Empolgação com a Copa do Mundo 2026 exige cautela para não transformar emoção em dívida

by Amarildo Castro
  • Com renda pressionada e crédito caro, especialistas alertam que gastos emocionais com viagens, eletrônicos e experiências ligadas ao torneio podem comprometer o orçamento por meses

A proximidade da Copa do Mundo de 2026 já começa a mobilizar o interesse de consumidores brasileiros por viagens internacionais, eletrônicos, encontros em bares e experiências ligadas ao torneio, mas o movimento também acende um alerta financeiro. Dados mais recentes do Banco Central mostram que o comprometimento da renda das famílias com dívidas segue em patamar elevado, um indicador que expõe a vulnerabilidade do orçamento doméstico diante de gastos impulsivos.

Para Ricardo Hiraki, especialista em educação financeira e sócio fundador da Plano Fintech, empresa especializada em planejamento e organização financeira para famílias e pequenas e médias empresas, grandes eventos esportivos costumam funcionar como gatilhos emocionais de consumo, especialmente quando envolvem pertencimento, entretenimento e desejo de viver experiências únicas. “Quando o consumo vem carregado de emoção, a análise racional perde espaço. Isso vale para a compra da televisão nova, para a camisa oficial, para a viagem de última hora ou até para pequenos gastos repetidos com confraternizações e apostas. Separadamente parecem controláveis. Juntos, podem virar um problema silencioso”, diz Hiraki.

A combinação entre empolgação coletiva e facilidade de parcelamento tende a ampliar o problema. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o percentual de famílias endividadas no país permanece elevado em 2026, mostrando que boa parte dos brasileiros já opera com orçamento comprometido antes mesmo de gastos extraordinários.

A busca por experiências presenciais também tende a pressionar o orçamento. Com a Copa sendo disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, a viagem exige planejamento robusto, especialmente diante da alta do dólar e dos custos com passagens, hospedagem, ingressos e alimentação. Sem reserva prévia, a tendência é recorrer ao crédito.

O alerta se estende também aos gastos considerados menores. Reuniões em bares, assinaturas temporárias de plataformas, delivery, souvenirs e compras associadas ao evento podem gerar efeito acumulativo sem percepção imediata.

Como aproveitar a Copa sem comprometer a saúde financeira

Especialistas recomendam alguns cuidados práticos para evitar que o entusiasmo se transforme em endividamento:

  • Definir um orçamento máximo antes de qualquer gasto: Estabelecer um teto ajuda a limitar decisões impulsivas e reduz a chance de extrapolar o planejamento.
  • Evitar parcelamentos longos para consumo não essencial: Parcelas pequenas podem mascarar o custo total e comprometer meses futuros.
  • Separar experiência de impulso: Nem todo desejo precisa ser atendido imediatamente. Planejamento continua sendo a principal ferramenta.
  • Considerar o custo total da viagem: Passagem, hospedagem, alimentação, deslocamento, seguro, compras e câmbio devem entrar na conta.
  • Revisar a situação financeira antes de assumir novos gastos: Quem já está com o orçamento apertado precisa redobrar a cautela.

“Não se trata de deixar de aproveitar a Copa, mas de evitar que um evento de poucas semanas gere um impacto financeiro que dure o ano inteiro. O entretenimento precisa caber dentro da realidade financeira de cada família. A conta da emoção sempre chega”, conclui.

Sobre Ricardo Hiraki

Ricardo Hiraki é empreendedor e investidor em inovação e no mercado imobiliário. CEO e cofundador da Plano Fintech, é administrador com pós-graduação pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atuou por quase dez anos em posições de liderança na área financeira no ambiente corporativo, com foco em gestão, controle de custos e apoio à tomada de decisão executiva.

Desde a fundação da Plano, Hiraki passou a se dedicar à criação e ao investimento em negócios de impacto, com o objetivo de ampliar o acesso à saúde financeira no Brasil. Sua atuação está concentrada no desenvolvimento de soluções que combinam tecnologia, educação financeira e novos modelos de serviço, voltados à organização do orçamento, redução de dívidas e decisões financeiras mais conscientes.

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Sobre a Plano Fintech

Fundada em 2018, a Plano Fintech é uma empresa de educação financeira que desenvolve soluções para pessoas que desejam organizar a vida financeira e tomar decisões mais conscientes sobre o uso do dinheiro. A empresa já apoiou mais de 200 mil brasileiros na redução de dívidas e no reequilíbrio financeiro.

A atuação da Plano combina plataforma digital com acompanhamento humano de educadores financeiros, permitindo a criação de planejamentos personalizados, identificação de excessos e estratégias práticas para redução de custos e despesas. Com presença em todo o Brasil, a fintech utiliza tecnologia, princípios de ESG e Open Finance para gerar impacto social em escala.

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Fontes de Pesquisa:

Banco Central do Brasil
https://www.bcb.gov.br/estatisticas/endividamentorendafamilias 

Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Peic)
https://www.cnc.org.br/editorias/economia/pesquisas/pesquisa-de-endividamento-e-inadimplencia-do-consumidor-peic

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