Campanha Janeiro Dourado debate prevenção de lesão em atletas

by Amarildo Castro
  • Cirurgião especialista no atendimento de profissionais do esporte defende que atenção com a saúde dos esportistas começa pelo pé

A cada janeiro, a Campanha Janeiro Dourado volta a chamar atenção de profissionais de saúde, treinadores e a sociedade em geral para a necessidade de olhar a prática de atividade física sob o prisma da saúde integral do atleta. Criada com base em iniciativas de medicina do esporte e adotada por sociedades científicas no Brasil, a campanha propõe que o início do ano seja um período de reflexão sobre avaliação médica, planejamento do treino e prevenção de lesões, não apenas de desempenho esportivo.

O mês e a cor dourada simbolizam muito mais que as medalhas, mas a conquista de um estilo de vida saudável e seguro. A proposta é de cuidar do corpo, necessidade tão relevante quanto treinar. Neste aspecto, há um consenso entre especialistas de que a prática física, sem preparo e acompanhamento adequado, pode conduzir a eventos adversos que vão desde lesões musculoesqueléticas até complicações mais graves como acidentes cardiovasculares.

“Nenhuma preparação esportiva deve iniciar sem um olhar clínico atento às particularidades do corpo que treina. O pé é a base de sustentação, literalmente o contato inicial com o solo, e muitas dificuldades biomecânicas aparecem por ali e repercutem em todo o sistema músculo-esquelético. Uma avaliação ortopédica criteriosa, incluindo exames específicos das extremidades inferiores, reduz consideravelmente o risco de entorses, tendinopatias e sobrecargas que acometem joelhos, quadris e coluna” afirma o médico ortopedista Dr. Tiago Baumfeld, cirurgião especialista em pé e tornozelo. 

Pesquisas e evidências científicas reforçam o argumento de Baumfeld. Revisões sistemáticas internacionais que analisaram a incidência de lesões em atletas de alto rendimento ao longo de temporadas competitivas, publicadas em periódicos de referência como o British Journal of Sports Medicine, apontam que até 35% dos atletas de elite sofrem algum tipo de lesão durante uma temporada, com maior prevalência em modalidades de impacto e movimentos repetitivos, como corrida, futebol e basquete.

Ainda nesse contexto, a importância da avaliação não se limita às articulações ou músculos. As demandas cardiovasculares impostas por exercícios de alta intensidade também merecem atenção, sobretudo em indivíduos que retornam ao esporte após longos períodos de sedentarismo. Dados da Organização Mundial da Saúde destacam que a inatividade física está entre os principais fatores de risco para doenças crônicas, e o início abrupto de atividade pode agravar riscos ocultos.

Entretanto, o conceito de prevenção, central à campanha, alia diagnóstico clínico a ajustes de treino, fortalecimento muscular, flexibilidade e recuperação. “Prevenir é um processo ativo e contínuo. Fortalecimento adequado da cadeia cinética que começa no pé e segue por tornozelo, joelho e quadril diminui sobremaneira a incidência de lesões por sobrecarga e otimiza o desempenho também”, completa Dr. Tiago.

No fim das contas, a saúde do atleta deixa de ser responsabilidade exclusiva do treino e passa a exigir uma abordagem multidisciplinar contínua. Ortopedistas, fisioterapeutas, preparadores físicos, nutricionistas e médicos do esporte atuam de forma complementar na identificação de riscos, no ajuste de cargas e na correção de desequilíbrios que, se negligenciados, podem resultar em lesões evitáveis. A integração entre essas áreas permite não apenas reduzir a incidência de traumas, mas também ampliar a longevidade esportiva, seja no alto rendimento, seja na prática recreativa.

Ainda assim, quando a lesão ocorre, o caminho mais seguro passa pela responsabilidade no diagnóstico e no tratamento. “A tentativa de manter a rotina de treinos ou competições sem avaliação adequada pode agravar quadros clínicos e prolongar afastamentos. “Lesão não é sinal de fracasso, mas um alerta do corpo que precisa ser respeitado. O retorno ao esporte deve ser planejado, progressivo e amparado por critérios médicos claros, sempre com foco na recuperação plena e na prevenção de recorrências”, finaliza Baumfeld.

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