Nem todo cansaço faz parte da idade: o coração pode estar dando um sinal de alerta

by Amarildo Castro
  • Reconhecer os primeiros sinais faz diferença na evolução da insuficiência cardíaca

Nem sempre o cansaço é consequência da idade, da rotina ou da falta de condicionamento físico. Quando atividades simples passam a exigir mais esforço do que o habitual, ou sintomas como falta de ar e inchaço nas pernas começam a fazer parte do dia a dia, é importante investigar a causa.

Celebrado em 9 de julho, o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca chama atenção para uma condição que compromete a capacidade do coração de bombear sangue de forma eficiente e que pode evoluir silenciosamente quando não é diagnosticada e tratada precocemente.

Na avaliação da cardiologista do Hospital Anchieta, Paula Damasco, um dos principais desafios ainda é fazer com que a população reconheça que mudanças persistentes na disposição física merecem atenção médica e não devem ser encaradas como uma consequência natural do envelhecimento.

“Muita gente demora a procurar atendimento porque acredita que o cansaço ou a falta de ar fazem parte do envelhecimento. Quando a insuficiência cardíaca é diagnosticada precocemente, conseguimos controlar a doença e reduzir o risco de complicações”, afirma.

O coração pode dar sinais antes que a doença avance

Ao contrário do que muita gente imagina, a insuficiência cardíaca não significa que o coração deixou de funcionar. A condição ocorre quando ele perde a capacidade de bombear sangue ou de se encher adequadamente, dificultando o fornecimento de oxigênio e nutrientes para o organismo.

Falta de ar durante esforços ou ao deitar-se, cansaço persistente, inchaço nas pernas, tornozelos e pés, ganho rápido de peso provocado pelo acúmulo de líquidos e redução da capacidade para realizar atividades que antes eram feitas sem dificuldade estão entre os principais sinais de alerta. Embora possam surgir de forma gradual, esses sintomas não devem ser ignorados.

Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e histórico de infarto estão entre os principais fatores que aumentam o risco de desenvolver a doença. Por isso, controlar essas condições, manter hábitos saudáveis e realizar acompanhamento médico periódico continuam sendo as principais estratégias para proteger a saúde cardiovascular.

Quanto mais cedo, melhores são as chances de controle

Hoje, a medicina dispõe de exames capazes de avaliar o funcionamento do coração e identificar alterações antes que elas provoquem limitações mais importantes. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento no momento adequado, controlar a evolução da doença e preservar a qualidade de vida.

Segundo Paula Damasco, esse cuidado começa muito antes do aparecimento de complicações e depende da combinação entre acompanhamento médico e hábitos saudáveis.

“Cuidar da saúde cardiovascular não significa apenas tratar uma doença quando ela aparece. Significa controlar os fatores de risco, manter hábitos saudáveis e acompanhar regularmente a saúde do coração para viver com mais qualidade e autonomia”, ressalta.

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