Alunas brasileiras vencem competição internacional com projeto sobre câncer de mama, que será testada no espaço

by Amarildo Castro
  • Competição é realizada em parceria entre International School e The Michaelis Foundation, e levará o trabalho desenvolvido por pelas estudantes para ser testado em ambiente de microgravidade

Da esquerda para direita, Sara Lourenço PanicoBeatriz Marques Herculano, Giovanna Machado Tasso e Lavínia Carboni Berti ealunas do 8º e 9º ano do Colégio Ser, parceiro da International School, em imersão no Kennedy Space Center, nos Estados Unidos

Crédito: Pedro Andrade

Pela primeira vez, uma equipe brasileira conquistou o primeiro lugar no ISS Journey, programa internacional que desafia estudantes a desenvolver experimentos científicos para serem realizados em condições de microgravidade. O feito é das alunas do 8º e 9º ano do Colégio Ser, de Jundiaí (SP), Beatriz Marques Herculano (14 anos) , Giovanna Machado Tasso (14 anos), Lavínia Carboni Berti (14 anos) e Sara Lourenço Panico (15 anos), que criaram uma pesquisa com foco no câncer de mama. O projeto irá para experimento na Estação Espacial Internacional (ISS), em uma missão prevista para setembro/outubro de 2026.

Promovido pela International School, programa de ensino bilíngue da Arco Educação, em parceria com a The Michaelis Foudation, o ISS Journey conecta estudantes à ciência espacial por meio da elaboração de experimentos reais que podem gerar contribuições para a pesquisa científica. Nesta edição, mais de 70 equipes brasileiras participaram da competição e apenas dez chegaram à fase final.

Ao longo da jornada, as estudantes receberam mentoria especializada de um comitê científico da International School e apresentaram seus projetos durante o Science Days, evento que reuniu as equipes finalistas e especialistas da área.

A proposta vencedora, intitulada “Análise de células mesenquimais no secretoma e do ducto mamário”, busca investigar como a ausência de gravidade influencia a comunicação entre células relacionadas ao câncer de mama por meio do secretoma, conjunto de substâncias liberadas pelas células para se comunicar. A expectativa é compreender se as alterações provocadas pela microgravidade podem abrir novos caminhos para pesquisas e tratamentos da doença, que afeta uma em cada oito mulheres ao longo da vida.

“O projeto mostra como a educação pode transformar curiosidade em investigação científica e conectar os estudantes a desafios reais da sociedade. Ver jovens brasileiras desenvolvendo uma pesquisa com potencial de contribuir para o avanço da ciência e chegando à Estação Espacial Internacional é uma demonstração concreta do impacto que experiências educacionais significativas podem gerar”, afirma XXX, da International School.

Sororidade e empatia: O que motivou as adolescentes a buscar alternativas de tratamento para o câncer de mama

A escolha do tema nasceu de uma motivação pessoal das estudantes. O grupo decidiu direcionar a pesquisa para a saúde feminina após acompanhar de perto a trajetória de uma professora da escola em tratamento contra o câncer de mama.

“Escolhemos o câncer de mama e a saúde feminina porque somos um grupo formado só por mulheres. A gente tem relação com o tema por causa de uma professora nossa com a doença. Foi um tema muito sensível por causa disso também”, afirma Lavínia Carboni Berti, aluna do Colégio Ser e integrante da equipe vencedora.

Além da relevância científica, o projeto chama atenção pelo protagonismo feminino em áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), tradicionalmente marcadas pela baixa participação de mulheres. O trabalho também reuniu conhecimentos de biologia, metodologia científica e língua inglesa, exigindo que as estudantes dominassem conceitos técnicos complexos em dois idiomas.

Giovanna Machado Tasso, integrante do grupo de alunas, destaca o papel da formação bilíngue no processo. “Falar inglês abriu muitas portas para nós, especialmente por conta da International School, que é o nosso programa bilíngue. E o inglês nos possibilitou estar aqui hoje. Podemos apresentar para vários cientistas e pessoas experientes na área, o que a gente nunca poderia esperar.”

Já para a aluna Beatriz Marques Herculano, a experiência ampliou o alcance pessoal e acadêmico do grupo. “Desenvolver o projeto foi uma oportunidade de realizar nossos sonhos e abrir portas tanto para o inglês quanto para o lado científico. Isso é importante para inspirar outras meninas a seguir carreiras na ciência e ajudar outras mulheres que enfrentam a mesma situação do câncer de mama. “ 

Como parte da premiação, as alunas participaram na última semana de junho de uma imersão no Kennedy Space Center, nos Estados Unidos, onde tiveram contato com cientistas, especialistas da área aeroespacial e astronautas. A experiência ampliou a dimensão da conquista, que ultrapassa o âmbito escolar e passa a representar também a ciência brasileira em um cenário internacional.

“É muito importante porque mostra que o Brasil é capaz de fazer ciência. Nós não somos apenas o país do futebol e do carnaval. Temos muito mais a mostrar, muito mais a oferecer”, destaca Sara Lourenço Panico, integrante do grupo.

Análise de células mesenquimais no secretoma e do ducto mamário

O experimento desenvolvido pelas estudantes será enviado à Estação Espacial Internacional (ISS), onde será realizado em condições de microgravidade. Paralelamente, um experimento controle será conduzido na Terra para permitir a comparação dos resultados.

A análise permitirá compreender como o ambiente espacial afeta a comunicação entre as células estudadas e poderá gerar informações relevantes para futuras pesquisas sobre o câncer de mama. Os resultados também podem contribuir para ampliar o conhecimento científico sobre os impactos da microgravidade em processos biológicos complexos.

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Sobre o International School – A International School (IS) é um programa de ensino bilíngue pioneiro e referência no Brasil, voltado à formação integral em inglês dentro das escolas. A marca integra o portfólio de bilinguismo da Arco Educação, promovendo a aprendizagem por meio do inglês como linguagem de construção de conhecimento, com projetos multidisciplinares, metodologias ativas, como CLIL (Content and Language Integrated Learning) e PBL (Problem-Based Learning), e abordagem STEAM.

Seu programa está alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), garantindo o desenvolvimento das competências e habilidades essenciais previstas para cada etapa da Educação Básica. Reconhecida com nove premiações como melhor programa bilíngue, a IS atende mais de 550 escolas em todo o Brasil e impacta mais de 180 mil alunos. Seu propósito é formar cidadãos globais, ampliando repertórios e preparando estudantes para atuar além das fronteiras. Mais informações em  internationalschool.global.

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