- Após a restrição dos celulares nas escolas, pesquisa do MEC apontou que 67% das escolas relataram aumento de atividades manuais e artísticas
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Nas escolas brasileiras, a restrição ao uso de celulares resgatou outro tipo de experiência. Segundo pesquisa divulgada em junho pelo Ministério da Educação, em parceria com o Inep, o Instituto Alana e a Unesco, 67% das escolas relataram aumento de atividades manuais e artísticas sem telas desde a entrada em vigor da lei, de acordo com a percepção dos gestores ouvidos.
Esses educadores indicam que a mudança não pode ficar restrita à escola: 67% deles também apontam a parceria com as famílias para limitar o tempo de tela fora da escola como prioridade para consolidar o hábito. Segundo o Panorama da Primeira Infância, pesquisa realizada em 2025 pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, 78% das crianças de 0 a 3 anos são expostas diariamente a telas, e 4 em cada 10 adultos avaliam que as crianças passam mais tempo do que deveriam com dispositivos eletrônicos.
Às vésperas do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, o tema ganha relevância por ser um período em que muitas famílias organizam a rotina e o tempo livre com os filhos. Para Sergio Janikian, CEO da Master, fabricante de materiais escolares, o dado da pesquisa mostra uma mudança que vai além da sala de aula. “O que as escolas fizeram foi abrir espaço para a criança criar com as próprias mãos, e os gestores já perceberam o efeito disso. O desafio que fica é com esse espaço que se mantém fora da escola. E isso não depende de nada sofisticado: depende de tempo e de atenção dos adultos.”
A pesquisa também indica que a mudança não representou um afastamento da tecnologia: 71% dos gestores discordam de que a restrição aos celulares limita o desenvolvimento de habilidades digitais dos alunos. “Não se trata de escolher entre a tela e o papel. As crianças vão crescer num mundo digital, e isso é natural. O ponto é garantir que elas também tenham espaço para experiências que exigem as mãos, a experimentação e até o erro”, afirma Janikian.