- O Instituto de Políticas Relacionais, de São Paulo, que atua junto a comunidades indígenas e à população de rua, compartilha aqui seu posicionamento em relação às eleições do próximo domingo (25)
Democracia é algo que se pratica todo dia. Com mais de 20 anos de atuação, o Instituto de Políticas Relacionais sabe bem o que isso significa. Trabalhamos com grupos como povos indígenas e pessoas em situação de rua que comumente são impedidos de usufruir seus direitos como cidadãos. Escolhemos estar ao lado deles porque praticar democracia é também levá-la para onde sua presença não é garantida.
Nos preocupa enquanto instituição que sempre se pautou pelos direitos humanos e pela democracia ver a possibilidade de êxito de um projeto que defende menos direitos, menos democracia. Parafraseando Lévi-Strauss, o Brasil ainda está em construção e já estão programando a sua ruína.
Em julho deste ano, organizamos junto com a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) o “Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas”, encontro que juntou lideranças de todo o país para pedir pela instauração da Comissão Nacional Indígena da Verdade. A medida é considerada fundamental para que seja feita justiça a tantos casos históricos de abuso e violência contra indígenas até os dias de hoje.
A ascensão de um governo de extrema direita significaria um revés sério para essa movimentação em muitas frentes: a possibilidade de um STF aparelhado com juízes alinhados ideologicamente sufocaria qualquer iniciativa judicial nesta corte; a perspectiva de um governo que em seu programa promete “demarcação zero” dá o tom do clima que se pode esperar em relação a qualquer pauta em prol dos direitos indígenas.
Já em nosso projeto Banho Pra Geral, realizamos ações de higiene e dignidade para dezenas de pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo. A partir dessa iniciativa, surgiram oportunidades para algumas pessoas que atendemos se expressarem como escritores. O caso mais recente é Andréa Bico Doce, dependente química que lançou seu livro “A Esperança Ainda Existe”, na Bienal do Livro, em setembro.
Além disso, organizamos e fortalecemos fóruns e comitês que impulsionam o surgimento e solidificação de políticas públicas da população de rua. Também estamos presentes e atuantes junto a coletivos e organizações que apontem para esta visão democrática, como os movimentos nacionais de população de rua. Para nós, é deprimente ver casos de políticos de extrema direita atacando programas sociais e iniciativas de assistência.
Mas a questão transcende setores e esta ou aquela pauta: diz respeito ao futuro da democracia brasileira e ao país que se tenta formar a partir da Constituição de 1988. Há muito o que ser feito, e ainda é tudo muito imperfeito, mas pior do que tudo isso seria apostar no retrocesso.
Relacionais: quem somos
Somos movidos por gente, somos as relações que construímos.
Fundado em 2001, o Instituto de Políticas Relacionais construiu expertises em diferentes áreas, como memória, patrimônio histórico, cultura, direitos humanos e movimentos sociais.
Nosso trabalho está localizado na realidade. Temos como princípio a política da inclusão e o fortalecimento da organização da sociedade civil considerando seus aspectos econômicos, sociais e suas diferentes culturas.
Nossa missão é disseminar e democratizar os direitos humanos, empoderando todas as pessoas para que se tornem cidadãs com base na Ética, Política e Cidadania, que são nossos pilares.
Escolhemos trabalhar com projetos para assessorar e apoiar o desenvolvimento da cidadania, dos direitos humanos, dos valores éticos e da afirmação da vida, seja qual for sua expressão. Todo projeto aqui nasce da escuta de um grupo, de uma comunidade ou de uma cidade para propor uma solução. Somos pontes!