- Em cartaz de 31 de março a 21 de junho, exposição gratuita é a mais abrangente já dedicada ao artista uruguaio e reúne mais de 70 artistas (Na foto de abre, obra de Joaquín Torres Garcia)
A mostra Joaquín Torres García – 150 anos chega ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília em 31 de março, com entrada gratuita, e fica em cartaz até 21 de junho. A exposição reúne um amplo conjunto de obras do artista uruguaio em diálogo com trabalhos de mais de 70 nomes da arte moderna e contemporânea, propondo um novo olhar sobre sua trajetória e sua contribuição para a consolidação de uma linguagem artística latino-americana com projeção internacional ao longo do século XX. A classificação indicativa é livre, e os ingressos podem ser retirados na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura.
O projeto conta ainda com a colaboração institucional de Alejandro Díaz, diretor do Museo Torres García, cuja parceria foi determinante para viabilizar a vinda dos manuscritos e desenhos inéditos. Com curadoria de Saulo di Tarso, a mostra estabelece conexões entre a produção de Torres García e diferentes vertentes da arte moderna e contemporânea, aproximando sua obra de referências brasileiras, das vanguardas europeias, da arte africana e das culturas indo-americanas. O percurso propõe uma releitura do chamado Universalismo Construtivo, conceito formulado pelo artista para articular formas universais a uma identidade própria da América Latina, ampliando suas interpretações para além das leituras mais difundidas.
Reconhecido por integrar importantes coleções internacionais, Torres García tem sua obra apresentada sob uma perspectiva que ultrapassa sua iconografia mais conhecida. A exposição revisita sua trajetória, destacando o papel que desempenhou ao colocar em relação experiências da vanguarda europeia e sua atuação na América Latina, especialmente a partir de seu retorno ao Uruguai, em 1934.
Exposição Joaquín Torres Garcia/Divulgação

A presença de obras como “América invertida”, raramente exibida fora do Museu Torres García, em Montevidéu, reforça esse eixo curatorial, convidando o público a revisitar seu significado para além de leituras consolidadas. Para Saulo Di Tarso, celebrar 150 anos de um artista da dimensão de Torres García exige ampliar o olhar histórico. “Estamos apresentando a exposição mais abrangente já dedicada a ele e dessa forma queremos nos aproximar do nosso legado espanhol”. Nesse sentido, a mostra conta com peças fundamentais provenientes de coleções e museus ao redor do mundo: MACBA, IVAM, Colección Telefónica, MSSA, Galerie Gmurzynska e também obras do MASP, Pinacoteca de São Paulo e de importantes coleções privadas brasileiras.
A dimensão pedagógica também atravessa a mostra. Para Torres García, a infância ocupava um lugar fundamental em sua reflexão estética. “Ele defendia uma educação artística baseada na experiência e na invenção, em que o principal estímulo estava na criação de símbolos e na organização das percepções. Nesse contexto, chegou a desenvolver brinquedos de madeira com caráter formativo e incorporou à sua pintura uma linguagem sintética, próxima ao traço infantil, valorizando a habilidade das crianças de compreender e estruturar o mundo por meio de signos simples e universais”, completa o curador.
Diálogo com a arte brasileira
A presença de 40 artistas brasileiros se organiza a partir de dois eixos principais. De um lado, a memória do incêndio ocorrido em 1978 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), episódio que marcou profundamente a história das instituições culturais no país e teve repercussão internacional. De outro, a proposta de tensionar, no campo simbólico, as divisões históricas herdadas do Tratado de Tordesilhas e suas reverberações nas relações culturais sul-americanas.
A presença de obras e artistas brasileiros e estrangeiros refletem tanto a intenção de diálogo e celebração, encerrando a efeméride dos 150 anos do artista no país quanto a intenção de fortalecer vínculos culturais na América do Sul. “Desde o Modernismo, assim como a antropologia dos trópicos, a arte brasileira influenciou profundamente a cultura europeia e norte-americana, embora ainda insistimos em ler essa história apenas no sentido inverso. Por isso, foi lógico adensar a presença da arte brasileira ao redor de um artista que afirmou que ‘o nosso norte é o Sul”, afirma o curador.
Entre os nomes presentes estão Cecília Meireles, Antonio Cabral, Paulo Nenflídio, Alfredo Jaar, Ernesto Neto, Willys de Castro, Bispo do Rosário, Estela Sokol, Rubens Gerchman, Marcone Moreira, Carlos Zilio, Ronaldo Azeredo, Luiz Sacilotto, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Emanoel Araújo, Arnaldo Ferrari, Montez Magno, Leonilson, Flávio de Carvalho, Tuneu, Jac Leirner, Anna Bella Geiger, Sérgio Camargo, Rivane Neuenschwander, Sofia Borges e Rosana Paulino. Apesar de não terem nascido no Brasil, Volpi, Mira Schendel e Lina Bo Bardi são incluídos por sua importância na história da arte brasileira.
A exposição também evidencia conexões diretas entre Torres García e artistas como Ronaldo Azeredo, Arden Quin, Sacilotto e Volpi, além de relações conceituais com nomes como Tuneu, Ernesto Neto, Bispo do Rosário, Emanoel Araújo e Willys de Castro. Um diálogo expressivo também se estabelece com Rosana Paulino em uma das salas da mostra.
