Agrodefesa, Fundepec e parceiros discutem ações para avançar no combate à brucelose

by Amarildo Castro
  • Grupo interinstitucional terá responsabilidade de apontar novas medidas contra a doença em Goiás (Evento/Brucelose Fundepec- Foto de Alfredo Luiz Correia)

A intensificação das ações de prevenção e combate à brucelose foi tema de reunião técnica, nesta quarta-feira (4/3), na sede do Fundo Emergencial para a Sanidade Animal de Goiás (Fundepec), em Goiânia (GO). O presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), José Ricardo Caixeta Ramos, participou do evento e destacou o crescimento da cobertura vacinal nos últimos anos. “Atingimos cerca de 80% no último ano, o que é uma boa notícia. Estamos avançando. Assim como vencemos a febre aftosa, vamos vencer a brucelose”, afirmou ele.

Caixeta citou a importância da educação sanitária para o engajamento do produtor rural, mas também demonstrou preocupação com o custos envolvidos na imunização dos rebanhos. “Temos que facilitar a vida do produtor, sobretudo do pequeno, para quem o valor faz diferença, ainda que não seja alto”, ressaltou. Para o gestor, a parceria entre as entidades é fundamental. “Reforço aqui o nosso compromisso com esse tema. Já temos uma parceria forte com entidades como Fundepec, Faeg e Mapa. Precisamos ampliar e trazer as universidades e as prefeituras”, acrescentou ele.

Diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa, Rafael Vieira enfatizou a importância do investimento feito para o desenvolvimento do Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago). Reconhecido nacionalmente, o sistema representou um avanço significativo para a sanidade animal e vegetal, tanto que passou a ser adotado por outras 18 unidades federativas. “Temos um cenário bem melhor hoje, e isso foi possível graças ao trabalho da Agrodefesa e também ao apoio de entidades como o Fundepec. Agora vamos em busca de avançar ainda mais”, declarou.

Grupo interinstitucional
Anfitrião do evento, o presidente do Fundepec, Alfredo Luiz Correia, lembrou que a brucelose pode afetar não apenas animais, mas também humanos. Ele anunciou a criação de um grupo interinstitucional para definir ações conjuntas de prevenção e combate à doença. “Estamos colocando a bola no centro do campo para iniciar esse debate”, disse ele, reforçando a importância do diálogo e da parceria entre as instituições.

Já o diretor técnico do Fundo, Antônio Flávio Camilo de Lima, apresentou um resumo do “Levantamento de Informações sobre Vacinação Contra a Brucelose – Goiás – 2024”. O trabalho, encomendado pela entidade ao Instituto Euvaldo Lodi (IEL/GO), envolveu visitas a 856 propriedades rurais goianas para entrevistas e coletas de dados. O relatório final trouxe dados sobre nível de conhecimento, meios de informação e dificuldades encontradas pelos produtores quando o assunto é a vacinação contra brucelose. A intenção é usar o levantamento para subsidiar as discussões do grupo interinstitucional, que deve ter um ou dois representantes de cada entidade “em busca de soluções para a melhoria do processo”.

Pela Agrodefesa, também participaram da reunião técnica sobre brucelose a gerente de Educação Sanitária, Telma Gonzaga, e a fiscal Geórgia Sardinha; o gerente em substituição de Sanidade Animal, Luís Fernando Bastos Mendes; e a coordenadora do Programa Estadual de Erradicação da Brucelose e Tuberculose Bovina e Bubalina, Sivane Dorneles Miranda. O evento contou ainda com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária (Seapa), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Associação de Empresários Revendedores de Produtos Agropecuários (Agerpa), do Sistema Faeg/Senar, do Sebrae Goiás e outras entidades, além de produtores rurais e jornalistas especializados.

Sobre a doença
A brucelose bovina é uma doença infectocontagiosa crônica, causada pela bactéria Brucella abortus, que afeta o sistema reprodutivo dos animais, provocando abortos, retenção de placenta e queda na produção. Trata-se de uma zoonose grave, transmissível ao ser humano. Em animais, as principais formas de controle são a vacinação obrigatória das fêmeas bovinas e bubalinas entre 3 e 8 meses e o descarte de animais positivos. Em caso de perda do prazo (inadimplência), as fêmeas bovinas com mais de 8 meses de idade devem ser vacinadas com a cepa RB51. Casos positivos de brucelose devem ser comunicados aos órgãos responsáveis, como a Agrodefesa, e não geram penalidades administrativas ao produtor rural.

Fotos: Agrodefesa

Legenda: Evento na sede do Fundepec, em Goiânia, reuniu entidades para discutir ações e avançar no combate à brucelose em Goiás

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