- Para iniciantes, a observação depende de horizonte livre, pouca poluição luminosa e cuidado absoluto com o Sol
Nos últimos dias, circularam posts prometendo um “alinhamento” fácil de ver no céu em 28 de fevereiro de 2026. O problema é que, na prática, várias dessas observações são muito difíceis para iniciantes e dependem de horizonte livre, pouca poluição luminosa e segurança para não observar o Sol, o que pode machucar os olhos.
Muita gente cria expectativa e acaba decepcionada. Poucos instantes após o ocaso do Sol, Mercúrio e Vênus, por exemplo, ficam muito próximos do horizonte oeste e exigem um horizonte observacional sem obstáculos; Vênus pode até aparecer a olho nu, mas geralmente só para quem tem prática. Com telescópio ou binóculo, a regra é clara: nunca observar perto do Sol e só começar cerca de 30 minutos após o ocaso. Mas, aí a localização desses dois planetas é difícil de ser realizada, principalmente, para quem não tem o costume de praticar a Astronomia Observacional.
Saturno segue a mesma lógica: baixo, discreto e mais exigente. Para tentar a olho nu, o ideal é esperar aproximadamente 50 minutos após o pôr do Sol e estar longe das luzes da cidade. E, nesse momento, Vênus e Mercúrio tendem a já ter se posto. Com telescópios simples, localizar Saturno também pode ser dificultoso. Sendo assim, a observação de Saturno é privilégio para poucos: sem poluição luminosa e sem nenhum objeto à frente no horizonte oeste.
Quando o assunto é Netuno, a promessa vira “modo hard avançado”: esqueça olho nu e binóculo. A observação costuma exigir telescópio de alta qualidade, boa técnica de localização e céu escuro.
Urano também não é “fácil”: em geral, só com telescópio, cerca de uma hora após o ocaso, e mesmo assim é um desafio em equipamentos de entrada; as Plêiades podem ajudar na localização, mas não fazem milagre. Sendo assim, outro planeta que exige que o observador precisa ter conhecimento observacional do céu.
O planeta realmente “amigo do público” nessa noite de 25 de fevereiro de 2026 é Júpiter. Ele costuma ser muito brilhante e fácil de identificar mesmo em áreas urbanas, a partir de cerca de 30 minutos após o pôr do Sol, olhando para o norte. Nos dias 26 e 27 de fevereiro, a Lua pode servir de referência: procure um ponto bem brilhante próximo dela. Esse é Júpiter.
Você pode saber mais sobre esse e outros eventos acompanhando as lives de terças-feiras, às 19h30, no canal do YouTube da Urânia Planetário.