Por que jogadores de futebol se lesionam tanto? Especialista explica motivos

by Amarildo Castro
Fisioterapeuta orienta sobre prevenção e recuperação de lesões em atletas
Imagem: Magnific
O futebol está entre os esportes com maior ocorrência de lesões, especialmente quando se trata do alto desempenho. Os atletas são submetidos a uma intensa rotina de treinamentos e competições ao longo da temporada, contribuindo para esforços físicos elevados. O crescimento das demandas e a ampliação do calendário das competições comprometem a saúde física dos jogadores, o desempenho esportivo e até mesmo interfere na duração da carreira. 

Luana Sousa, especialista traumato-ortopédica e professora do curso de Fisioterapia da UNINASSAU Graças, explica as lesões musculares que acontecem com mais frequência em jogadores de futebol por conta de aspectos corpóreos. “Os grupos mais acometidos são os isquiotibiais (posteriores da coxa), os adutores do quadril, o quadríceps femoral e a panturrilha (tríceps sural). Geralmente, se manifestam na forma de estiramentos musculares de diferentes graus”, afirma. 

“A elevada incidência dessas lesões está relacionada às características biomecânicas da modalidade, que exige acelerações, desacelerações, mudanças bruscas de direção, saltos, chutes e sprints repetitivos. Durante essas ações, especialmente nas contrações excêntricas de alta intensidade, ocorre grande sobrecarga muscular, aumentando o risco de microlesões e rupturas das fibras musculares. Além disso, fatores como fadiga neuromuscular, calendário competitivo intenso e recuperação inadequada contribuem significativamente para o surgimento desses problemas”, complementa. 

Algumas dessas lesões costumam ser traumáticas, resultados de quedas, choques e contatos entre os jogadores, ou não traumáticas, geralmente ligadas à sobrecarga muscular provocada pela repetição de movimentos e intensidade dos exercícios. Contudo, o aquecimento antes dos treinos pode ser um método essencial na prevenção.

“O principal objetivo é elevar gradualmente as temperaturas muscular e corporal, aumentando o fluxo sanguíneo, a velocidade de condução nervosa e a capacidade de produção de força muscular. Em relação ao alongamento, evidências atuais sugerem que o dinâmico antes do exercício esportiva contribui para a preparação neuromuscular e melhora da amplitude de movimento funcional. Já o estático prolongado imediatamente antes de atividades explosivas pode reduzir temporariamente a produção de força e potência muscular. Portanto, o recomendado é priorizar os dinâmicos durante o aquecimento e reservar o estático para momentos específicos do treinamento ou recuperação”, destaca. 

As ocorrências que aparecem com mais frequência são o estiramento, também chamado de distensão, e as contraturas musculares. No primeiro, as fibras musculares são alongadas além de seus limites fisiológicos, causando rupturas e danos às estruturas do músculo. O outro ocorre quando o músculo se contrai de maneira imprópria e não consegue retornar ao seu estado normal de relaxamento, gerando dor, desconforto e limitação dos movimentos. 

“A fisioterapia desempenha papel fundamental em todas as fases da recuperação dos estiramentos musculares. Inicialmente, o tratamento visa controlar a dor, o edema e o processo inflamatório, utilizando recursos terapêuticos adequados e orientações sobre proteção da região lesionada. À medida que ocorre a cicatrização tecidual, são introduzidos exercícios progressivos de mobilidade, fortalecimento muscular, treinamento neuromuscular e exercícios funcionais específicos para o esporte praticado. Nas fases finais da reabilitação, são realizados testes funcionais e protocolos de retorno ao esporte, garantindo que o atleta apresente níveis adequados de força, potência, resistência, equilíbrio e desempenho funcional antes da liberação para as atividades competitivas”, ressalta.

Postagens relacionadas

Deixe um comentário