Foto: Divulgação Universidade de Brasília
Responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar receberam certificado de homenagem na Universidade de Brasília
Responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar de maracujazeiro azedo BRS Gigante Amarelo (BRS GA1), os pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) Fábio Faleiro, Marcelo Fideles e Nilton Junqueira, além do professor da Universidade de Brasília (UnB) José Ricardo Peixoto, foram agraciados com o Prêmio Fortec de Inovação 2026. A UnB homenageou os premiados com certificados de reconhecimento, que foram entregues em solenidade realizada na última sexta-feira (6), durante a 17ª Feira de Negócios e Inovação promovida pela universidade.
O Prêmio Fortec de Inovação busca reconhecer, valorizar e dar visibilidade a casos de sucesso em inovação, propriedade intelectual e transferência de tecnologias desenvolvidas por instituições públicas e privadas do País. O foco principal é premiar o impacto real que a ciência e a pesquisa brasileiras geram na sociedade. A distinção foi criada pelo Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia(Fortec), associação civil sem fins lucrativos que representa os profissionais e os núcleos de inovação tecnológica de universidades, institutos de pesquisa e instituições gestoras de inovação em todo o Brasil.
Lançada em 2008, a cultivar de maracujazeiro azedo BRS Gigante Amarelo ficou em primeiro lugar na região Centro-Oeste, na categoria Cultivar. Indicada para plantio em praticamente todo o território nacional, a variedade pode alcançar uma produtividade anual superior a 100 toneladas por hectare, bem acima da média nacional de 15 toneladas por hectare.
De acordo com os dados do Balanço Social 2025 da Embrapa, a cultivar foi plantada em 1.410 hectares no ano passado, com impacto econômico calculado em mais de R$ 61,5 milhões. O documento aponta que a relação benefício/custo da tecnologia é de 99, ou seja, para cada R$ 1 investido no desenvolvimento da cultivar, há um retorno de R$ 99 para a sociedade.
Além da parceria com a UnB para o desenvolvimento da BRS Gigante Amarelo, a Embrapa Cerrados contou com o apoio de diversas unidades da Embrapa, outras universidades, empresas de assistência técnica e extensão rural, empresas licenciadas para produção de sementes e mudas, associações e cooperativas de produtores, que participaram da validação e promoção da cultivar em todo o País.
“Essa tecnologia mudou o perfil de produção de maracujá no Brasil, não apenas em nível de produtor rural, com os impactos sociais e econômicos que causou, mas também porque serviu como uma das principais bases genéticas para o lançamento de outras cultivares que vieram depois”, relembra Nilton Junqueira.
Marcelo Fideles acrescenta que a BRS Gigante Amarelo, resultado de muitos anos de pesquisa, foi um divisor de águas no mercado de frutas in natura: “Antes, os frutos eram pequenos, e com essa cultivar conseguimos frutos com mais que o dobro do tamanho, maior qualidade, mais cheios e bonitos. O consumidor aderiu rapidamente à cultivar e ela passou a ser o padrão de mercado. Hoje, quem vai ao mercado compra o fruto para também usá-lo como enfeite na sua mesa e depois obter um bom rendimento de polpa para fazer um suco de melhor qualidade”.
“Este reconhecimento e a conquista do Prêmio Fortec de Inovação 2026 é motivo de orgulho para toda a equipe do Programa de Melhoramento Genético do Maracujazeiro liderada pela Embrapa Cerrados. Trata-se de uma cultivar de maracujazeiro azedo lançada há quase 20 anos e que ainda continua no mercado, sendo adotada por milhares de produtores em todos os estados brasileiros e em mais de 10 países”, comenta Fábio Faleiro, também salientando o caráter estratégico das parcerias como a da UnB para o Programa.
Assista ao vídeo produzido pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da UnB sobre a cultivar de maracujazeiro BRS Gigante Amarelo: https://www.youtube.com/watch?v=NF5Mj_O7k5M