Mostra realizada pela Decoranea e 1COMUM Coletivo reúne artistas e designers para refletir sobre identidade, natureza e a sociedade brasileira
Brasilina, aberta ao público do Centro Cultural SESI de Vitória. Crédito: Divulgação
A partir de hoje, quarta-feira, 02 de setembro, até o dia 30, fica em cartaz no Centro Cultural SESI a exposição Brasilina – Poéticas de uma Nação Mátria. Realizada pela Decoranea e 1COMUM Coletivo, a mostra traz o Brasil, com sua diversidade de territórios, culturas, povos, paisagens e modos de existir, como ponto de partida da exposição, que reúne artistas e designers brasileiros em torno de uma reflexão sobre a riqueza e a complexidade do país, por meio de diferentes linguagens, técnicas, materiais e expressões criativas.
Idealizada por Isabela Castello e Fernando Nicolau, com curadoria de Isabela Castello e Isabel Portella, a exposição parte de uma imagem simbólica: a brasilina, pigmento vermelho associado ao pau-brasil, árvore que deu nome ao país. A substância que colore o cerne da madeira torna-se, na exposição, metáfora para a própria identidade brasileira — diversa, intensa, contraditória e em constante transformação.
A proposta da Brasilina nasce do desejo de olhar para o Brasil além dos estereótipos e das narrativas únicas, reconhecendo sua potência natural e cultural, mas também suas contradições. Um país de dimensões continentais, biodiverso, multicultural e miscigenado, marcado por profundas desigualdades, mas também por criatividade, resistência, afetos e capacidade de reinvenção.
A exposição está estruturada em três eixos curatoriais: Identidade, Natureza e Sociedade. Juntos, eles propõem diferentes perspectivas sobre o país. Identidade aborda as múltiplas formas de ser e pertencer ao Brasil; Natureza contempla a biodiversidade, os territórios e as relações entre ser humano e meio ambiente; e Sociedade reflete sobre as relações, desafios, contrastes e transformações que constituem a vida brasileira.
Um dos conceitos centrais da mostra é a ideia de nação mátria — uma visão do país como terra-mãe, que gera, nutre e protege. A expressão propõe uma perspectiva mais afetiva e inclusiva de nação, relacionada à terra, à natureza, às ancestralidades e ao papel das mulheres na construção da vida social e cultural brasileira.
A exposição também parte de uma reflexão simbólica sobre a bandeira nacional. O lema “Ordem e Progresso”, inspirado no pensamento de Auguste Comte, originalmente fazia parte de uma formulação mais extensa que incluía a palavra “amor”. Ao trazer essa ausência para o campo da reflexão artística, Brasilina propõe uma regeneração simbólica: amor como princípio, ordem como base e progresso como fim. Terra como corpo, cultura como cura, arte como fala.
Mais do que apresentar obras sobre o Brasil, Brasilina busca criar um espaço de encontro e reflexão, e para isso contará com um programa educativo desenvolvido pela arte-educadora Tatiana Rosa. A diversidade de artistas, linguagens e perspectivas permite que diferentes Brasis coexistam na mesma exposição, revelando que não existe uma única maneira de representar ou compreender o país.
Para a Decoranea, galeria dedicada à arte e ao design autoral, a exposição também reafirma seu compromisso com a valorização da produção criativa brasileira e com a aproximação entre essas duas linguagens. A presença conjunta de arte e design autoral amplia o olhar sobre a criatividade nacional e evidencia a capacidade brasileira de transformar matéria, cultura e experiência em formas, objetos e narrativas. A arte, nesse contexto, é entendida como uma das formas mais potentes de nos conhecermos, nos valorizarmos e nos reinventarmos como povo e como nação.
Com produção de Elaine Pinheiro (ArtES Consultoria, Produção e Gestão Cultural), Brasilina nasce com a perspectiva de circular posteriormente por outras cidades brasileiras.
SERVIÇO
Brasilina – Poéticas de uma Nação Mátria
Realização: Decoranea e Um Comum Coletivo
Idealização: Isabela Castello e Fernando Nicolau
Curadoria: Isabela Castello e Isabel Portella
Local: Galeria do Centro Cultural SESI – Jardim da Penha, Vitória – ES
Período: 2 a 30 de setembro de 2026
Visitação: terça a sábado, das 10h às 20h
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre