Dia do Professor chama atenção para a saúde vocal de quem faz da voz uma ferramenta de trabalho

by Amarildo Castro
  • Uso intenso da voz, necessidade de falar em ambientes ruidosos e alterações persistentes podem comprometer a saúde vocal dos docentes
  • Quando a voz é muito exigida, é importante observar sinais como cansaço, falhas e rouquidão, em vez de considerá-los normais da profissão. (Foto de J.P. Junior Pereira)

Em sala de aula, a voz é uma das principais ferramentas de trabalho do professor. São horas falando, explicando, orientando e, muitas vezes, tentando se fazer ouvir em ambientes com diferentes níveis de ruído. No Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a saúde vocal ganha destaque como uma questão relacionada à própria atividade profissional. 

Em Curitiba, mais de 20 mil servidores da Rede Municipal de Ensino já participaram do Programa Saúde Vocal da Prefeitura, desenvolvido desde 1997 em parceria entre as secretarias municipais da Gestão de Pessoal e da Educação e o Instituto Curitiba de Saúde (ICS). A iniciativa é voltada à prevenção de distúrbios vocais entre os professores da rede. 

Para o otorrinolaringologista e laringologista Dr. Guilherme Catani, professor adjunto de Otorrinolaringologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a atenção à voz é especialmente importante para profissionais que dependem dela diariamente. 

“O professor utiliza a voz como instrumento de trabalho durante grande parte da sua jornada. Quando existe uma demanda vocal intensa, é importante observar como essa voz está respondendo e não considerar sintomas como cansaço, falhas ou rouquidão algo que simplesmente faz parte da profissão”, explica o especialista. 

A literatura científica relaciona o trabalho docente a fatores que podem favorecer alterações vocais. Entre eles estão o uso intenso da voz, a necessidade de elevar o volume para competir com o ruído do ambiente e condições relacionadas à própria organização do trabalho. Uma revisão publicada na Revista Latino-Americana de Enfermagem analisou estudos sobre alterações vocais relacionadas ao trabalho dos professores e identificou fatores ambientais e ocupacionais associados à disfonia. 

Outra revisão sistemática, publicada na revista Audiology – Communication Research, avaliou intervenções vocais direcionadas a professores e encontrou melhora significativa em parâmetros da qualidade vocal e na autoavaliação da voz após intervenções combinadas de orientação e treinamento vocal. 

“A voz é produzida na laringe e depende do funcionamento adequado das pregas vocais e de outras estruturas envolvidas na produção da fala. Quando há uma alteração persistente, é importante investigar o que está acontecendo em vez de simplesmente tentar compensar aumentando o esforço vocal”, afirma Catani. 

Rouquidão, falhas na voz, cansaço ou dor ao falar e mudanças persistentes na qualidade vocal são sinais que merecem atenção. A avaliação médica permite investigar a origem da alteração e verificar as condições da laringe e das pregas vocais. 

“A laringologia busca compreender a relação entre a estrutura da laringe, o funcionamento da voz e as necessidades de cada pessoa. Para um professor, preservar a voz significa também cuidar de uma ferramenta fundamental para o exercício da profissão”, explica o médico. 

O cuidado não significa apenas evitar falar. A orientação adequada depende das características de cada caso e pode envolver avaliação médica, identificação de possíveis alterações na laringe e estratégias específicas para reduzir o impacto do uso vocal sobre a voz. 

“No Dia do Professor, é importante lembrar que cuidar da voz também é cuidar da saúde do profissional. Alterações que persistem ou que começam a interferir na rotina de trabalho não devem ser naturalizadas e merecem avaliação”, finaliza Catani. 

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