Em “Eu apenas queria que você soubesse – Sandra Pêra canta Gonzaguinha”, artista revisita a obra do compositor em espetáculo dirigido pela filha Amora Pêra (Foto de Ana Alexandrino)
Nos dias 24 e 25 de setembro, às 20h, a cantora e atriz Sandra Pêra apresenta, no Teatro da CAIXA Cultural Brasília, o show “Eu apenas queria que você soubesse – Sandra Pêra canta Gonzaguinha”. O projeto, dedicado integralmente à obra de Gonzaguinha, ganha contorno histórico ao coincidir com o período em que se completam 35 anos da morte do compositor, um dos pilares da música brasileira de resistência e crônica social.
O show não é apenas um tributo. É um mergulho profundo na obra de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (1945-1991), com quem Sandra compartilhou a vida e a arte. No repertório, 17 canções selecionadas a dedo traçam um panorama da sensibilidade e da verve política e amorosa do compositor. Acompanhada por um quarteto de jovens e talentosos músicos, Sandra Pêra imprime sua personalidade teatral e voz marcante em clássicos que habitam o imaginário brasileiro. O show é dirigido por Amora Pêra, única filha de Sandra e Gonzaguinha, em parceria que transcende a música e celebra o legado vivo do pai.
Acessibilidade: para ampliar a inclusão, o show dispõe de elementos de acessibilidade como audiodescrição (notas introdutórias gravadas), LIBRAS e acolhimento para pessoas neurodivergentes, além de lugares para PCDs.
O legado de Gonzaguinha: 35 anos de atualidade
Falecido precocemente em 29 de abril de 1991, aos 45 anos, Gonzaguinha deixou um acervo que permanece central para a compreensão da identidade brasileira. Sua obra é caracterizada pela dualidade entre a crueza da crítica política — que o tornou um dos artistas mais visados pela censura durante o regime militar — e um lirismo visceral sobre as relações humanas e a busca pela felicidade.
O show de Sandra Pêra não busca apenas a memória, mas a constatação da atualidade desses textos. Canções como “A Felicidade Bate à sua Porta” — primeiro sucesso do icônico grupo As Frenéticas, do qual Sandra fez parte — e “O Que É, O Que É?” continuam a ecoar em contextos sociais contemporâneos, enquanto músicas como “Grito de Alerta” e “Morro de Saudades” permanecem como referências de interpretação na MPB.
O repertório: do grito à felicidade
A atriz e cantora mergulha em um repertório que atravessa gerações com a força de suas letras — canções de amor, de luta, de dúvida e esperança — apresentadas com a emoção de quem viveu de perto a ebulição artística de Gonzaguinha.
O roteiro passeia por diferentes fases do compositor, abordando tanto seu lirismo quanto sua veia contestadora, enquanto Sandra imprime sua leitura afetiva, pessoal e teatral a cada canção. Estão presentes hinos de resistência e crônicas do cotidiano como “Com a Perna no Mundo”, “Recado”, “Caminhos do Coração” e a apoteótica “O Que É, O Que É?”. A faceta lírica e vulnerável do compositor aparece em pérolas como “De Volta ao Começo” e “Eu Apenas Queria Que Você Soubesse”, música que dá nome ao show e ao álbum lançado pela gravadora Biscoito Fino em 2025.
Sandra também explora composições que revelam o olhar de Gonzaguinha sobre a existência e o amor, como “Ponto de Interrogação”, “Ser, Fazer e Acontecer”, “Maravida” e a delicada “Borboleta Prateada”.
Sandra Pêra sobe ao palco acompanhada por uma banda formada por quatro músicos da nova cena instrumental: João Bittencourt (piano e sanfona), Rodrigo Lima (violão e guitarra), Pedro Moraez (baixo) e Lourenço Vasconcellos (bateria). A direção musical, assinada por Amora Pêra e Paula Leal, propõe arranjos contemporâneos que preservam a estrutura melódica original, mas conferem frescor às execuções.
“Estar no palco com o repertório do Gonzaga é um desafio que me move. São canções que pedem entrega e sensibilidade, e me sinto motivada e feliz para vivê-las no palco”, diz Sandra Pêra.
Serviço
[Música] “Eu apenas queria que você soubesse – Sandra Pêra canta Gonzaguinha”
Local: CAIXA Cultural Brasília – Setor Bancário Sul, quadra 4, lotes 3/4 – Brasília (DF)
Data: 24 e 25 de setembro de 2026 (quinta e sexta)
Horário: 20h
Ingressos: R$ 15 (meia-entrada para cliente CAIXA e todos os casos previstos em lei) e R$ 30 (inteira)
Vendas: a partir de 19 de setembro, às 9h na bilheteria do teatro e às 13h no site bilheteriacultural.com.br
Horário da bilheteria: de terça a sexta e domingo, das 13h às 21h; sábado, das 9h às 21h
Duração: 75 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Capacidade: 406 lugares (08 para cadeirantes)
Acesso para pessoas com deficiência e assentos especiais.
Acessibilidade: audiodescrição (gravada), LIBRAS, monitoria para neurodivergentes
Mais informações: caixacultural.gov.br | (61) 3206-9448 (recepção) | (61) 3206-6456 (bilheteria)