O Laboratório da alegria: funk, piseiro e samba no mesmo tubo de ensaio projetam Danny Albuquerque, a DJ que catalisa identidades

by Amarildo Castro

A artista mostra como beats regionais viram experimento sonoro em encontros inusitados entre ritmos

A DJ Danny Albuquerque, artista mineira à frente do projeto Laboratório, assume o papel de “cientista da alegria” e abre as portas do estúdio onde mistura ritmos que, à primeira vista, “parecia que não iam dar certo”. Disso, já saíram dois experimentos: “Passinho do Brasil”, com MC Guiguh, e “Paixão de Peão”, com Gabriel Tadeu. De jaleco e tubos de ensaio, em uma alusão lúdica às Meninas Superpoderosas, ela transforma cada tentativa em experimento sonoro — e cada encontro improvável entre ritmos regionais em nova música  que conquista o gosto popular.

No laboratório, o beat de Belo Horizonte, o mandelão de São Paulo, o tamborzão do Rio, o piseiro e o samba dividem a mesma bancada. O método tem uma assinatura: nada de gênero puro, tudo de encontro. O primeiro resultado foi “Passinho do Brasil”, com MC Guiguh, faixa que inaugurou o projeto com uma viagem rítmica — do sambinha e dos assobios de torcida à fusão dos três grandes beats regionais, em uma trilha feita sob medida para o clima de Copa. O segundo, “Paixão de Peão”, com Gabriel Tadeu, uniu a batida grave do funk de Belo Horizonte à melodia do piseiro e fez a travessia da Copa para o Arraiá, da arquibancada para o rodeio, em uma sonoridade feita para arenas e parques de exposição.

“Minha missão é provar que podemos ter uma fusão de diferentes estilos, recriar e ter gêneros populares, como o piseiro e o funk, no mesmo palco, e comigo, ao mesmo tempo”, conta Danny Albuquerque.

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É esse o espírito do Laboratório: a inovação na música popular brasileira nascendo menos de um gênero puro e mais de experimentos com encontros improváveis. Uma mesma artista pode ser a trilha sonora da torcida no Mundial e da arena de rodeio — prova de que o Brasil se conecta através da cultura popular.

Entre um experimento e outro, Danny Albuquerque já tem novas fórmulas na bancada e adianta que o projeto segue em constante ebulição. “O Laboratório é um espaço vivo, que nunca para. Assim que uma mistura dá certo, eu já estou pensando no próximo tubo de ensaio, em qual ritmo vou colocar ao lado de qual, o que ainda não testei. Tenho anotado combinações que ainda nem cheguei a abrir, e é isso que me move: a ideia de que sempre existe um encontro novo esperando para dar certo”, conta a artista, que enxerga em cada lançamento apenas um ponto de partida.

“Cada faixa que sai me abre um leque de possibilidades. Se o Passinho me mostrou o caminho das arquibancadas e a Paixão de Peão me levou para o rodeio, imagina o que vem pela frente. A alegria não tem fórmula pronta — e é exatamente por isso que eu sigo experimentando”, finaliza a artista.

Sobre a DJ Danny Albuquerque

Mineira, DJ Open Format, produtora, compositora, dançarina e cantora, Danny Albuquerque consolidou uma base de fãs gigantesca e números expressivos: são mais de 1,6 milhão de inscritos no YouTube, ultrapassando a marca de 300 milhões de visualizações na plataforma, além de mais de 30 milhões de reproduções no Spotify. Sua experiência inclui apresentações em grandes eventos e festivais, conectando-se com multidões por onde passa.

Sua arte é um reflexo direto de sua história de vida. Tendo iniciado cedo no teatro, dança e na música dentro da igreja, Danny traz para os palcos uma performance rica em expressão e criatividade. “O teatro teve um papel muito forte na minha formação, me trouxe uma visão mais ampla de performance que reflete diretamente na minha presença de palco e no meu processo criativo”, conta.

Nascida em Barão de Cocais, no interior de Minas Gerais, ela enxerga sua arte também como uma ferramenta de inspiração. “Sou uma artista com identidade, visão e construção própria. Alguém que saiu de uma realidade onde muitos não enxergavam esse caminho como possível e transformou isso em força. Hoje, carrego o propósito de mostrar para outras pessoas, principalmente quem vem do interior, que é possível ocupar espaços maiores. Não é só sobre fazer música. É sobre construir algo que represente de onde eu vim e até onde eu posso chegar”, finaliza.

Acompanhe a DJ Danny Albuquerque na web:

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