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| Diante de milhares de novos casos anuais no Brasil estimados pelo INCA, especialista destaca formas para o cuidado e a redução de riscos da condição O câncer de ovário é um dos tipos de tumor ginecológico mais desafiadores quando se trata de diagnóstico precoce. Silencioso em suas fases iniciais, ele costuma evoluir sem sinais claros, o que faz com que muitos casos sejam descobertos já em estágios mais avançados, muitas vezes, inclusive, a partir de manifestações relacionadas a metástases. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, o cenário no Brasil é preocupante já que são esperados cerca de 8.020 novos casos para cada ano do triênio. Embora represente menos de 5% dos tumores ginecológicos malignos, o câncer de ovário é considerado o tipo mais agressivo. A doença ocorre quando células da região dos ovários passam a se multiplicar de forma desordenada, formando tumores. Diferentemente de condições infecciosas, ela não se “contrai”, mas se desenvolve a partir de alterações genéticas, que podem ser espontâneas ou hereditárias.Alguns fatores estão associados a um maior risco, como histórico familiar de câncer de ovário ou de mama, idade (mais comum após os 50 anos), não ter tido filhos, menarca precoce e menopausa tardia. Por outro lado, condições como o uso prolongado de anticoncepcionais, gestação e amamentação podem ter efeito protetor. “Hoje sabemos que os tipos mais frequentes são os tumores epiteliais, e há evidências de que muitos deles se originam nas trompas. Por isso, estratégias como a retirada das trompas durante procedimentos como a laqueadura podem ter um papel preventivo em casos selecionados”, explica a Dra. Madalena Oliveira, professora da pós-graduação em Ginecologia da Afya Vitória.A médica pontua que, atualmente, já existem testes genéticos que permitem identificar mutações associadas a um risco elevado de desenvolvimento da doença. “Pacientes com histórico familiar importante, tanto de câncer de mama quanto de ovário, podem ser submetidas à pesquisa dessas mutações. Em alguns casos selecionados, isso permite até a indicação de cirurgias profiláticas, como a retirada dos ovários, como forma de reduzir significativamente o risco”, acrescenta a especialista.Um dos grandes desafios é que os sintomas iniciais são inespecíficos e facilmente confundidos com condições comuns do dia a dia. Entre os principais estão inchaço abdominal persistente, dor ou desconforto na região pélvica, sensação de saciedade precoce e alterações intestinais. “A ausência de sintomas claros no início faz com que muitas mulheres só procurem ajuda quando a doença já está em estágio mais avançado”, destaca a médica. Outro ponto crítico é a ausência de métodos eficazes de rastreamento populacional. “Diferentemente de outros cânceres, não existe um exame capaz de rastrear o câncer de ovário de forma eficiente. Nem ultrassonografia nem marcadores tumorais são indicados como rastreio na população geral”, reforça.O tratamento depende do estágio da doença e das características do tumor, mas, na maioria dos casos, envolve cirurgia para retirada, associada a terapias complementares como quimioterapia e, em situações específicas, radioterapia ou terapias-alvo. Quando diagnosticado precocemente, as chances de sucesso aumentam significativamente. No entanto, justamente pela dificuldade de detecção precoce, o cuidado contínuo com a saúde torna-se ainda mais relevante. “Não existe uma forma garantida de prevenir o câncer de ovário, mas o acompanhamento ginecológico regular permite identificar alterações o mais cedo possível. Conhecer o próprio corpo e valorizar sintomas persistentes fazem toda a diferença”, conclui a Dra. Madalena. |