- Medicamento apresentou resposta em cerca de 35% dos pacientes avaliados em estudo clínico; oncologista esclarece quem pode se beneficiar
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do Emrelis (telisotuzumabe vedotina) para determinados pacientes com câncer de pulmão avançado que já passaram por outras terapias. A decisão amplia as alternativas disponíveis para casos específicos da doença.
O Brasil é o segundo país a liberar a medicação, depois dos Estados Unidos. No estudo clínico LUMINOSITY, aproximadamente 35% dos participantes com alta expressão da proteína c-Met apresentaram redução mensurável do tumor.
Segundo o coordenador da Oncologia do Hospital Anchieta Taguatinga e médico do Anchieta Unique, Caio Neves, a novidade é relevante para pessoas com opções limitadas após tratamentos anteriores.
“A identificação de características específicas dos tumores permite selecionar tratamentos mais individualizados. A chegada de uma nova opção é importante, mas precisamos compreender quais pacientes podem se beneficiar”, avalia.
Como funciona a terapia
A indicação contempla adultos com câncer de pulmão de não pequenas células, do tipo não escamoso, localmente avançado ou metastático, previamente tratados e com alta expressão de c-Met, identificada por exame realizado no tecido tumoral.
O medicamento combina um anticorpo que reconhece uma proteína presente nas células tumorais com uma substância capaz de destruí-las. Após a ligação ao alvo, essa substância é liberada no interior da célula cancerosa.
Entre os participantes com alta expressão da proteína, a duração mediana da resposta ao tratamento foi de 7,2 meses.
“Resposta ao tratamento não significa cura. O resultado indica redução mensurável do tumor em parte dos pacientes avaliados. Também precisamos considerar a duração do benefício, os efeitos adversos e as condições clínicas de cada pessoa”, pondera o oncologista.
Entre os possíveis efeitos colaterais estão formigamento, dormência, cansaço, inchaço e complicações pulmonares. Por isso, a utilização exige avaliação especializada e acompanhamento médico.
Apesar da autorização da Anvisa, a comercialização ainda depende de etapas regulatórias, incluindo a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Para o especialista, a novidade reforça a importância do acesso aos exames que identificam as características dos tumores e orientam a escolha terapêutica.
“Não basta desenvolver medicamentos mais específicos. Precisamos garantir o acesso aos testes necessários para identificar a melhor opção. A medicina de precisão só produz resultados concretos quando inovação e diagnóstico caminham juntos”, defende Caio Neves.