Estrutura inédita criada pela Assembleia Geral das Nações Unidas reúne 193 países para deliberar de forma contínua sobre as regras do ambiente digital. (Créditos – Foto: Divulgação / iMF Press Global)
A regulamentação global da inteligência artificial terá participação brasileira em seu fórum mais decisivo. O engenheiro de sistemas André Afonso Silva foi selecionado pelas Nações Unidas para integrar a sessão inaugural do Global Dialogue on AI Governance, mecanismo permanente que realiza seu primeiro ciclo de debates nos dias 6 e 7 de julho em Genebra, na Suíça.
Com formação básica pelo tradicional Colégio de São Bento e graduado em Engenharia de Sistemas e Computação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Silva conecta a base técnica de excelência à liderança institucional. No campo científico internacional, ele integra o conselho editorial do CPAH (Centro de Pesquisa e Análises Heráclito), participando diretamente da validação de periódicos e publicações especializadas do grupo no Brasil e em Portugal.
No ambiente de mercado, o engenheiro ocupa a vice-presidência do Conselho de Inovação, Transição Tecnológica e Deep Techs da Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE), entidade que compõe o Sistema da Confederação Nacional do Comércio (CNC). É por meio deste credenciamento institucional que ele acompanhará as deliberações em Genebra.

O tabuleiro geopolítico da regulação
O Global Dialogue on AI Governance foi instituído oficialmente pela Resolução A/RES/79/325 da Assembleia Geral da ONU, inserido no contexto do Pacto para o Futuro. A iniciativa foi desenhada não como um evento isolado, mas como uma estrutura de ciclos sucessivos para que os 193 países integrantes passem a decidir de forma conjunta os parâmetros regulatórios da tecnologia.
A sessão fundadora em solo suíço é co-presidida pelas delegações de El Salvador e da Estônia, ocorrendo de forma simultânea à Cúpula AI for Good. O objetivo central é estabelecer o arcabouço internacional que balizará o uso corporativo e estatal da inteligência artificial nos próximos anos. Um segundo ciclo de encontros globais já está planejado para Nova York no próximo ano.
Governança inscrita no desenho tecnológico
Fundador da Essência A.I., consultoria tecnológica que integra o programa IBM Partner Plus, André Afonso Silva defende que a velocidade do processamento atual tornou os modelos tradicionais de fiscalização obsoletos. Mestre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e criador do framework Systemic Augmented Intelligence, ele aponta que o controle deve ser nativo.
“A inteligência artificial deixou de ser ferramenta e se tornou infraestrutura. A governança não pode mais ser um exame que se faz depois, ela precisa estar inscrita na arquitetura dos sistemas antes que entrem em operação.”
A escolha do especialista brasileiro para o fórum da ONU foi chancelada pela comissão organizadora por meio de documento oficial de convocação. A organização destaca o reconhecimento à experiência e às contribuições do engenheiro para as discussões sobre governança e formulação de políticas públicas na área de tecnologia profunda.
A agenda do executivo na Europa projeta ainda diálogos com lideranças multilaterais ligadas ao Fórum Econômico Mundial e à Organização Mundial do Comércio. Os relatórios de inteligência regulatória e as conclusões das mesas de debate serão convertidos em diretrizes estratégicas para o setor produtivo e de serviços no Brasil no segundo semestre.