Propósito claro aumenta engajamento de talentos e se torna diferencial no recrutamento em empresas

by Amarildo Castro
  • Companhias que alinham cultura, liderança e prática dos valores conseguem atrair profissionais mais qualificados, reduzir a rotatividade e ter crescimento com mais consistência

Empresas que estruturam um propósito claro podem reduzir em até 35% a rotatividade e elevar a produtividade em cerca de 30%, segundo estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ao mesmo tempo, análises da Harvard Business Review indicam que organizações orientadas por propósito apresentam maior capacidade de crescimento sustentável e engajamento das equipes . 

O tema passou a influenciar diretamente o recrutamento e a retenção de talentos, sobretudo em um momento de transformação nas relações de trabalho.

Alexandre Slivnik, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) e professor convidado da FIA/USP, avalia que o propósito deixou de ser um elemento institucional para se tornar um critério prático na escolha das empresas por profissionais mais qualificados. “O propósito é o motor da motivação humana. Quando as pessoas entendem por que fazem o que fazem, o engajamento cresce de forma natural”, afirma.

Esse movimento já impacta os processos seletivos. Profissionais têm priorizado organizações com valores claros e cultura estruturada, enquanto empresas que não conseguem comunicar seu direcionamento enfrentam mais dificuldade para atrair talentos e preencher posições estratégicas. Ao mesmo tempo, o desalinhamento entre discurso e prática tem ampliado pedidos de desligamento, especialmente entre lideranças intermediárias.

A relação entre propósito e cultura organizacional se consolida como um dos principais fatores de sustentação desse cenário. Segundo o especialista, não basta definir missão e visão, é necessário transformar esses elementos em prática cotidiana. “Não adianta ter missão e visão na parede se o colaborador não sente isso no dia a dia. O propósito precisa orientar decisões, relações e comportamentos dentro da empresa”, diz .

Esse alinhamento impacta diretamente a retenção. Empresas com cultura estruturada, liderança engajada e valores bem definidos conseguem criar ambientes de pertencimento, reduzindo a rotatividade e fortalecendo vínculos internos . “O colaborador precisa enxergar sentido no trabalho e perceber que faz parte de algo maior. Quando isso acontece, ele permanece e se desenvolve dentro da organização”, aponta.

Ao mesmo tempo, a pressão por resultados e a velocidade das mudanças elevaram o nível de exigência dos profissionais. “Hoje, as pessoas não buscam apenas remuneração. Elas querem significado. Quando não encontram isso, se desconectam rapidamente e passam a buscar outras oportunidades”, acrescenta.

Na prática, empresas têm investido na formação de lideranças como forma de sustentar esse movimento. “O engajamento vem de cima para baixo. Se o líder não vive o propósito, a cultura não se sustenta e o impacto aparece na rotatividade”, explica.

O especialista aponta sete práticas para transformar propósito em estratégia de atração e retenção

Para que o propósito deixe de ser discurso institucional e se torne um ativo real de gestão, é necessário estruturá-lo de forma consistente e integrada à operação. Entre as principais recomendações, destacam-se:

  • Definir um propósito claro e aplicável
    O direcionamento precisa ser compreensível e capaz de orientar decisões estratégicas e operacionais no dia a dia.
  • Garantir coerência entre discurso e prática
    A credibilidade da empresa depende da consistência entre o que é comunicado e o que é efetivamente vivido internamente.
  • Preparar lideranças para sustentar a cultura
    Gestores devem ser treinados para atuar como referência e multiplicadores do propósito dentro das equipes.
  • Conectar funções individuais ao impacto coletivo
    Profissionais se engajam mais quando entendem como seu trabalho contribui para resultados e para a experiência do cliente.
  • Integrar propósito aos processos de recrutamento
    A seleção deve considerar alinhamento de valores, além das competências técnicas.
  • Criar rituais e práticas que reforcem a cultura
    Reconhecimento, comunicação interna e feedback contínuo ajudam a manter o propósito presente na rotina.
  • Investir no desenvolvimento contínuo das equipes
    Programas de capacitação fortalecem o senso de pertencimento e aumentam o comprometimento com os resultados.

A adoção dessas práticas tem impacto direto nos indicadores das empresas, desde a redução de custos com turnover até ganhos de produtividade e melhora na experiência do cliente.

Para Slivnik, o tema tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. “Empresas que conseguem alinhar propósito, cultura e liderança formam equipes mais fortes e comprometidas. Isso se reflete no desempenho do negócio e na forma como o cliente percebe a marca”, conclui.

Sobre Alexandre Slivnik

Alexandre Slivnik o único brasileiro a dar a volta ao mundo em um avião privado da Disney para conhecer os bastidores de todos os parques da empresa no mundo, juntamente com seus maiores executivos. É reconhecido oficialmente pelo governo norte americano como um profissional com habilidades extraordinárias na área de palestras e treinamentos (EB1). 

Autor de diversos livros, entre eles do best-seller O Poder da Atitude. Diretor executivo do IBEX – Institute for Business Excellence, sediado em Orlando / FL (EUA). Vice-Presidente da ABTD – Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento. Professor convidado do MBA de Gestão Empresarial da FIA / USP. 

Palestrante com mais de 20 anos de experiência na área de RH e Treinamento. Atualmente um dos maiores especialistas em Encantamento de Clientes no Brasil. Palestrante Internacional com palestras feitas nos EUA, EUROPA, ÁFRICA e ÁSIA, tendo feito especialização na Universidade de Harvard (Graduate School of Education – Boston / EUA).

Para mais informações, acesse o site oficial: www.alexandreslivnik.com.br.

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Fontes de pesquisa

Fundação Getulio Vargas (FGV)https://portal.fgv.br

Harvard Business Reviewhttps://hbr.org/2019/09/the-top-20-business-transformations-of-the-last-decade

Galluphttps://www.gallup.com/workplace/236441/employee-engagement-drives-growth.aspx

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