Setor marítimo brasileiro inicia 2026 com tour a hidrogênio verde que antecede regulação federal

by Amarildo Castro

Com o compromisso estabelecido pelo Ministro da Casa Civil na COP30 para assinatura do decreto da regulamentação do Marco Zero de Hidrogênio e as novas metas da Organização Marítima Internacional (IMO), que poderá instituir taxas de até US$ 380 por tonelada de CO2 emitida acima do limite permitido a partir de 2028, o Grupo Náutica em parceria com Itaipu Parquetec, GWM, Artefacto e Heineken avançam no projeto JAQ Apoio Marítimo. O barco de 36 metros JAQ H1, com hotelaria operada pelo hidrogênio verde e motorização híbrida que reduz até 80% das emissões, iniciará um tour por portos brasileiros em fevereiro e fará parada para demonstrações durante o Rio Boat Show, em abril.

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Fevereiro, 2026 – A embarcação JAQ H1, do projeto JAQ Apoio Marítimo, inicia em fevereiro um tour técnico pelos portos brasileiros para validar a operação de motores híbridos movidos a hidrogênio verde (H2V). Idealizado pelo presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik, em parceria com GWM, Itaipu Parquetec, Heineken e Artefacto, o barco de 36 metros, o equivalente a cerca de 500 m2 de área, vai percorrer o litoral brasileiro, de Belém (PA) ao Rio Grande do Sul, com o objetivo de consolidar a redução de até 80% nas emissões de dióxido de carbono.

A agenda do primeiro semestre inclui a participação da embarcação no Rio Boat Show 2026, entre 25 de abril e 3 de maio, na Marina da Glória. Durante o evento, o JAQ H1 servirá como plataforma para visitas técnicas e navegações demonstrativas.

O cronograma antecede a assinatura da regulamentação do Marco Legal do Hidrogênio pela Casa Civil, compromisso firmado pelo ministro Rui Costa, durante a COP30, em Belém (PA), após inspeção técnica à embarcação, acompanhado pelo presidente do Grupo Náutica. 

A assinatura do decreto federal é a etapa final para a plena implementação das leis sancionadas em 2024. O processo legislativo culminou na Lei nº 14.948/2024, que instituiu a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, e na Lei nº 14.990/2024, que criou o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC). Para a efetivação dos incentivos, o governo federal deve formalizar via decreto os critérios de habilitação ao Rehidro — regime que suspende PIS e Cofins na compra de equipamentos e insumos utilizados em obras de infraestrutura hídrica — e as regras para a concessão de R$ 18,3 bilhões em créditos fiscais previstos entre 2028 e 2032. 

A estrutura jurídica busca oferecer previsibilidade frente às metas da Organização Marítima Internacional (IMO). Em outubro de 2026, a IMO votará o Marco de Emissões Zero, que poderá instituir taxas de até US$ 380 por tonelada de CO2 emitida acima do limite permitido, previstas para entrar em vigor a partir de 2028. O setor marítimo nacional se antecipa a essas penalidades, que representam um passivo potencial de US$ 1 trilhão para a frota global. 

Na fase atual, o JAQ H1 utiliza motores dual-fuel da alemã MAN que operam com uma mistura de 20% de hidrogênio ao diesel e reduzem as emissões em até 80%. A tecnologia permite a reversão total para o combustível fóssil em caso de instabilidade no suprimento. Também como parte do projeto, o Porto do Açu (RJ) passou a integrar o JAQ como base oficial de testes para estudos de viabilidade comercial e logística.

O investimento privado de cerca de R$ 150 milhões ainda abrange a construção do JAQ H2, já iniciada. A nova embarcação de 50 metros com entrega prevista para 2027 será equipada com um eletrolisador a bordo para gerar hidrogênio a partir da dessalinização da água do mar, o que elimina a dependência de infraestrutura externa de reabastecimento.

“A antecipação das operações técnicas em relação à assinatura do Marco do Hidrogênio permite que a regulamentação nasça baseada em casos reais de navegação. A indústria necessita desta convergência entre as metas da IMO e a legislação brasileira para viabilizar a transição de frotas comerciais”, afirma Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e idealizador do projeto.

As escalas de 2026 do JAQ H1 serão utilizadas para pesquisas e demonstrações, para a coleta de dados oceanográficos e compartilhamento de relatórios técnicos. Equipado com um auditório com capacidade para 40 pessoas, o barco também reunirá em suas paradas estudantes do ensino público e privado, funcionando como um centro de educação e de conscientização flutuante. 

Sobre o Grupo Náutica

Com mais de 40 anos de mercado, o Grupo Náutica traz soluções em inovação, sustentabilidade, infraestrutura, eventos e comunicação na área náutica. É formado pela Revista Náutica (www.nautica.com.br), pioneira e líder no setor; o Boat Show, mais importante salão náutico da América Latina com as edições de São Paulo, Itajaí, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Foz do Iguaçu; a Metalu, maior fabricante de píeres e passarelas em alumínio do mundo; a SF Marina, especialista global em docas flutuantes de concreto e quebra-mares para marinas, portos e orlas marítimas; e o JAQ Apoio Marítimo, com projetos inovadores focados em pesquisas e sustentabilidade. O grupo também se preocupa com as questões sociais e é detentora das ações “Só Jogue na Água o que Peixe pode Comer”, assinada pelo cartunista Ziraldo, e “Por Uma Cidade Navegável”, que busca a navegação em lugares inimagináveis, assim como desenvolve os principais Guias de Turismo Náutico do país.

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