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| Pesquisa acompanhou 157 gatos durante 18 meses e aponta resultados do método Captura, Esterilização e Devolução; série documental “Os Gatos da Casa Abandonada” acompanha uma operação semelhante em uma colônia real |
| O controle populacional de gatos que vivem em colônias é um dos desafios enfrentados por protetores, comunidades e gestores públicos. Um estudo realizado pela Universidade de Brasília (UnB) acompanhou durante 18 meses uma colônia de 157 gatos de vida livre, sem manejo prévio, e registrou uma redução de 47,8% no tamanho da população após a aplicação de um protocolo baseado no método Captura, Esterilização e Devolução (CED). Ao final do estudo, 98,8% dos animais haviam sido esterilizados. |
| A pesquisa, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Animais da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB, avaliou o CED em três etapas: reconhecimento e preparação, intervenção e monitoramento. O trabalho também envolveu ações de manejo e educação. Segundo a autora, Ana Nira Nunes Junqueira, os resultados indicaram que o protocolo utilizado foi uma prática eficiente e humanitária para o manejo da colônia. O resultado chama atenção para uma questão que aparece com frequência em áreas urbanas: o que fazer quando uma população de gatos passa a viver e se reproduzir livremente em determinado território? O problema não se resume à quantidade de animais. Colônias sem manejo podem envolver reprodução contínua, abandono, disputas territoriais, conflitos com moradores e dificuldades para garantir alimentação, cuidados veterinários e proteção aos animais. O estudo da UnB reforça que o CED não se resume à captura e à castração. O protocolo analisado envolveu planejamento prévio, esterilização em massa, manejo ativo, acompanhamento permanente e ações educativas. A pesquisa também aponta que políticas de manejo populacional precisam estar associadas à promoção da adoção, prevenção do abandono e educação para a guarda responsável para que os resultados possam ser mantidos ao longo do tempo. É justamente uma situação desse tipo que está no centro da série documental “Os Gatos da Casa Abandonada”, criada pela jornalista e documentarista Stefania Fernandes. Em cinco episódios, a produção acompanha uma colônia de gatos encontrada nas proximidades de uma casa abandonada e registra, passo a passo, a mobilização necessária para organizar uma operação de captura e castração. A história começa quando quatro filhotes são encontrados na garagem da tia de Stefania, em São Roque. A investigação revela que os animais fazem parte de uma colônia maior, formada por gatos adultos e filhotes que circulam pelo terreno de uma propriedade abandonada e pelas ruas da região. Os quatro filhotes são encaminhados para adoção, mas a situação dos animais adultos permanece sem solução. Nos episódios seguintes, a série acompanha as pessoas que convivem com a colônia e apresentam diferentes pontos de vista sobre o problema. Algumas alimentam e protegem os animais; outras relatam conflitos provocados pela presença dos gatos. A partir desse cenário, Stefania e as protetoras envolvidas decidem organizar uma operação de manejo populacional. A preparação da operação é acompanhada no quarto episódio. Com orientação de especialistas, a equipe passa a alimentar os animais em horários e locais determinados, mapeia a colônia e organiza a captura. O método CED é apresentado na série como uma alternativa para animais de vida livre que, em muitos casos, não são candidatos à domesticação e adoção. No quinto episódio, a estratégia é colocada em prática. Oito gatos são capturados. Depois da avaliação veterinária, sete são castrados, identificados e devolvidos ao território de origem. Uma das gatas, Vitória, permanece na clínica para tratamento. A operação encerra uma etapa do trabalho, mas a série mostra que o manejo de uma colônia exige continuidade. A experiência registrada pela produção dialoga com a pesquisa da UnB justamente por mostrar que o controle populacional de gatos de vida livre envolve uma sequência de ações e não apenas um procedimento isolado. Na tese, a redução de 47,8% ocorreu dentro de um protocolo que combinou esterilização, manejo, monitoramento e educação. Na série, o público acompanha esse processo em uma situação real, desde a identificação da colônia até a realização da primeira operação. Uma comunidade criada antes da série“Os Gatos da Casa Abandonada” é o projeto mais recente de uma trajetória que começou nas redes sociais. A página A Louca dos Gatos, criada por Stefania Fernandes, reúne atualmente mais de 50 mil seguidores no Instagram e publica três vezes por semana conteúdos sobre a relação entre humanos e gatos, comportamento, informação e formas de ampliar o conhecimento sobre a espécie. A comunidade formada em torno da página também deu origem, no ano passado, a um podcast de seis episódios, no qual Stefania compartilha sua experiência pessoal com seus três gatos e utiliza essa convivência como ponto de partida para discutir diferentes aspectos da relação entre pessoas e felinos. A série documental representa uma nova etapa desse projeto. Em vez de partir apenas da experiência doméstica, Stefania acompanha uma situação concreta envolvendo uma colônia de gatos e as pessoas que tentam encontrar uma solução para um problema que envolve animais, moradores, protetores e especialistas. Sobre Stefania Fernandes Jornalista, atriz, locutora e documentarista, Stefania Fernandes atua na comunicação e no audiovisual e é pós-graduada em Cinema Documentário. Sua trajetória inclui trabalhos como apresentadora, repórter, roteirista e documentarista. Em “Os Gatos da Casa Abandonada”, ela atua como criadora e também acompanha diretamente a investigação e a mobilização em torno da colônia, registra ndo os diferentes pontos de vista e os desafios encontrados durante o processo. Serviço Série: Os Gatos da Casa Abandonada Formato: Série documental Episódios: 5Estreou: 1º de setembro Criação e apresentação: Stefania Fernandes |