Para a Dra. Regina Nicolosi, horas no celular parecem pausa, mas deixam olhos e mente hiperestimulados às vésperas da prova
Depois de horas de estudo, muitos vestibulandos “descansam” rolando redes sociais, assistindo a vídeos curtos ou jogando. A prática parece inofensiva, mas pode chegar ao dia da prova como cansaço. O alerta é da psicóloga Regina Nicolosi, doutora em comunicação, a poucos dias do ENEM 2026, marcado para 8 e 15 de novembro.
O hábito é comum entre os jovens. Uma revisão de estudos publicada no Jornal de Pediatria estimou que 70,9% dos adolescentes brasileiros têm tempo de tela considerado excessivo.
“A tela dá a sensação de pausa, mas o cérebro continua recebendo estímulos o tempo todo: imagens, sons, notificações, comparações. Os olhos e a mente seguem em alerta. O estudante acha que descansou e, na verdade, só trocou um tipo de esforço por outro”, explica a psicóloga.
Segundo ela, o efeito aparece principalmente no sono. O uso do celular à noite atrasa a hora de dormir e deixa a mente acelerada justamente quando ela precisa desacelerar. “É no sono que o cérebro organiza e consolida o que foi estudado. Trocar horas de sono por horas de tela na reta final é um prejuízo duplo”, afirma.
As redes sociais também alimentam a ansiedade. “Na véspera do ENEM, o feed fica cheio de gente dizendo quanto estudou, quantos simulados fez. Isso ativa comparações e pensamentos como ‘estou atrasado’ ou ‘não vou dar conta’, que só aumentam a pressão”, observa.
Como descansar de verdade, segundo a Dra. Regina Nicolosi:
- Faça pausas sem tela. Caminhe, alongue-se, converse com alguém ou simplesmente olhe para longe por alguns minutos.
- Desligue o celular pelo menos 1 hora antes de dormir. Deixe o aparelho fora do quarto, se possível.
- Mantenha horários regulares de sono e tente dormir de 7 a 9 horas por noite.
- Reduza o tempo nas redes sociais na semana da prova e silencie perfis que geram comparação.
- Reserve momentos de lazer fora das telas, como esporte, música ou um passeio com a família.
- Observe como você se sente depois de usar o celular. Se a sensação é de cansaço ou inquietação, aquilo não foi descanso.
“Descansar também é estratégia. Uma mente que desacelera de verdade chega à prova com mais clareza, mais memória disponível e menos medo”, conclui Dra. Regina Nicolosi.
Sobre
Dra. Regina Nicolosi é fonoaudióloga, psicóloga, mestre e doutora em Comunicação. Com quase 40 anos de experiência em atendimentos clínicos, pesquisas e palestras, a especialista lançou seu primeiro livro com foco em saúde mental, embora já tenha participado como coautora de outros materiais ligados à saúde da voz. As pesquisas desenvolvidas durante o mestrado e o doutorado contribuíram para um melhor entendimento das questões abordadas no livro, permitindo o compartilhamento de dados, experiências e esclarecimentos científicos que fundamentam a temática da imersão digital e sua relação com o suicídio. A autora realiza palestras e rodas de conversa em escolas e instituições sobre o tema do livro, além de outras questões relacionadas à saúde mental de crianças, jovens e mulheres.