Governo entra na mira do Senado por risco de fraudes no Bolsa Família

by Amarildo Castro
Requerimento da senadora quer explicações do Ministério do Desenvolvimento Social após TCU apontar falhas de controle; uso do benefício em plataformas de apostas agrava crise.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) apresentou, nesta terça-feira (25), um requerimento para cobrar do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) explicações sobre supostas falhas de controle no Bolsa Família e no Cadastro Único.

A iniciativa baseia-se em recentes acórdãos do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontam fragilidades na governança e na integração de dados do programa. 

O documento, direcionado ao ministro Wellington Dias, exige um detalhamento das providências adotadas para estancar pagamentos indevidos.

Acesse o requerimento: https://abre.ai/sw2W
O TCU já havia detectado problemas de integração tecnológica entre o governo federal e as administrações locais, além da baixa capacidade de monitorar o cumprimento das condicionalidades de saúde e educação. 

Na justificativa, a parlamentar destaca que falhas no desenho de controle afetam diretamente o direcionamento do dinheiro público.

“O achado assume particular relevância porque a calibragem dos controles interfere diretamente na focalização da política pública: mecanismos insuficientes podem ampliar os erros de inclusão, permitindo o atendimento de famílias que não preencham os requisitos; controles excessivamente rígidos, por outro lado, podem contribuir para erros de exclusão”, pontua o requerimento.
O TCU concluiu, em análise amostral, que 22,5% das famílias beneficiárias avaliadas não atendiam aos critérios de elegibilidade, estimando, a partir dessa constatação, potencial prejuízo de R$ 34,18 bilhões em 2023. As inconsistências envolveram renda e composição familiar.

Risco bets
A situação se agrava pelo uso do benefício em plataformas de apostas online, as chamadas bets.
Dados do Banco Central revelaram que beneficiários do programa transferiram R$ 10,5 bilhões para casas de apostas esportivas via Pix entre janeiro e agosto de 2024. 

Um levantamento posterior do Tribunal indicou que, apenas em janeiro de 2025, os gastos nessas plataformas chegaram a cerca de R$ 3,7 bilhões.

Em agosto de 2026, o governo federal implementou o bloqueio de novos cadastros de beneficiários de programas sociais nas plataformas de apostas, com a fiscalização passando a ser feita por cruzamento de dados com o Sistema de Gestão de Apostas (Sigap).

Além de cobrar eficácia nessas ações, o requerimento do Senado demanda a apresentação de indicadores atualizados. 

O Ministério terá de informar o total de benefícios cancelados desde 2023 e as metas estipuladas para a redução dos erros de inclusão na folha de pagamentos.
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

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