagógicas realizadas pelos diretores, com aprovação do programa por 99% dos diretores participantes. “Com a entrada do parceiro, eu consegui me desvencilhar de atividades burocráticas e administrativas e me dedicar 100% ao pedagógico, o que se refletiu em mais aprendizado para nossos alunos”, salienta a diretora do Colégio Estadual João de Oliveira Franco, em Curitiba, Viviane Buch.
Para Frederico Melo, diretor-executivo da APG.Gov – uma das instituições parceiras -, um dos principais ganhos do Programa Parceiro da Escola foi criar condições para que alunos e professores permanecessem em sala de aula. “Nenhuma estratégia educacional funciona sem estudantes aprendendo e professores ensinando. Por isso, garantir o funcionamento regular das escolas foi nossa primeira meta”, destaca. O resultado, segundo ele, contribui para um cenário em que o Paraná registrou, em 2025, a maior taxa de frequência escolar do Ensino Médio entre as redes estaduais do país: 86,6%, acima da média nacional de 80,6%.
De acordo com a Seed-PR, uma das mudanças observadas nas escolas que aderiram ao programa foi a eliminação das chamadas aulas vagas — situações em que o professor se ausenta e a turma fica sem atendimento por falta de substituição, sendo um problema recorrente na educação pública brasileira. Um levantamento do Todos Pela Educação aponta que estudantes da rede pública perdem, em média, 21 dias letivos por ano devido a horários descobertos, o que equivale a 11% do calendário escolar. Em algumas redes, segundo a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), essa perda pode chegar a 20% das aulas previstas. Na rede privada, a incidência é inferior a 5%, o que evidencia o impacto que a continuidade das aulas pode ter na aprendizagem.
O desafio agora é manter a liderança
Os resultados do Ideb e do Saeb colocam o Paraná em uma posição inédita na educação pública brasileira. O desafio agora é compreender quais políticas produziram efeitos mais duradouros, distinguir os impactos de ações consolidadas daqueles de iniciativas recentes e avaliar se esse modelo conseguirá manter um desempenho elevado nos próximos ciclos de avaliação. A resposta interessa não apenas ao Paraná, mas a gestores públicos de todo o país que buscam caminhos para elevar a qualidade da aprendizagem sem perder de vista a equidade e a sustentabilidade das políticas educacionais.
Sobre o Ideb
Criado em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é o principal indicador da qualidade da educação brasileira. A nota, que varia de zero a dez, combina dois fatores: o desempenho dos estudantes nas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que medem a aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, e os indicadores de fluxo escolar, como aprovação, reprovação e evasão. Isso significa que um bom resultado no Ideb depende não apenas dos alunos aprenderem mais, mas também de permanecerem na escola e avançarem regularmente ao longo da trajetória escolar. Os resultados são divulgados a cada dois anos e servem de referência para acompanhar a evolução da educação pública e privada em estados, municípios e escolas de todo o país.
Sobre o APG.Gov
O APG Gov foi criado em 2023 pela Rede de Ensino Apogeu, instituição com 25 anos de atuação no setor educacional, reconhecida pela excelência acadêmica, pela inovação em gestão e pelos resultados consistentes construídos ao longo de sua trajetória. A Rede Apogeu integra o ecossistema da Raiz Educação, grupo educacional com atuação nacional, que contribui para o fortalecimento da governança, a expansão e a sustentabilidade do negócio, em sintonia com o propósito educacional e a trajetória de resultados da instituição. Atualmente, o APG Gov atua no Programa Parceiro da Escola, iniciativa vinculada à Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED), sendo responsável pela gestão administrativa, operacional e de infraestrutura de 20 escolas públicas. Atende aproximadamente 15 mil alunos em oito municípios paranaenses e contribui para o fortalecimento da aprendizagem e para a ampliação de oportunidades para milhares de estudantes.