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| Raphael Ayub* Setembro tem um significado particular no Rio Grande do Sul. O Mês Farroupilha mobiliza cidades, comunidades e famílias em torno de tradições que atravessam gerações. Muito além de celebrar nossa história, esse período também evidencia um dos principais diferenciais do turismo gaúcho: a força de uma identidade reconhecida, preservada e, sobretudo, vivida. No turismo contemporâneo, autenticidade tem valor. Cada vez mais, o visitante busca experiências capazes de conectá-lo ao território, à cultura e ao modo de vida de uma região. E poucos destinos brasileiros possuem elementos identitários tão marcantes quanto o Rio Grande do Sul. Esses elementos identitários estão na música, na indumentária, no artesanato, no chimarrão e no churrasco. Estão também na qualidade dos nossos vinhos, espumantes, azeites, queijos, carnes e tantos outros produtos que carregam características próprias de cada território. Mais do que itens de consumo, são expressões da cultura gaúcha e ajudam a contar a história de quem somos. Essa identidade se transforma em turismo quando o visitante deixa de apenas conhecer um lugar e passa a vivenciá-lo. Está nas experiências oferecidas por vinícolas e propriedades rurais, na gastronomia, nos empreendimentos familiares, nos eventos tradicionalistas e nas diferentes paisagens e costumes encontrados do Pampa à Serra, das Missões ao Litoral, da Campanha aos Vales. É justamente aí que está uma das grandes oportunidades para o desenvolvimento do turismo no Rio Grande do Sul. Em um mercado cada vez mais competitivo, destinos precisam encontrar aquilo que os torna únicos. Nós não precisamos criar artificialmente essa diferenciação. Ela já existe. Nosso desafio é qualificá-la, estruturá-la e apresentá-la cada vez melhor ao Brasil e ao mundo. A superação de tal desafio passa por ações como fortalecer empreendedores, valorizar produtos de origem, ampliar a qualidade dos serviços, estimular novos roteiros e integrar cultura, gastronomia, natureza e produção local. O turismo tem essa capacidade de conectar diferentes setores da economia e transformar características de um território em oportunidades de trabalho, renda e desenvolvimento. Durante o Mês Farroupilha, tudo isso ganha ainda mais visibilidade. Os festejos movimentam municípios, recebem visitantes, estimulam o comércio e colocam nossa cultura no centro das atenções. Mas o potencial da identidade gaúcha para o turismo não se encerra em setembro. A tradição que celebramos nesse mês está presente durante todo o ano e em todas as regiões do Estado. Transformá-la em experiências turísticas qualificadas, preservando sua autenticidade e respeitando as peculiaridades de cada território, é um caminho estratégico para consolidar o Rio Grande do Sul como um destino cada vez mais competitivo. Valorizar nossa cultura também é fazer turismo. E quanto mais conseguimos mostrar ao visitante aquilo que temos de verdadeiro, mais razões damos para que ele escolha o Rio Grande do Sul, permaneça mais tempo, conheça diferentes regiões e queira voltar para essa região tão rica de identidades. *Raphael Ayub é Secretário de Turismo do Rio Grande do Sul. Advogado, empresário, investidor e conselheiro de empresas e instituições financeiras. Em Capão da Canoa, esteve à frente da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico e da Secretaria de Gestão, Inovação e Planejamento. Recentemente, no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), foi assessor superior da Presidência e também da Diretoria de Operações. |