- Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues participou da concepção do primeiro mestrado boliviano estruturado especificamente para formar neurocientistas no campo autônomo da Neurociência e integra a implantação de uma nova pós-graduação em Genômica na UNIFRANZ.
O neurocientista brasileiro Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues participa de dois movimentos acadêmicos que ampliam a formação científica na Bolívia. Professor da Universidad Privada Franz Tamayo, UNIFRANZ, há cerca de quatro anos, ele esteve envolvido na estruturação do mestrado em Neurociência Aplicada e agora também integra a criação de uma formação de pós-graduação dedicada à Genômica, Epigenética e Comportamento.
Na Neurociência, o trabalho começou antes do mestrado. Em 2025, Fabiano participou, ao lado de pesquisadores e autoridades acadêmicas bolivianas, do processo que levou ao reconhecimento das Neurociências como campo científico autônomo no país. A iniciativa ocorreu com participação da UNIFRANZ e sob coordenação institucional do psicólogo e pesquisador Dr. James Yhon Robles Pinto, coordenador do Instituto de Neurociência da universidade.
A partir dessa estrutura, Fabiano e James trabalharam na construção de uma etapa seguinte: criar uma formação de mestrado voltada especificamente para a Neurociência.

Um mestrado pensado para formar neurocientistas
A UNIFRANZ passou a oferecer a Maestría en Neurociencia Aplicada, com carga horária de 2.400 horas e formação em nível de mestrado. O programa já consta na oferta oficial de pós-graduação da universidade.
Segundo os responsáveis pelo projeto e materiais divulgados sobre a sua criação, o programa foi concebido como o primeiro mestrado do país estruturado especificamente em Neurociência como campo autônomo e destinado à formação acadêmica de neurocientistas. Fabiano participou da concepção do projeto, enquanto James Yhon Robles assumiu papel institucional na sua implantação e condução dentro da UNIFRANZ. Publicações sobre o programa também o apresentam como o primeiro mestrado especificamente em Neurociências da Bolívia.
A distinção acadêmica importa. Um curso de pós-graduação lato sensu, diplomado ou especialização pode fornecer conhecimento em Neurociência, mas isso não significa, por si só, formação científica equivalente a um mestrado ou doutorado na área.
O mestrado insere o aluno numa formação acadêmica de nível superior, com preparação metodológica e científica própria. É essa estrutura que permite falar em formação de pesquisadores em Neurociência, desde que os demais critérios acadêmicos e profissionais sejam cumpridos.
Fabiano já atuava anteriormente como professor de programas de Neurociência da UNIFRANZ e participa das atividades científicas da instituição. A universidade também o apresenta publicamente entre os pesquisadores internacionais ligados à neurociência cognitiva e à genômica.
O segundo movimento acontece na Genômica
Agora, a trajetória ganha uma segunda área.
A UNIFRANZ abriu a primeira versão do Diplomado en Genómica, Epigenética y Comportamiento con Inteligencia Artificial Aplicada, uma formação de 600 horas que integra Genômica, Epigenética, Genômica do Comportamento, técnicas genômicas, Bioinformática e Inteligência Artificial.
Fabiano participou da idealização da iniciativa e ficou responsável pela abertura acadêmica do programa, ministrando o primeiro módulo, dedicado aos fundamentos da Genômica.
A primeira turma contou com dez alunos. Segundo Fabiano, todos já trabalham em hospitais, laboratórios ou em atividades profissionais nas quais a Genômica pode ser aplicada ou já faz parte da rotina.
O módulo conduzido pelo brasileiro terminou na sexta-feira, 4 de setembro de 2026. As aulas são realizadas em horário que obriga Fabiano, residente na Europa, a lecionar durante a madrugada.
A experiência chamou a atenção do professor pela preparação dos estudantes.
Segundo Fabiano, o nível de conhecimento e a dedicação apresentados pela primeira turma demonstram que a Bolívia possui profissionais capazes de ampliar a investigação e a aplicação da Genômica em áreas clínicas, laboratoriais e científicas.
Uma formação criada para permanecer no país
Para Fabiano, a proposta não consiste apenas em ministrar aulas na Bolívia. O objetivo é ajudar a instalar estruturas que possam continuar a formar pesquisadores bolivianos sem depender permanentemente de especialistas estrangeiros.
Esse princípio também aparece na relação construída com James Yhon Robles.
Robles coordena o Instituto de Neurociência da UNIFRANZ, criado em 2017, e participa há anos da organização de atividades de investigação e formação na área. A universidade identifica o instituto como um núcleo dedicado à investigação, formação e aplicação da Neurociência.
Fabiano e James já aparecem juntos em projetos acadêmicos anteriores, incluindo publicações e iniciativas ligadas à Neuroeducação e ao desenvolvimento da Neurociência dentro da universidade.
A lógica adotada agora amplia esse trabalho para a Genômica.
Dois movimentos na mesma trajetória
Os dois projetos colocam o pesquisador brasileiro numa posição incomum dentro da história recente da formação científica boliviana.
Primeiro veio a participação no processo que reconheceu institucionalmente as Neurociências como campo científico autônomo. Depois, a criação de uma estrutura de mestrado concebida especificamente para formar pesquisadores dentro dessa área. Agora surge também uma formação dedicada à Genômica, Epigenética e análise de dados genéticos.
No caso do programa de Genômica, a UNIFRANZ confirma oficialmente tratar-se da primeira versão do diplomado e apresenta uma estrutura específica que reúne Genômica, Epigenética, comportamento, Bioinformática e Inteligência Artificial.
Há uma precisão necessária para publicação jornalística: fontes públicas mostram que a Bolívia já teve outras atividades de pós-graduação relacionadas a genética e, em abril de 2026, a Universidad Mayor de San Andrés anunciou um curso de pós-graduação em Metagenômica e suas Aplicações. Por isso, não é possível afirmar documentalmente que o diplomado da UNIFRANZ seja a primeira atividade de pós-graduação de toda a história boliviana relacionada à Genômica.
O que pode ser afirmado é que a UNIFRANZ abriu a primeira edição deste programa específico de pós-graduação em Genômica, Epigenética e Comportamento com Inteligência Artificial, com Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues entre os seus idealizadores e como professor responsável pela abertura da formação.
Na Neurociência, a dimensão histórica é mais definida: o brasileiro participou do processo de reconhecimento do campo no país e da estruturação do mestrado apresentado pelos seus idealizadores como a primeira formação boliviana especificamente concebida para preparar neurocientistas dentro dessa nova estrutura acadêmica.
Para Fabiano, os dez alunos da primeira turma de Genômica já ofereceram uma indicação do que pode acontecer a partir daqui. Existe conhecimento local. Existe interesse. E existe uma geração de profissionais bolivianos preparada para transformar formação em pesquisa e aplicação científica.