- Visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite e maior sensibilidade à luz estão entre os sinais da doença; tratamento cirúrgico pode recuperar a visão e devolver independência ao paciente
Deixar de dirigir à noite, precisar de mais luz para ler, tropeçar com frequência ou perder a segurança para realizar tarefas simples podem ser sinais de que a visão do idoso precisa de atenção. Neste domingo, 26 de julho, quando é celebrado o Dia dos Avós, a Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO) alerta para a catarata, doença que avança progressivamente e pode comprometer a independência, a segurança e a qualidade de vida.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, 34,6% dos brasileiros com 60 anos ou mais haviam recebido diagnóstico de catarata em pelo menos um dos olhos. O índice representa mais de um a cada três idosos no país. O alerta ganha importância diante do envelhecimento da população brasileira. O número de pessoas com 60 anos ou mais passou de 22 milhões, em 2012, para 34,1 milhões, em 2024, aumento de 53,3% em 12 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Porém, apesar de ser mais frequente com o avanço da idade, a redução da capacidade visual não deve ser encarada apenas como uma consequência inevitável do envelhecimento. “A catarata é mais comum nos idosos porque faz parte do processo natural de envelhecimento do cristalino, a lente natural dos olhos. Com o passar dos anos, essa lente perde sua transparência e se torna opaca. Além da idade, fatores como diabetes, uso prolongado de corticoides, exposição excessiva ao sol sem proteção, tabagismo, traumas oculares e algumas doenças oculares podem acelerar o desenvolvimento da catarata”, explica o oftalmologista e presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia, Dr. Leiser Franco, que tem entre suas especializações o tratamento da doença.

O oftalmologista e presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia, Dr. Leiser Franco
Mudanças na rotina podem ser sinais
Como a catarata costuma evoluir lentamente, o próprio paciente pode se adaptar às limitações e demorar a perceber que está enxergando menos. Por isso, filhos, netos e outros familiares podem ajudar a identificar mudanças na rotina, como dificuldade para ler, cozinhar, assistir à televisão, reconhecer pessoas, caminhar em ambientes pouco iluminados ou realizar atividades que antes eram feitas com segurança.
“Os principais sintomas são visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite, maior sensibilidade à luz, necessidade frequente de trocar os óculos e alteração na percepção das cores, que ficam mais amareladas. Com a progressão da catarata, atividades como dirigir, ler, cozinhar e caminhar tornam-se mais difíceis, aumentando o risco de quedas e reduzindo significativamente a independência e a qualidade de vida”, afirma o médico.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a deficiência visual entre pessoas idosas pode contribuir para o isolamento social, dificultar a locomoção e elevar o risco de quedas e fraturas. Em todo o mundo, mais de 94 milhões de pessoas são afetadas pela catarata, considerada a principal causa global de cegueira.
Cuidados podem retardar o aparecimento
Embora não seja possível impedir completamente o desenvolvimento da catarata relacionada ao envelhecimento, alguns hábitos contribuem para a proteção da saúde ocular e podem retardar o aparecimento da doença.
“Não existe uma forma de prevenir totalmente a catarata relacionada ao envelhecimento, mas alguns hábitos podem retardar seu aparecimento. Entre eles estão usar óculos de sol com proteção contra os raios UV, controlar doenças como diabetes, evitar o tabagismo, manter uma alimentação rica em frutas e verduras e realizar consultas oftalmológicas periódicas para acompanhar a saúde ocular”, orienta o Dr. Leiser.
O acompanhamento médico também é importante porque os sintomas da catarata podem ser confundidos com outras alterações visuais. A avaliação completa permite identificar a causa da dificuldade para enxergar e definir a conduta adequada para cada paciente.
Cirurgia pode devolver independência
O tratamento da catarata é cirúrgico e costuma ser indicado quando a redução da visão passa a interferir nas atividades cotidianas. Durante o procedimento, o cristalino que perdeu a transparência é retirado e substituído por uma lente intraocular.
“A cirurgia é indicada quando a catarata começa a comprometer a visão e interfere nas atividades do dia a dia do paciente. Atualmente, o tratamento é seguro, rápido e realizado de forma ambulatorial. O cristalino opaco é removido por meio da facoemulsificação e substituído por uma lente intraocular permanente, permitindo a recuperação da visão na grande maioria dos casos”, esclarece o especialista.
A cirurgia não deve ser decidida apenas com base na idade ou no grau da catarata, mas no impacto que a dificuldade visual provoca na rotina. Deixar de ler, dirigir, cozinhar, caminhar sozinho ou reconhecer rostos pode indicar que a doença já está prejudicando a qualidade de vida.
“Antes da cirurgia, é importante realizar todos os exames solicitados, controlar doenças como diabetes e hipertensão e seguir corretamente as orientações do oftalmologista. Após o procedimento, o paciente deve usar os colírios prescritos, evitar esfregar os olhos, proteger o olho operado e comparecer às consultas de acompanhamento. Adiar a cirurgia pode levar à piora progressiva da visão, aumentar o risco de quedas e acidentes e, em casos mais avançados, tornar a cirurgia tecnicamente mais difícil e aumentar o risco de complicações”, alerta o Dr. Leiser.
A orientação da SGO é observar possíveis dificuldades visuais e incentivar a realização de uma consulta com um médico oftalmologista. Identificar a catarata e tratá-la no momento adequado pode ajudar o idoso a recuperar a visão, manter sua autonomia e continuar realizando com segurança as atividades do dia a dia.