Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal promove visita ao Palácio da Democracia

by Amarildo Castro

No coração do antigo Distrito Federal, através de imponentes portas de ferro fundido do número 42 da Rua da Alfândega, está localizado o Palácio da Democracia, sede oficial do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) desde julho de 2024. A história do edifício teve início em 1926, com a inauguração do Banco Transatlântico Alemão.

Agora, cem anos depois, o espaço recebeu a mais nova etapa do Circuito Centenário do Antigo Distrito Federal, iniciativa do Museu da Justiça do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) que convida o público a revisitar edifícios históricos que marcaram a história da República no Rio, incluindo também o Antigo Palácio da Justiça, o Palácio Tiradentes e o Edifício Touring.

Da esquerda para a direita: o vice-presidente e corregedor do TRE-RJ, desembargador eleitoral Fernando Cerqueira Chagas e o presidente do TRE-RJ, desembargador eleitoral Claudio de Mello Tavares

“As paredes que antes guardavam ativos financeiros, hoje protegem o voto e a lisura do nosso processo eleitoral”. Foi assim que o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, descreveu a metamorfose simbólica do prédio durante a abertura do ciclo de palestras nesta quinta-feira, 23 de julho. Ao lado do vice-presidente e corregedor do TRE-RJ, desembargador Fernando Cerqueira Chagas, Tavares destacou a integração do tribunal ao conjunto de edifícios históricos que, em 1926, simbolizavam a afirmação da identidade nacional por meio da arquitetura.

Do banco à Justiça Eleitoral

A trajetória do edifício, narrada pelos historiadores e servidores do Tribunal Eleitoral Rodrigo Costa Japiassu, Maurício da Silva Duarte e Ana Paula Silveira de Andrade, mostra que ele foi construído entre 1924 e 1926 pela Companhia Construtora Nacional, a mesma responsável pelo Copacabana Palace e pelo Hotel Glória, e foi um dos marcos no uso do chamado “concreto armado” no Brasil. Essa técnica permitiu que a estrutura de 30 metros de altura subisse em tempo recorde, destacando-se entre os sobrados coloniais que ainda dominavam a região.

Entretanto, o destino da construção mudou drasticamente em 1942. Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial contra o Eixo, o governo de Getúlio Vargas liquidou o banco alemão e incorporou o patrimônio ao Estado. O prédio abrigou a Secretaria de Fazenda por décadas antes de enfrentar um período de abandono, que só se encerrou em 2022, quando o espaço foi cedido pelo Governo, restaurado e, posteriormente, inaugurado como nova sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio.

Ao fim das palestras, a servidora Cristina Werneck conduziu uma visita guiada pelo Palácio da Democracia, apresentando ao público a arquitetura e os detalhes históricos preservados no edifício.

Visita guiada do Palácio da Democracia, conduzida pela servidora do TRE-RJ, Cristina Werneck

Um circuito para preservar a memória

A diretora do Museu da Justiça, Siléa Macieira, destacou que a iniciativa é um desdobramento de um projeto maior que une quatro edificações emblemáticas, selecionadas para representar segmentos como o jurídico, o financeiro e o comercial ao longo deste século. A diretora também ressaltou a importância da parceria com o TRE-RJ, permitindo que cada instituição tenha seu momento de protagonismo para compartilhar sua própria história e ressignificação. “Em breve, teremos o mesmo momento no Palácio Tiradentes e, por último, fechando no edifício Touring”.

VM/IA

Fotos: Felipe Cavalcanti / TJRJ

Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 23/07/2026 20h53

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