Diarreia neonatal compromete desenvolvimento e pode reduzir desempenho futuro das bezerras

by Amarildo Castro
  • Em evento paralelo ao 15º SBSBL, médica-veterinária apresentou dados nacionais e internacionais sobre impacto da doença, saúde intestinal e resposta produtiva dos animais

A diarreia neonatal não deve ser tratada como uma ocorrência normal na criação de bezerras. Frequente nas primeiras semanas de vida, a condição pode comprometer ganho de peso, atrasar etapas do desenvolvimento e deixar efeitos que acompanham o animal até a fase produtiva. O alerta foi feito pela médica-veterinária Bianca Paola Santarosa, gerente nacional de Ruminantes da Huvepharma, durante evento paralelo ao 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), nesta quarta-feira (7), em Chapecó.

A atividade foi promovida pela Confortin Agro Distribuidor, em parceria com Biogénesis Bagó e Huvepharma, e teve como tema “Além do controle da diarreia: resultados do Parofor® Solução Oral na saúde e no desempenho de bezerras no Brasil”.

Bianca apresentou dados sobre epidemiologia, agentes envolvidos e consequências da diarreia sobre o desempenho das bezerras. Entre os principais desafios microbiológicos, destacou o Cryptosporidium, protozoário associado a quadros de diarreia em animais jovens.

“A diarreia é muito frequente e comum, mas não é normal. Quando há alteração na frequência de defecação e na consistência das fezes, isso já precisa acender um alerta”, afirmou. Segundo a especialista, a ocorrência nas duas primeiras semanas de vida merece atenção especial porque coincide com uma fase de elevada vulnerabilidade sanitária.

Reflexos além da fase de cria

Um dos pontos centrais da palestra foi o efeito da doença sobre o desenvolvimento posterior do animal. Bianca explicou que episódios de diarreia podem atrasar ganho de peso, desaleitamento e puberdade, além de influenciar o desempenho futuro da vaca.

“Uma vez afetada, a bezerra pode carregar consequências para a vida toda. Precisamos evitar a ideia de que a bezerra de leite vai ter diarreia de qualquer forma ou que o problema é apenas nutricional”, ressaltou.

A médica-veterinária também chamou atenção para a relação entre diarreia e outros problemas sanitários. Segundo ela, bezerras acometidas podem apresentar maior risco posterior de doença respiratória em razão do comprometimento das defesas do organismo.

Dados brasileiros e experiência internacional

Na apresentação, Bianca abordou resultados obtidos no País com a paromomicina (antiiótico), molécula presente no Parofor® Solução Oral. Segundo ela, os dados brasileiros já apontam redução da morbidade e da severidade da diarreia, menor necessidade de tratamentos posteriores e melhora no desempenho durante o aleitamento.

Experiências em propriedades brasileiras registraram ganhos adicionais de peso até o desaleitamento, com resultados que chegaram a 7 quilos e, em alguns levantamentos, ultrapassaram 10 quilos. O produto chegou ao mercado brasileiro no fim de maio de 2025, em parceria com a Biogénesis Bagó.

Bianca destacou que a tecnologia já acumula uma trajetória consolidada no exterior. Segundo ela, o Parofor® é utilizado há cerca de 12 anos na Europa e ocupa posição de liderança global em vendas dentro do segmento farmacêutico da Huvepharma. A experiência internacional, ressaltou, permitiu que o produto chegasse ao Brasil com um histórico técnico-científico já estabelecido, enquanto os estudos conduzidos no País passaram a verificar seu desempenho nas condições brasileiras.

“É um produto que já tem mais de dez anos de atuação na Europa. Aqui no Brasil, nós passamos a comprovar esses resultados dentro da nossa realidade e já temos trabalhos científicos publicados com dados nacionais”, sublinhou.

A médica-veterinária acrescentou que o acompanhamento brasileiro entra agora em uma nova etapa. As primeiras bezerras que receberam o produto no País começam a alcançar a idade reprodutiva, o que permitirá avaliar, nos próximos anos, possíveis reflexos sobre puberdade, prenhez, idade ao primeiro parto e, posteriormente, produção de leite.

“Ainda não temos no Brasil o dado efetivo do que isso vai modificar na sala de ordenha. Agora começaremos a acompanhar essas primeiras bezerras em relação à puberdade, prenhez e, depois, produção”, explicou.

Sanidade e economia

Para a especialista, o controle da diarreia deve ser analisado também sob a ótica econômica. Perdas de peso, tratamentos, atraso no desenvolvimento e maior susceptibilidade a outras doenças aumentam os custos de criação e podem limitar o potencial produtivo dos animais.

“O desempenho da futura vaca começa a ser construído ainda na fase de cria. O diagnóstico correto, a prevenção e o manejo adequado nas primeiras semanas são determinantes para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo do rebanho”.

