Hospitais, escolas, condomínios residenciais e corporativos de Goiás, entre outros estabelecimentos, correm o risco de ficar com os extintores de incêndio vencidos nos próximos meses. O setor estima que o desabastecimento ocorra entre 30 e 60 dias, em razão das dificuldades enfrentadas pelas empresas fabricantes para monitorar os prazos de validade das cargas.
O problema está na emissão dos selos de conformidade, produzidos pela Casa da Moeda em contrato com o Inmetro. Esses selos, que também são obrigatórios em cilindros de GNV e capacetes, fazem parte do projeto “Inmetro na Palma da Mão”, criado para facilitar a verificação da autenticidade dos produtos. Na prática, porém, o sistema não funciona.
Segundo empresários, os números e sequências gravados nos selos são quase invisíveis, o que inviabiliza a rastreabilidade e compromete a segurança dos usuários. Além disso, os pedidos de novos selos estão parados no Inmetro justamente pela falta de confiabilidade do processo. Algumas empresas de recarga de gás, em Goiânia, já relataram que o selo está em falta.
Até junho deste ano, a produção era feita por pequenas empresas especializadas em impressão selos de segurança espalhadas pelo país. Desde então, uma portaria transferiu a responsabilidade à Casa da Moeda, que, no entanto, não tem conseguido entregar um material com a qualidade e a robustez exigidas pela legislação.
Entre os principais problemas apontados estão:
o novo selo é 2,5 cm menor que o anterior;
o QR Code não traz informações sobre a empresa responsável pela recarga do extintor;
o código alfanumérico não segue sequência lógica e apresenta caracteres minúsculos, tornando-se ilegível.
Um teste realizado pelo consultor de segurança Adilson Medeiros Rocha mostrou a fragilidade do sistema: ao imprimir o selo em papel A4 e em papel fotográfico, a leitura foi facilmente possível, revelando a vulnerabilidade a falsificações. “Se a intenção era aumentar a segurança, o efeito foi o oposto. É urgente o retorno ao sistema numérico sequencial, que garante rastreabilidade efetiva”, afirma.
Outro ponto crítico é o custo. Com a implementação do projeto “Inmetro na Palma da Mão”, o valor do selo subiu mais de 200% e hoje custa 3,4 vezes mais do que em maio. O reajuste estaria ligado ao uso de uma nova tinta de impressão fornecida exclusivamente pela empresa suíça Sicpa, alvo de processos judiciais em diversos países, e cuja aplicação é feita pela própria Casa da Moeda.