Eleições 2026: Selic pode ficar até 2 p.p. acima dos 10,5% projetados para 2028

by Amarildo Castro
  • “A persistência desse patamar dependerá principalmente da credibilidade fiscal e da capacidade do próximo governo de estabilizar a dívida pública”, Gustavo Assis, CEO da Asset.

       “O IPCA-15 desacelerou de 0,70% para 0,32% em outubro, mas a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,62%. Isso mostra que o alívio mensal ainda não garante juros estruturalmente menores. O Focus projeta Selic de 10,50% e inflação de 3,75% em 2028, combinação que representa juros reais próximos de 6,5% ao ano. A persistência desse patamar dependerá principalmente da credibilidade fiscal e da capacidade do próximo governo de estabilizar a dívida pública.

Parte da expectativa de ajuste fiscal já está refletida no dólar e nos juros futuros, mas não é possível quantificar esse ajuste apenas pelas cotações. Se a consolidação fiscal decepcionar, uma Selic entre 11% e 12% em 2028 representaria de 0,5 a 1,5 ponto percentual acima do Focus, em um cenário hipotético. Isso manteria elevada a taxa de desconto das empresas e poderia limitar a valorização da Bolsa, mesmo com inflação menor. Para o investidor, o ambiente reforça a importância da gestão ativa, da diversificação e da combinação entre renda fixa, crédito estruturado e ativos com potencial de valorização no longo prazo”, Gustavo Assis, CEO da Asset.

       “O desafio brasileiro não é apenas reduzir a inflação, mas transformar estabilidade econômica em crescimento. O FMI projeta expansão global de 3,4% em 2027, enquanto o Focus estima crescimento de 1,32% para o Brasil, diferença de 2,08 pontos percentuais. O IPCA-15 desacelerou para 0,32% em outubro, mas o acumulado de 4,62% em 12 meses indica que a desinflação ainda precisa se consolidar. Em um cenário internacional marcado por inteligência artificial, mudanças comerciais e riscos geopolíticos, a produtividade será decisiva para a competitividade brasileira. O mercado já incorpora expectativas sobre a política fiscal após a eleição, embora não seja possível determinar exatamente o ajuste embutido nos preços. Se a Selic terminar 2028 em 11,50%, em vez dos 10,50% projetados, haverá 1 ponto percentual a menos de flexibilização monetária. Esse diferencial influencia o retorno exigido pelos investidores, mas também valoriza empresas capazes de crescer com eficiência. No venture capital, startups com receitas consistentes, tecnologia aplicada e modelos escaláveis encontram oportunidades para atrair capital e expandir sua atuação independentemente das oscilações de curto prazo”, Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest.

       “A queda da inflação precisa ser acompanhada de avanços fiscais para se transformar em crédito mais acessível e crescimento econômico. O IPCA-15 desacelerou para 0,32% em outubro, mas o acumulado em 12 meses atingiu 4,62%. Ao mesmo tempo, o Focus projeta crescimento brasileiro de 1,32% em 2027, diante de uma expansão mundial estimada em 3,4% pelo FMI. Essa diferença reforça a necessidade de elevar a produtividade e melhorar a eficiência financeira das empresas. Antes do segundo turno, o mercado já considera diferentes cenários fiscais, mas não há uma medida precisa do ajuste incorporado ao dólar e aos juros futuros. Caso a Selic chegue a 2028 em 11,50%, em vez dos 10,50% projetados, o Brasil terá 1 ponto percentual a menos de redução dos juros. Nesse contexto, as empresas podem avançar com estratégias que não dependam exclusivamente do ciclo monetário. A integração de crédito, pagamentos, recebíveis e gestão de caixa permite aprimorar o capital de giro, desenvolver novas receitas e transformar a própria operação financeira em uma fonte de eficiência e crescimento”, Leticia Moschioni, Sócia da Finscale.

       “O IPCA-15 de outubro, de 0,32%, veio abaixo do esperado, mas o alívio é menor do que parece. A queda veio principalmente da conta de luz, que ficou mais barata com a bandeira verde, enquanto alimentos e combustíveis continuaram subindo. Em 12 meses, a inflação acelerou para 4,62% e voltou a superar o teto da meta. Por isso, o espaço para cortar a Selic depende cada vez mais das contas públicas. Na minha leitura, o mercado chega ao segundo turno precificando um ajuste moderado, algo perto de 1 ponto do PIB, bem abaixo dos 3% que muitos analistas consideram necessários para estabilizar a dívida. Prova disso é que, durante a campanha, a curva de juros chegou a embutir uma Selic de 14,5%, e só recuou quando o mercado passou a apostar em mais disciplina fiscal. Se o próximo governo entregar menos do que isso, a Selic pode terminar 2028 entre 1 e 2 pontos acima dos 10,5% que os economistas projetam hoje. E a inflação cair sozinha não resolve: com a Selic em 13,75% e a inflação em 4,62%, o juro real está perto de 9%, um dos mais altos do mundo. Sem melhora fiscal, ele continuaria alto mesmo com a inflação menor, porque o Banco Central precisaria compensar o risco das contas públicas. Para as empresas, isso significa adiar investimentos, porque poucos projetos rendem mais do que um título público pagando quase 7% acima da inflação. Para a Bolsa, significa continuar barata: o investidor só aceita pagar mais pelas ações quando o juro cai de forma sustentável, e isso depende menos de quem vencer no domingo e mais do que for feito com o Orçamento a partir de janeiro”, André Matos, CEO da MA7 Capital.

       “O dólar brasileiro responde simultaneamente aos juros internacionais, aos riscos geopolíticos e à confiança nas contas públicas. O Focus projeta câmbio de R$ 5,13 para o fim de 2026 e R$ 5,29 para 2028, diferença aproximada de 3,1% entre as estimativas. O IPCA-15 de outubro, de 0,32%, sinaliza alívio inflacionário, mas o acumulado de 4,62% e a dívida pública de 82,9% do PIB mostram que a trajetória dos juros ainda dependerá da política fiscal e das condições financeiras globais. O mercado já incorpora expectativas para o período posterior à eleição, mas não é possível identificar um valor exato de ajuste fiscal apenas pelos preços dos ativos. Se a Selic permanecer em 12% em 2028, contra os 10,50% projetados, haverá 1,5 ponto percentual a menos de flexibilização, cenário que pode manter o prêmio de risco brasileiro elevado. Isso não garante valorização do real, porque o câmbio também depende do dólar global e do fluxo de capitais. Para o investidor, a diversificação internacional permite distribuir o patrimônio entre moedas, setores e economias, reduzindo a dependência de um único ciclo econômico”, Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset.

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