- Especialista explica quais são os principais sintomas, quem faz parte do grupo de risco e quais vacinas ajudam na prevenção
A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra a meningite bacteriana, considerada a manifestação mais grave da doença. De janeiro a abril de 2026, o Ministério da Saúde registrou cerca de 2.000 casos de meningite no Brasil, número superior ao observado no mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 1.980 casos e 168 óbitos. A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode ser causada por vírus, bactérias, fungos, parasitas ou até mesmo por fatores não infecciosos. Entre elas, a meningite bacteriana merece atenção especial por sua rápida evolução e pelo risco de complicações graves, reforçando a importância da imunização.
Entre os diferentes tipos de meningite, a bacteriana é a que causa maior preocupação por poder evoluir rapidamente e exigir atendimento médico imediato. Segundo o Dr. Fábio Argenta, diretor médico da Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização, embora pessoas de todas as idades possam desenvolver a doença, bebês, crianças pequenas, idosos e indivíduos com doenças crônicas ou imunidade comprometida apresentam maior risco de infecção.
“A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção porque protege contra os principais agentes causadores da meningite. Assim, mesmo em caso de exposição às bactérias ou vírus mais frequentes, a chance de desenvolver a doença diminui significativamente. No Brasil, os sorogrupos C e B são os mais comuns, mas os tipos W e Y também merecem atenção por seu potencial de causar surtos”, destaca o diretor médico.
Reconhecer os primeiros sinais da doença é fundamental para buscar atendimento médico sem demora. Os sintomas costumam surgir de forma repentina e incluem febre alta, dor de cabeça intensa e rigidez na nuca, considerada um dos sinais mais característicos da doença. Náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e alterações no estado mental, como sonolência, confusão ou dificuldade de concentração, também podem estar presentes e indicar um quadro mais grave. “Ao perceber sintomas como febre alta acompanhada de dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. O diagnóstico e o tratamento precoces são essenciais para reduzir o risco de complicações”, orienta.
6 vacinas que ajudam a prevenir a meningite
Nem toda vacina que ajuda a prevenir a meningite leva o nome da doença. Além das vacinas meningocócicas, outros imunizantes do calendário vacinal também protegem contra bactérias capazes de causar a infecção. A seguir, o Dr. Fábio Argenta explica quais são elas e por que são importantes:
1. Meningocócica B
Indicada para bebês, crianças, adolescentes e adultos com maior risco de exposição, a vacina protege contra o meningococo do sorogrupo B, um dos principais responsáveis pelos casos de meningite bacteriana no Brasil. Está disponível exclusivamente na rede privada, e o esquema vacinal varia conforme a idade.
2. Meningocócica ACWY
Recomendada para crianças, adolescentes, adultos, idosos, viajantes e pessoas com fatores de risco, protege contra quatro sorogrupos da bactéria meningocócica: A, C, W e Y. Na rede privada, pode ser administrada desde os primeiros meses de vida, conforme orientação médica.
3. Pneumocócica 15
Indicada para crianças a partir de seis semanas de vida, adultos e idosos, especialmente aqueles com doenças crônicas ou imunidade comprometida, protege contra 15 sorotipos do pneumococo, bactéria que também pode causar meningite. “O pneumococo não provoca apenas pneumonia. Ele também pode causar meningite, principalmente em pessoas mais vulneráveis”, comenta o médico.
4. Pneumocócica 20
É a vacina pneumocócica com maior cobertura atualmente disponível, indicada principalmente para adultos e idosos, sobretudo aqueles com doenças cardiovasculares, diabetes, doenças respiratórias ou outras condições crônicas. “Quanto maior a cobertura contra os sorotipos do pneumococo, maior a proteção contra infecções invasivas, incluindo a meningite”, esclarece.
5. BCG
Aplicada logo após o nascimento, protege contra as formas graves da tuberculose, incluindo a meningite tuberculosa, principalmente nos primeiros anos de vida. “A BCG continua sendo essencial porque protege contra uma das formas mais graves da tuberculose, que pode atingir o sistema nervoso central”, indica o diretor médico.
6. Hexavalente
Indicada para bebês a partir dos 2 meses de idade, a vacina hexavalente protege contra seis doenças: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, poliomielite e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b (Hib), uma das bactérias que podem provocar meningite. Na rede privada, ela substitui a pentavalente do calendário público e utiliza a versão acelular para coqueluche, que costuma apresentar menos reações.
“A hexavalente é uma vacina importante porque, além de ampliar a proteção contra doenças graves na infância, também ajuda a prevenir a meningite causada pelo Haemophilus influenzae tipo b, responsável por quadros graves principalmente em crianças pequenas”, ressalta.
Sobre a Saúde Livre Vacinas
Fundada em 2012, em Lucas do Rio Verde (MT), pelo casal Dr. Fábio Argenta, cardiologista, e a Dra. Rosane Argenta, dentista, a Saúde Livre Vacinas é uma rede especialista em imunização com clínicas focadas no que há de mais moderno nos cuidados com a prevenção à saúde de doenças imunopreviníveis. A empresa conta com vacinas para todas as faixas etárias, ou seja, para bebês, crianças, adolescentes, adultos, idosos e vacina ocupacional.