Todas estas conexões revelam a atualidade da obra de Torres García e sua potência como uma obra viva que convoca à autonomia da América Latina, uma obra pioneira das premissas decoloniais, tão caras à contemporaneidade, e que têm sido invocada como ícone de pertencimento na música, no cinema e no mundo da cultura de modo geral. A América invertida (1943) está agora em exposição no CCBB Brasília.
Programação de abertura
A abertura da mostra, no dia 31 de março, inclui uma visita mediada exclusiva para a imprensa, conduzida pelo curador Saulo di Tarso, a partir das 16h. A atividade antecipa as principais chaves de leitura da exposição e apresenta o recorte curatorial proposto.
Cada cidade que recebe a mostra ganha um recorte próprio: em Brasília, as relações entre arte, cidade e espaço público são colocadas à luz, e de forma inédita, a curadoria propõe também traçar diálogos com obras e artistas da Coleção Banco do Brasil, entre eles Rubens Valentim, Maria Bonomi e Athos Bulcão, em torno desta grande celebração.
A exposição reafirma a ideia de que o sul não é uma posição geográfica, mas uma postura ética e poética diante do mundo. Em São Paulo, o diálogo entre geometria e simbolismo marcou a temporada.
A mostra abre em 31 de março no CCBB Brasília. Selecionada no Edital CCBB 2023-2025, viabilizada através da Lei Rouanet, a exposição é patrocinada pela BB Asset, organizada e produzida pela Cy Museum..
BB Asset
A BB Asset, maior gestora de fundos do país, administra cerca de R$ 1,87* trilhão em patrimônio líquido e é responsável pela gestão de mais de 1.200 fundos de investimento, atendendo milhões de pessoas que buscam realizar seus objetivos financeiros. A empresa é reconhecida pela excelência de sua gestão, com as maiores notas das agências de classificação de risco Fitch Ratings e Moody’s. Detém aproximadamente 18% de participação no mercado, consolidando sua liderança no setor. Seus produtos são distribuídos pela maior rede de atendimento bancário do país, o Banco do Brasil, e pelas principais plataformas de investimento. A BB Asset acredita que seu papel vai além da gestão de ativos. Com soluções desenvolvidas para diferentes perfis e objetivos, a empresa assume a responsabilidade de contribuir para uma sociedade mais inclusiva, participativa e conectada com o que realmente importa, investindo em iniciativas que promovem desenvolvimento ambiental, social, de governança e cultural.
*Ranking Ambima Fevereiro/26
CCBB Brasília
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.
Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.
Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, por meio de visitas mediadas agendadas.
Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.
Acessibilidade
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta-feira a domingo. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional.
O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta no vídeo de divulgação exibido no interior do veículo. Mais informações em: Serviços Oferecidos | CCBB Brasília
Horário da van – De quinta-feira a domingo:
Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h.
CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.
CY Museum
Empresa Organizadora da exposição no Brasil. Especializada em projetos expositivos nacionais e internacionais. Prêmio APCA 2023 pela mostra de Marc Chagall: sonho de amor. Dirigida pela museóloga e historiadora da arte Cynthia Taboada, PhD em Museologia.
Saulo di Tarso
Saulo di Tarso é curador, pesquisador e produtor cultural, reconhecido por articular exposições que conectam tradição e inovação na arte latino-americana. Idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García – 150 anos, em colaboração com o Museu Torres García, ele também foi responsável pela museografia e produção multimídia da premiada exposição Marc Chagall: sonho de amor (APCA 2023) e traduziu a obra poética completa de Chagall para o português. Sua trajetória inclui curadorias em instituições como Casa do Olhar Luis Sacilotto, Casa das Rosas, Paço das Artes, Paço Imperial, Museu Afro Brasil, Galeria da Unicamp e Galeria Olido, além da criação da Trienal Internacional de Grafias pelo Memorial da América Latina. Com experiência em arte-educação, produção digital e pesquisa em arte contemporânea, atuou em projetos ao lado de nomes como Emanoel Araújo, Alexandre Wollner e Hans-Joachim Koellreutter, e participou de iniciativas culturais e políticas, incluindo a coordenação de cultura na campanha presidencial de Eduardo Campos e Marina Silva. Fundador da Tangram Museologia e filiado ao ICOM-CIMAM, vive entre Brasil e Itália.
Serviço – Joaquín Torres García – 150 anos
Local: CCBB Brasília
Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves – Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro
Data: de 31 de março a 21 de junho
Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até 20h40)
Classificação: livre
Ingressos em www.bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB Brasília
Transporte gratuito de quinta a domingo, saindo da Biblioteca Nacional
Gratuito
Programação de abertura
Local: CCBB Brasília
Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves – Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro
Data: de 31 de março
– Visita mediada exclusiva para a imprensa, conduzida pelo curador Saulo di Tarso, a partir das 16h
Itinerância
CCBB Brasília (31 de março a 21 de junho de 2026)
CCBB BH (15 de julho a 12 de outubro de 2026)
Ficha técnica
Realização: Ministério da Cultura
Patrocínio: BB Asset
Organização e Produção: Cy Museum
Curadoria: Saulo di Tarso com a colaboração do Museo Torres García
Apoio Institucional: Museo Torres García
Coordenação Geral: Cynthia Taboada
Coordenação Editorial e Pesquisa: Helena Eilers, Andrea Sousa e Xênia Bergman.
Projeto expográfico: Stella Tennenbaum
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Assessoria de imprensa CCBB Brasília