Turismo rural ganha força no Oeste de SC e vira alternativa de renda para pequenas propriedades

by Amarildo Castro
  • Em quatro anos, número de municípios ligados à IGR Grande Oeste passou de 15 para 35; articulação regional conta com o app VOMO para divulgação e busca transformar propriedades rurais em experiências turísticas sem substituir a atividade agrícola

Na foto acima, Bruno Antonio Vivian, presidente do IGR Grande Oeste, no estande do APP VOMO no espaço Sebrae durante o Startup Summit 2026, em Florianópolis (SC (Fotos: Leticia Bombo/MB Comunicação)

Receber visitantes para conhecer a propriedade, experimentar a gastronomia local, caminhar entre pomares, ter contato com animais ou simplesmente passar alguns dias em meio à paisagem do campo são atividades que cada vez mais ganham espaço como uma nova fonte de receita no Oeste de Santa Catarina. Em uma região historicamente ligada ao agronegócio, o turismo rural vem sendo trabalhado como alternativa para complementar a renda das famílias e fortalecer principalmente as pequenas propriedades.

Um indicativo desse movimento aparece na implantação da Instância de Governança Regional (IGR), uma atividada estimulada pelo Sebrae.Segundo o presidente da entidade para a região do Grande Oeste, Bruno Antonio Vivian, quando assumiu a função, há quatro anos, eram 15 municípios participantes. Hoje, são 35.

No entanto, transformar uma propriedade em experiência turística é um desafio, fazer com que o visitante descubra que ela existe é outro. Foi justamente mirando na dificuldade dos pequenos empreendedores rurais em divulgar seus espaços, que empreendedores da região criaram o VOMO, aplicativo que está sendo apresentado no Startup Summit 2026, em Florianópolis (SC).

  • De acordo com Bruno, a ideia avançou a partir da aproximação de profissionais ligados ao ecossistema tecnológico de Chapecó. O aplicativo é uma iniciativa privada e funciona como uma ponte entre quem procura o que fazer e os empreendimentos turísticos. “O município do interior, sozinho, muitas vezes não tem condições de atrair o turista e mantê-lo por mais de um dia”, explica. Dessa forma, o desafio é fazer com que ele saiba do município de uma forma mais moderna e, a partir daí, circule pela região. “O turista não quer saber onde termina uma divisa, ele quer encontrar experiências que tenham relação com aquilo que gosta de vivenciar”, observa.

Pequenas propriedades no mapa da tecnologia

Gratuito para o usuário, o VOMO reúne experiências e atrativos e permitem organizar roteiros de acordo com os interesses do viajante. Para os pequenos negócios, a proposta é ampliar a visibilidade e facilitar a chegada de visitantes a lugares que dificilmente teriam estrutura própria de divulgação. “O VOMO consegue trabalhar entre o turista e esses empreendimentos, fazendo essa conexão”, afirma o presidente regional.

Umas curiosidade é o nome, que busca conversar com a identidade do território. VOMO remete à expressão italiana “vomo nene”, usada na região com o sentido de “vamos, menino”, aproximando a tecnologia da herança cultural das comunidades do Oeste.

Turismo sem abandonar a produção rural

Vale destacar, ainda, que para as pequenas propriedades, a proposta não é trocar a agricultura ou a pecuária pelo turismo, mas acrescentar uma nova atividade econômica ao que já é produzido no campo. Segundo Bruno, esse movimento se torna especialmente relevante diante da concentração de algumas cadeias do agronegócio, que deixa mais difícil a permanência de pequenos produtores em determinadas atividades.

“O turismo rural está dando aos pequenos agricultores uma alternativa de permanência e de fortalecimento da sua atividade. E existe algo além da renda: o prazer de receber as pessoas e contar a própria história”, afirma.

Os reflexos começam a aparecer também nas novas gerações. O presidente da IGR relata casos em municípios como Lajeado Grande e Coronel Freitas em que filhos que haviam deixado suas cidades para estudar ou trabalhar em centros maiores passaram a retornar para auxiliar as famílias nos empreendimentos turísticos. O movimento, segundo ele, já permite falar em uma espécie de “êxodo reverso”.

Transformação empírica

O próprio Bruno vivencia essa transformação. Em Coronel Freitas, mantém com a família o Floral do Monte, propriedade que reúne jardim contemplativo, flores, árvores frutíferas e hospedagem e se prepara para incorporar também a gastronomia. Sua filha, que vivia em Chapecó, retornou ao município para ajudar no empreendimento.

A procura por experiências desse tipo também acompanha uma mudança no comportamento do viajante. “Depois da pandemia, as pessoas passaram a buscar muito esse turismo de dois ou três dias. Querem levar a família e vivenciar experiências do campo, com animais, natureza, até colocar a mão na terra”, conta.

Para a IGR, ferramentas como essa complementam um trabalho que começa antes da chegada do visitante. A estratégia passa por fortalecer os conselhos municipais, capacitar os atores locais, identificar atrativos e conectá-los em rotas capazes de fazer o turista permanecer mais tempo no território.

Assim, ao invés de competir isoladamente por visitantes, pequenas cidades e propriedades passam a integrar uma experiência regional. Conforme Bruno, o que durante décadas foi visto apenas como espaço de produção agropecuária começa também a ser apresentado como destino, “transformando paisagem, gastronomia, modos de fazer e histórias familiares em ativos capazes de gerar renda e contribuir para a permanência das famílias no campo”, conclui o presidente.

SOBRE O SEBRAE

O Sebrae/SC comemora, em 2025, 53 anos de dedicação ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao fomento do empreendedorismo em Santa Catarina. Com presença em todas as regiões do Estado, a instituição oferece soluções que impulsionam o desenvolvimento econômico e social, apoia milhões de empreendedores ao longo de sua trajetória. Reconhecido nacionalmente, o Sebrae é hoje a 4ª marca mais valiosa do país, com um ativo de R$ 33,9 bilhões, reflexo de sua credibilidade, impacto e compromisso com a transformação dos territórios onde atua. Em Santa Catarina, o Sebrae é parceiro estratégico de quem faz o estado crescer.

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