Oito filmes brasileiros que podem ajudar a estudar para o vestibular

by Amarildo Castro

Educador explica a importância do cinema para o repertório sociocultural e dá dicas de filmes para os alunos se prepararem

Durante a preparação para os vestibulares, os estudantes buscam diversas formas de construir repertório sociocultural para reforçar os conhecimentos, especialmente para as disciplinas de Ciências Humanas e para as redações, e o cinema brasileiro é um bom caminho para estar pronto para os exames.

Para Rafael Galvão, Diretor-Pedagógico do Ensino Médio da Rede Alfacem Global Academy, o cinema brasileiro é uma ferramenta importante nesse processo, ao transformar conceitos teóricos em experiências concretas. “Quando o estudante assiste a um filme que aborda desigualdade social, racismo, urbanização ou violência, ele passa a ter exemplos mais vivos para sustentar os argumentos na redação”, explica.

Segundo o educador, o cinema exige uma leitura de múltiplas camadas, como imagem, som e enquadramento, aproximando o aluno da interpretação exigida nos vestibulares. Os filmes não devem ser vistos apenas como entretenimento, mas como uma leitura crítica da sociedade brasileira, dialogando diretamente com a matriz de Ciências Humanas em temas como escravidão, identidade nacional, ditadura militar e desigualdade.

“Ao analisar uma cena, o estudante treina inferência, comparação, identificação de ponto de vista e leitura crítica de discurso, habilidades diretamente relacionadas à compreensão de textos literários, filosóficos e sociológicos”, ressalta Galvão.

Para auxiliar nos estudos, o diretor-pedagógico recomenda uma seleção de oito filmes nacionais para o estudante assistir para reforçar o repertório.

Central do Brasil (dir. Walter Salles): Dora, uma professora aposentada que escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, acaba cuidando de um menino cujo pai faleceu. Eles partem em uma jornada pelo interior do país em busca do pai da criança, criando um forte vínculo afetivo. O filme aborda desigualdades regionais e a busca por identidade e pertencimento no Brasil.

Cidade de Deus (dir. Fernando Meirelles e Kátia Lund): A trama narra a trajetória de dois jovens que crescem na periferia do Rio de Janeiro: um que deseja se tornar fotógrafo e outro que se torna um perigoso chefe do tráfico. Através de décadas de violência e disputa de poder, a obra expõe as feridas sociais da periferia. É um olhar cru e dinâmico sobre a criminalidade e a resistência cultural urbana.

Que Horas Ela Volta? (dir. Anna Muylaert): Val é uma governanta que trabalha para uma família de classe alta em São Paulo, onde vive com um distanciamento quase familiar. A chegada de sua filha, Jéssica, para prestar vestibular desestabiliza a hierarquia da casa ao questionar padrões de classe. “O filme é uma análise sobre a dinâmica do trabalho doméstico e a mobilidade social no país”, explica Galvão.

Eles Não Usam Black-Tie (dir. Leon Hirszman): Em meio a uma iminente greve operária em uma fábrica de São Paulo, o jovem Tião tenta seguir a vida sem se envolver, o que gera um conflito profundo com seu pai, um veterano sindicalista. “A obra explora as tensões entre o individualismo e a coletividade em um cenário de luta por direitos, retratando as contradições do mundo do trabalho e do sindicalismo”, aponta o educador.

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (dir. Cao Hamburger): Em 1970, um menino é deixado pelos pais, perseguidos pela ditadura militar, aos cuidados do avô em um bairro de imigrantes judeus em São Paulo. Enquanto aguarda o retorno deles, o jovem precisa aprender a lidar com a ausência e o medo. O filme utiliza o olhar da infância para humanizar os impactos políticos e sociais do período.

Bacurau (dir. Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles): Após a morte da matriarca de um pequeno povoado no sertão, os moradores percebem que a cidade foi apagada dos mapas e começa a ser alvo de ataques de estrangeiros. A comunidade se une em um esforço coletivo de sobrevivência e resistência contra invasores. “O filme critica relações de poder, neocolonialismo e a força da união diante da violência sistêmica”, explica Galvão.

Ainda Estou Aqui (dir. Walter Salles): Ambientado no Rio de Janeiro durante a ditadura militar, o filme acompanha a história real de Eunice Paiva, que luta para descobrir o destino de seu marido, Rubens Paiva, após ser levado pela polícia. A obra retrata a resiliência de uma mulher diante da perda e da perseguição política no período da ditadura brasileira.

Doutor Gama (dir. Jeferson De): O filme narra a biografia de Luiz Gama, um ex-escravizado que se tornou advogado e utilizou as leis brasileiras para libertar centenas de pessoas escravizadas. Através de uma trajetória marcada por determinação, ele confronta o sistema jurídico da época para combater a injustiça racial. “É uma obra importante para entender a história do abolicionismo e a luta pelos direitos civis no Brasil”, conclui Galvão.

Sobre o Alfacem Global Academy

O Alfacem Global Academy foi idealizada através do sonho de uma professora de História e tem uma filosofia educacional que impulsiona a percepção do aluno, fazendo-o refletir, questionar e principalmente transformar. A instituição aposta na diversificação metodológica para gerar o prazer da aprendizagem, seguida pelo desenvolvimento de múltiplas formas de aprender durante toda a vida, o que permite obter resultados em primeiro lugar nos últimos anos do ENEM em toda a rede e manter a taxa de 100% de aprovação das Provas de Proficiência de Cambridge. Saiba mais em: alfacem.com.br.

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