- Criado por Rodrigo Dias, projeto nasceu a partir da experiência com uma protetora independente, começou com um painel físico e hoje constrói uma corrente do bem para conectar cães e gatos a novos tutores
Uma cachorra resgatada foi o ponto de encontro entre Rodrigo Dias e a protetora independente Izabel. Foi com ela que Rodrigo adotou Lua e, algum tempo depois, surgiu a ideia de criar uma ferramenta para ajudar outros cães e gatos a encontrar uma família.
O projeto começou de maneira simples, com um painel físico para divulgar animais disponíveis para adoção. A iniciativa cresceu e deu origem ao Mural de Adoção, uma feira online que reúne cães e gatos acolhidos por protetores e apoiadores da causa animal em diferentes regiões do Distrito Federal.
Mais do que uma ferramenta digital, a proposta busca usar inovação e criatividade para construir uma corrente do bem entre protetores, apoiadores, pessoas interessadas em adotar e animais que precisam de um novo lar.
“O Mural de Adoção surgiu da ideia de uma própria protetora independente, que é a Izabel, com quem eu adotei inclusive a minha cachorra, que foi fruto de um resgate”, conta Rodrigo.
Na plataforma, interessados podem conhecer os animais, fazer o cadastro e conversar diretamente com os responsáveis pelo acolhimento. Segundo Rodrigo, as primeiras experiências já têm resultado em adoções.
“As pessoas estão entrando, estão se cadastrando, estão conversando com os protetores diretamente e a gente está conseguindo avançar nessas adoções”, afirma.
A orientação é que o processo não termine no encontro entre animal e interessado. Os responsáveis são estimulados a conversar com os possíveis tutores, conhecer as condições da família e repassar informações sobre cada cão ou gato. A intenção é aumentar as chances de uma adoção responsável e definitiva.
Estimativas apresentadas pelos responsáveis pelo projeto apontam que entre 1,5 milhão e 1,7 milhão de cães e gatos estejam em situação de abandono nas ruas do Distrito Federal. Nesse cenário, protetores independentes, abrigos e casas de acolhimento acabam assumindo grande parte dos resgates e dos cuidados com esses animais.
Para Rodrigo, ampliar as adoções ajuda, mas não resolve sozinho o problema. Ele defende políticas permanentes de castração, atendimento veterinário e apoio às redes de proteção.
“O que falta na nossa cidade é uma política pública efetiva de castração, de atendimento veterinário público, de farmácias públicas e o fortalecimento de uma rede de combate aos maus-tratos e ao abandono”, diz.
O Mural de Adoção tenta atuar em uma das pontas desse desafio. A proposta é aproximar quem resgatou um animal de quem está disposto a oferecer uma nova casa e fortalecer uma corrente de colaboração em torno da causa animal.
Para quem pretende adotar, a recomendação é considerar antes a própria rotina e a capacidade de garantir alimentação, segurança, atendimento veterinário e cuidados durante toda a vida do animal.