Um documento assinado em conjunto pelos candidatos à presidência Veterinário Wilson Grassi, do Democrata; Samara Martins, da UP; e Clariana Barão, do Democracia Cristã; denuncia a falta de isonomia, principalmente, dos meios de comunicação pela forma desproporcional com que trataram, nestas eleições, as suas candidaturas ao cargo máximo do Poder Executivo brasileiro.
Ainda no documento, que será apresentado à imprensa neste sábado, às 17h30, na Rua Teodoro Sampaio, número 1109, os nomes acima citados propoem que o modelo de exposição das candidaturas seja revisto para os próximos pleitos. Toda a imprensa está convidada à participar e cobrir a divulgação oficial da nota no horário e endereço acima.
Além dos candidatos assinantes da nota/documento, foram convidados à participar do movimento os representates do PSTU no pleito presidencial, Sr. Hertz Dias, e do PCO, Sr. Rui Costa Pimenta, que participarão de evento em conjunto com os demais candidatos neste sábado, às 18 horas, no mesmo endereço informado.
Confira, abaixo, a nota completa:
MANIFESTO PÚBLICO CONJUNTO
NOTA DE DESAGRAVO PELA FALTA DE ISONOMIA ELEITORAL
Pelo pluralismo político, pela representatividade de gênero e pelo direito fundamental do eleitor à informação
26 de setembro de 2026
Lamentavelmente, as eleições brasileiras vêm sendo disputadas em um ambiente no qual as oportunidades de exposição dos candidatos não são distribuídas de forma proporcional à diversidade de projetos colocados à apreciação do eleitor.
É constrangedor constatar que, na prática, critérios como representatividade partidária, desempenho em pesquisas eleitorais, audiência e interesse comercial acabam determinando quem recebe maior espaço nos meios de comunicação e nos debates. Embora parte desses critérios esteja prevista na legislação eleitoral, o resultado concreto é a concentração da exposição pública em um número reduzido de candidaturas.
Cria-se, assim, um ciclo de retroalimentação: quem possui maior exposição tende a ser mais conhecido; quem é mais conhecido tende a aparecer com maior frequência nas pesquisas; e quem aparece melhor posicionado nas pesquisas passa a receber ainda mais atenção. Parafraseando o conhecido trecho da música popular: “o de cima sobe e o de baixo desce”.
O poder financeiro, a estrutura partidária, a audiência e a lógica comercial dos meios de comunicação não deveriam se sobrepor ao direito do eleitor de conhecer, comparar e avaliar ideias e propostas de governo. A escolha de quem deverá governar o Brasil pertence ao cidadão — e, para que essa escolha seja efetivamente livre, é necessário que ele tenha acesso ao conjunto de alternativas que estão formalmente colocadas nas urnas.
Na eleição para presidente da República em 2026, 13 candidaturas foram registradas para o primeiro turno. Entretanto, a exposição pública oferecida ao eleitor não corresponde, necessariamente, à existência dessas 13 alternativas.
O eleitor precisa saber que a eleição presidencial não se resume aos nomes que aparecem diariamente com maior frequência na televisão, nos portais de notícias, nas redes sociais ou nas pesquisas de intenção de voto.
Existe uma gama muito mais ampla de propostas para o Brasil. São projetos elaborados por candidatos que, mesmo dispondo de estruturas políticas e financeiras significativamente menores, apresentam alternativas para áreas fundamentais do país e contribuem para o debate democrático.
É justamente por isso que a isonomia de oportunidades de exposição merece ser discutida.
A legislação eleitoral estabelece critérios objetivos para a participação em debates e para a distribuição do espaço de propaganda, inclusive considerando a representatividade dos partidos no Congresso Nacional. Ao mesmo tempo, a própria legislação admite a participação facultativa de outras candidaturas e estabelece regras para a organização dos debates.
O debate, portanto, não deve se limitar à discussão sobre o cumprimento formal da legislação. É necessário discutir também se o modelo atual permite que o eleitor conheça suficientemente todas as alternativas antes de tomar sua decisão.
Quando candidatos são reiteradamente excluídos dos grandes debates, entrevistas e espaços de maior audiência, suas propostas deixam de chegar a milhões de brasileiros. O prejuízo não é apenas das campanhas atingidas. É também do eleitor, que passa a decidir com acesso desigual às informações sobre aqueles que disputam seu voto.
Por essa razão, manifestamos nosso desagravo diante da falta de isonomia na exposição das candidaturas presidenciais e defendemos uma medida concreta e urgente: que os veículos de comunicação responsáveis pelos debates de maior repercussão ampliem a participação dos candidatos regularmente registrados, permitindo que a população conheça, compare e questione diretamente suas propostas.
Da mesma forma, propomos que o modelo seja aperfeiçoado para as próximas eleições, de modo a ampliar a participação das candidaturas e reduzir os mecanismos que, ainda que amparados formalmente em critérios legais, possam produzir uma concentração excessiva da exposição eleitoral.
Esse quadro de restrição atinge contornos ainda mais graves e alarmantes quando se observa o recorte de gênero no atual pleito. Esta é, de forma estarrecedora, a primeira eleição presidencial deste século no Brasil em que as mulheres foram totalmente alijadas dos debates e sabatinas promovidos pelos grandes veículos de imprensa. O pretexto utilizado para esse silenciamento reside no fato de que nenhuma candidata mulher integra legenda com representação mínima no Congresso Nacional ou atingiu patamares elevados nas pesquisas preliminares de intenção de voto.
Torna-se imperativo lembrar que as mulheres representam a maioria absoluta da população e do eleitorado brasileiro, de modo que não existe democracia plena e legítima sem a participação feminina nos espaços centrais de deliberação política. A exclusão de todas as mulheres dos palanques eletrônicos de maior alcance não fere apenas as postulantes, mas atenta contra a própria essência republicana. A aplicação cega de critérios puramente aritméticos — sejam bancadas parlamentares ou pesquisas por amostragem — não pode, sob hipótese alguma, justificar a supressão de parcelas inteiras da cidadania e a anulação da voz de mais da metade do país no debate que definirá os rumos da nação.
Não se trata de reivindicar privilégio para uma candidatura específica. Trata-se de defender o direito do eleitor à informação, ao pluralismo e à comparação entre projetos de país.
As candidaturas que subscrevem este documento estendem simbolicamente este desagravo a todos os demais candidatos que, por diferentes razões, não tiveram oportunidade de participar deste ato ou de apresentar diretamente suas propostas ao eleitorado.
Uma eleição democrática não deve oferecer ao eleitor apenas os candidatos mais conhecidos. Deve oferecer condições para que ele conheça também aqueles que podem apresentar alternativas diferentes.
A democracia pressupõe escolha. E não existe escolha verdadeiramente ampla quando parte das alternativas permanece fora do alcance do eleitor.
Por fim, fica a seguinte reflexão: se uma doença possui 13 possibilidades de tratamento, limitar o paciente a conhecer apenas cinco delas pode significar abrir mão de soluções que sequer chegaram a ser avaliadas. Na democracia, o eleitor também precisa conhecer as alternativas antes de escolher qual caminho seguir.