Ao largar a mão de Flávio, André Mendonça abraça Michelle

by Amarildo Castro

O medo do candidato bolsonarista é justificável. Não é pouca coisa ter contra si, ao mesmo tempo, a rejeição parental e a lei.

Aplausos ao ministro André Mendonça por autorizar a Polícia Federal a investigar Flávio Bolsonaro, mas não se cogitem bobagens como a absoluta independência do magistrado ou seu apego cego às evidências criminais da obscena mendicância do 01 perante o mafioso Daniel Vorcaro para concluir a produção da hagiografia do pai, na versão oficial. O juiz terrivelmente evangélico, como sabe até o mundo mineral, liga-se religiosa, afetiva e ideologicamente a Michelle, cuja antipatia pelos enteados é notória. Claro, ninguém acredita naquele patético teatrinho da reconciliação.

O medo de Flávio é justificável. Não é pouca coisa ter contra si, ao mesmo tempo, a rejeição parental e a lei. Michelle foi a principal defensora e o mais atuante cabo eleitoral de André Mendonça enquanto ele pleiteava a vaga no Supremo Tribunal Federal. Quando seu nome foi aprovado no Senado, a então primeira-dama comemorou efusivamente.

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Recentemente, surgiram boatos de que dados sigilosos processuais envolvendo o Banco Master e figuras ligadas a Flávio teriam chegado ao conhecimento de Michelle por intermédio de Mendonça, alimentando as rivalidades internas na família. Os mais maldosos chegaram a imaginar que os milhões de Vorcaro chegaram às mãos de 01 e 03 escondidos do patriarca.

Veleidades familiares à parte, os horizontes pessoal e político de Flávio Bolsonaro não são nada alvissareiros. A Polícia Federal deverá desvendar qual destino foi dado à verba mendigada em nome da ficção cinematográfica na qual Jim Caviezel, reacionário de quatro costados, interpreta o capitão Jair.

“Não conseguimos imaginar, por exemplo, como o Eduardo tem uma vida tão boa nos Estados Unidos, sem desenvolver nenhuma atividade econômica, nada, nada. Ele apenas e tão somente vive de um dinheiro grande e fácil”, comentou à coluna o advogado Roberto Tardelli, sempre de fina percepção. “A família Bolsonaro vai ser atingida no peito. Não é à toa que o PP recusou-se a apoiar a candidatura Flávio, coisa que jamais se imaginaria – era uma aliança tão evidente! E de repente não se concretizou, porque certamente estão prevendo a fragilidade da candidatura”, nota.

Para Tardelli, não haverá o inesperado nem surpresas: “A investigação autorizada pelo ministro André Mendonça vai chegar naquilo que todo mundo sabia: que o Vorcaro estava comprando a República Bolsonarista numa liquidação. E ele ia executar isso logo que eles ganhassem a eleição”.

Foto: Instagram de Michelle Bolsonaro.

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