   Médica-veterinária Bianca Paola Santarosa destaca que o diagnóstico correto, a prevenção e o manejo adequado nas primeiras semanas são determinantes para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo do rebanho. (Fotos: Keli Magri/MB Comunicação)

     A 10ª Milk Fair, feira que acontece em paralelo ao 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), reúne cerca de 45 patrocinadores e 27 expositores que atuam nos segmentos de saúde, nutrição e tecnologia. O evento é promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), em Chapecó, e segue até esta quinta-feira (8).

            A feira promove networking, oportunidades de negócio e aperfeiçoamento técnico dos congressistas, a partir da troca de experiências. São grandes marcas do setor que divulgam inovações para o mercado leiteiro. Uma dessas empresas é a Virbac, que traz soluções para os desafios do dia a dia das propriedades. “O objetivo deste ano é reforçar o portfólio da Virbac dentro das soluções disponíveis para os produtores, médicos veterinários e profissionais do setor”, disse a coordenadora de demanda da empresa, Lidiane Dalla Nora.

            Um dos produtos apresentados é o Fosfosal, um mineral injetável que traz benefícios tanto para produção de bovinos de leite quanto para bovinocultura de corte. “É um produto seguro, zero carência, com uma indicação ampla para os desafios que a gente encontra no dia a dia”, frisou Lidiane, ao acrescentar que o evento é aguardado durante todo o ano. “Nos organizamos para trazer novidades, receber os nossos parceiros, produtores, médicos veterinários e falar um pouco sobre a Virbac e como podemos auxiliar no desenvolvimento da pecuária nacional”.

            Já a Cargill/Nutron apresenta, durante a 10ª Milk Fair, um novo portfólio de gorduras voltado à nutrição de bovinos leiteiros. Segundo o consultor de especialidades da empresa, Renan Bagio, a evolução das pesquisas ampliou a compreensão sobre o papel das gorduras na alimentação animal. “A gordura deixou de ser vista apenas como um ingrediente ou uma fonte de energia na dieta. Hoje, entendemos que existem diferentes ácidos graxos, com características e comportamentos distintos, que podem gerar resultados específicos para os animais. Os produtores buscam maior produção de leite e de gordura, melhor digestibilidade dos ácidos graxos e impactos positivos sobre a reprodução. Ao compreender essa complexidade, tanto pelo olhar do produtor quanto da pesquisa, desenvolvemos um portfólio que conecta essas duas necessidades”, explicou.

            Esse portfólio apresenta dois produtos: Nutrigordura Lac, que maximiza a produção de leite, e uma novidade, o Nutrigordura Lac Ultra, que tem uma concentração de ácido palmítico. “Ele aumenta o teor de gordura no leite, sustentando a produção e trazendo uma rentabilidade maior para a fazenda”, sublinhou Bagio.

            Além de apresentar os produtos, Bagio ressaltou que a equipe está conversando com clientes e técnicos do setor. “Apresentamos os produtos, mas falamos muito de solução integrada, conversar com as pessoas e ouvir muito o produtor. E o evento oferece um ambiente ideal para trabalhar isso”, salientou.

            A MTS, distribuidora da MSD Saúde Animal, DeLaval e Alltech, também apresenta algumas tecnologias. “Participamos em outros momentos do evento, que proporciona conversas, contatos e informar sobre as tecnologias. Está sendo bem produtivo e bem interessante. Além dos contatos, conseguimos depois ir até o campo para conversar com os clientes e até mesmo com novos parceiros”, expôs a consultora técnica comercial da MTS, Angélica Wagner.

            Quem também se planeja para participar de eventos estratégicos é a Prado Saúde e Nutrição Animal. “O Simpósio Brasil Sul e Bovinocultura de Leite é muito estratégico para o nosso negócio de ruminantes, sendo que a gente participa dos simpósios de suínos e de aves também. Sempre aproveitamos para conversar com clientes e trazer inovações, normalmente a gente faz lançamentos ou relançamentos de produtos”, relatou o gerente nacional da empresa, Jan Marcel Szpatowski. Desta vez, a empresa apresenta um produto específico para a silagem, além de outras soluções do portfólio.

            Para Szpatowski, os Simpósios do Nucleovet são referência no mercado. “Recebemos muitos técnicos de várias empresas que são parceiras nossas, cooperativas, clientes. Para mim, é uma referência e vitrine tecnológica”, salientou.

            SOBRE O SBSBL

            A programação do 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL) começou na terça-feira (6) com o 5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó, e segue até esta quinta-feira (8), com palestras sobre sanidade animal, reprodução, qualidade do leite, gestão zootécnica e nutrição de alta performance, além da apresentação de 92 trabalhos científicos e atividades na 10ª Milk Fair. O evento celebra 15 anos do SBSBL e 55 do Nucleovet.

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