Emagrecimento acelerado impulsiona procura por rejuvenescimento facial nos consultórios de dermatologia

by Amarildo Castro
  • Com a popularização das canetas emagrecedoras, cresce o número de pacientes incomodados com a perda de volume e a flacidez do rosto. Especialista explica que as mudanças são consequência do emagrecimento rápido e não do medicamento em si

A rápida popularização das chamadas canetas emagrecedoras mudou o perfil dos pacientes que chegam aos consultórios de dermatologia. Se antes a principal queixa estava relacionada às rugas e linhas de expressão, agora cresce a procura por tratamentos capazes de restaurar a sustentação da face após uma perda significativa de peso.

Segundo a médica dermatologista Dra. Anelisa Ruaro, da Clínica L’Essence, de Curitiba, esse movimento acompanha o sucesso dos medicamentos indicados para o tratamento da obesidade e do sobrepeso, mas ainda é cercado por desinformação. O principal equívoco, explica a especialista, é acreditar que o envelhecimento facial seja provocado pela medicação.

“As canetas emagrecedoras não envelhecem o rosto. O que provoca essas mudanças é a perda rápida de gordura corporal, que também acontece na face. O medicamento é uma ferramenta extremamente importante para o tratamento da obesidade quando bem indicado. O que observamos é uma consequência natural do emagrecimento acelerado.”

Conhecido internacionalmente como “Ozempic Face”, o fenômeno ganhou destaque nas redes sociais e despertou a curiosidade de pacientes que passaram a perceber alterações na aparência durante ou após o processo de emagrecimento. Apesar do nome, dermatologistas reforçam que o efeito pode ocorrer após qualquer perda importante de peso, seja ela obtida por medicamentos, cirurgia bariátrica, mudanças na alimentação ou prática intensa de exercícios.

O rosto também perde gordura

De acordo com a Dra. Anelisa, a gordura facial exerce um papel fundamental na sustentação dos tecidos e na harmonia do rosto. Quando ela diminui de forma significativa em pouco tempo, estruturas que antes estavam preenchidas passam a apresentar maior flacidez e perda de definição.

Entre as alterações mais comuns estão o aprofundamento do chamado bigode chinês, o aumento da flacidez, o aspecto mais marcado das olheiras, a perda do contorno da mandíbula e a redução do volume das maçãs do rosto.

Essas mudanças tendem a ser mais evidentes em pessoas acima dos 40 anos, fase em que a produção natural de colágeno já diminui de maneira progressiva. Entretanto, idade não é o único fator envolvido. “Cada paciente responde de uma forma. A idade, a genética, a qualidade da pele, a velocidade do emagrecimento e até a quantidade de peso perdido influenciam diretamente no resultado. Há pessoas que emagrecem muitos quilos sem apresentar alterações importantes no rosto, enquanto outras percebem essas mudanças logo nas primeiras fases da perda de peso.”

O tratamento vai muito além do preenchimento

O aumento dessa demanda também mudou a forma como a medicina estética aborda o rejuvenescimento facial. Segundo a dermatologista, a tendência atual é abandonar tratamentos isolados para investir em estratégias que recuperem a sustentação da face de maneira global e preservem a naturalidade das expressões.

“O rosto não envelhece apenas porque surgem rugas. Existe uma perda progressiva de colágeno, alterações nos compartimentos de gordura e mudanças estruturais que precisam ser avaliadas em conjunto”, explica.

Por isso, o planejamento costuma combinar diferentes recursos terapêuticos conforme as características de cada paciente. Entre eles estão os bioestimuladores de colágeno, preenchimentos com ácido hialurônico realizados de forma estratégica, ultrassom microfocado, radiofrequência e tecnologias voltadas à melhora da qualidade da pele.

“Hoje o objetivo não é devolver todo o volume perdido nem transformar o rosto. A medicina estética evoluiu para preservar identidade, respeitar a anatomia do paciente e restaurar aquilo que foi sendo perdido naturalmente ao longo do processo de envelhecimento e do emagrecimento”, aponta.

O acompanhamento deve começar durante o emagrecimento

Para a Dra. Anelisa Ruaro, um dos principais erros é procurar ajuda apenas quando a flacidez e a perda de sustentação já estão instaladas.

A dermatologista defende que pacientes em processo de emagrecimento, especialmente aqueles que utilizam medicamentos para perda de peso e têm previsão de redução importante do peso corporal, conversem precocemente com o dermatologista para avaliar estratégias de prevenção.

Além dos procedimentos indicados em cada caso, hábitos como fotoproteção diária, alimentação rica em proteínas, prática regular de atividade física e uma rotina adequada de cuidados com a pele ajudam a preservar sua qualidade durante esse período.

“A prevenção sempre produz resultados mais naturais do que tentar corrigir alterações já bastante avançadas. Quando o acompanhamento acontece desde o início do processo de emagrecimento, é possível preservar melhor a qualidade da pele e a sustentação da face”, conclui a especialista.

Sobre Anelisa Ruaro

Anelisa Ruaro é graduada em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, PUC-PR entre 2002 e 2008. Fez residência em Clínica Médica e Especialização em Dermatologia no Hospital de Clínicas da UFPR entre 2010 e 2014.

É Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia – (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

Sua primeira especialização após a residência médica, foi o aperfeiçoamento em Cirurgia Dermatológica, Cosmiatria e Laser pela SBCD em São Paulo entre 2014 e 2015. Também se especializou em Preenchedores Faciais com a Dra. Bruna Bravo no Rio de Janeiro em 2016 e fez 1 ano de pós Graduação em Tricologia pela Universidade de Mogi das Cruzes, entre 2017 e 2018.

Além de inúmeros outros Cursos de aperfeiçoamento e Congressos nacionais e internacionais, a Dra. Anelisa busca a cada dia atualização e conhecimento na área de Dermatologia.

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