Outubro Rosa: cuidar da saúde da mulher também é abrir espaço para suas emoções e histórias

by Amarildo Castro
  • Biodécodage propõe um olhar individualizado para as experiências femininas e pode integrar, de forma complementar, o cuidado com o bem-estar emocional.

O cuidado com a saúde da mulher envolve prevenção, diagnóstico e acompanhamento médico, mas também passa pela maneira como cada uma vivencia as transformações do próprio corpo, a maternidade, os relacionamentos e as diferentes fases da vida. Durante o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o câncer de mama, essa discussão também abre espaço para refletir sobre a importância do acolhimento emocional e do autocuidado.

Uma das abordagens que propõem investigar a relação entre a história pessoal e a experiência do adoecimento é a Biodécodage, método terapêutico desenvolvido pelo francês Christian Flèche. A prática busca explorar os significados atribuídos às experiências de vida e às emoções, oferecendo um espaço de escuta e autoconhecimento. Sua utilização deve ser complementar aos cuidados convencionais de saúde, sem substituir avaliações, diagnósticos ou tratamentos médicos.

Terapeuta de Biodécodage desde 2024, Tatiane Silva Cabral direciona atualmente seu trabalho ao acolhimento de mulheres, especialmente aquelas que atravessam desafios relacionados à maternidade, à identidade feminina e às mudanças que acompanham diferentes etapas da vida. Sua aproximação com a abordagem começou a partir de uma experiência pessoal, quando acompanhou a filha adotiva em uma sessão e se interessou pelas possibilidades de investigação da história individual.

A vivência despertou o desejo de construir uma nova trajetória profissional. Antes de atuar com terapias, ela trabalhou durante cinco anos como professora e manteve um comércio de papelaria por uma década. A transição também a levou a refletir sobre os desafios emocionais da maternidade, as mudanças na rotina e a relação entre cuidado, culpa e identidade.

Na prática terapêutica, Tatiane busca compreender como cada mulher interpreta suas experiências e como questões familiares, conjugais e pessoais atravessam sua história. A proposta é oferecer um espaço de escuta para que essas vivências possam ser elaboradas, sem pressupor que emoções sejam a causa de doenças físicas.

O trabalho com questões relacionadas à saúde feminina exige atenção especial. Condições como a endometriose, por exemplo, precisam de avaliação e acompanhamento médico. A investigação emocional pode contribuir para o acolhimento da experiência individual, mas não substitui o tratamento clínico nem permite atribuir a origem da doença a conflitos psicológicos.

Para o Instituto Cintia Chiarelli (ICC), que atua na formação e disseminação da Biodécodage no Brasil desde 2018, a preparação de profissionais para trabalhar com a abordagem integra o debate sobre diferentes perspectivas de cuidado. No contexto do Outubro Rosa, a mensagem é que o autocuidado também envolve reconhecer necessidades, buscar apoio e não deixar a prevenção e o acompanhamento da saúde em segundo plano.

Saiba mais: @mulhersensivell | @tatianesilva_terapeuta| @institutocintiachiarelli

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