Portugal e a Crise Migratória na Europa

by Amarildo Castro
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A entrada de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta, enclave espanhol situado no norte de África, desencadeou uma das maiores crises migratórias recentes na fronteira sul da Europa. 
Em apenas dois dias, cerca de 60 mil pessoas atravessaram a fronteira entre Marrocos e Espanha, provocando uma grave crise humanitária, dezenas de mortes durante as travessias e colocando sob enorme pressão as autoridades espanholas.
Embora a grande maioria tenha regressado a Marrocos, o episódio reacendeu o debate europeu sobre segurança, imigração irregular e proteção das fronteiras externas da União Europeia.Em Portugal, a resposta do Governo foi imediata.

O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, anunciou o reforço da vigilância marítima e do controlo da fronteira sul, com mobilização da Polícia Marítima e da Marinha para o Algarve. Ao mesmo tempo, rejeitou a possibilidade de suspender o Espaço Schengen, defendendo que a livre circulação dentro da União Europeia deve ser preservada e que o esforço deve concentrar-se no reforço das fronteiras externas e na cooperação entre os Estados-Membros. Esta posição é coerente com a política migratória que Portugal vem adotando ao longo dos últimos meses.

O Governo tem promovido alterações significativas à legislação da imigração, reforçado a fiscalização das fronteiras e afirmado repetidamente que o país continuará aberto à imigração legal, mas com maior rigor no combate à imigração irregular e às redes de tráfico de seres humanos. Na minha avaliação, é fundamental separar duas realidades que muitas vezes são tratadas como se fossem a mesma coisa:- Uma coisa é a imigração legal, organizada e sujeita aos mecanismos de controlo do Estado;
– Outra, completamente distinta, são movimentos massivos e desordenados desta dimensão, que criam enormes dificuldades de identificação individual, aumentam a pressão sobre os sistemas de acolhimento e podem ser instrumentalizados por organizações criminosas dedicadas ao tráfico de seres humanos, ao contrabando e a outras formas de criminalidade transnacional. 

Também é importante compreender que estes fenómenos raramente acontecem de forma totalmente espontânea. Fluxos desta dimensão exigem logística, comunicação e aproveitamento de momentos de fragilidade institucional, razão pela qual as autoridades europeias sempre analisam não apenas a dimensão humanitária da crise, mas também os seus impactos na segurança e na gestão das fronteiras. Para os brasileiros que vivem ou pretendem viver em Portugal, este episódio não altera, por si só, as regras migratórias.

O que ele evidencia é uma tendência já consolidada: Portugal continuará a facilitar a entrada de quem utiliza os canais legais de imigração, mas será cada vez mais exigente no combate à imigração irregular e no reforço do controlo das fronteiras externas da União Europeia.É precisamente esta distinção que permitirá preservar um sistema migratório credível, capaz de conciliar segurança, desenvolvimento económico e proteção da dignidade humana. 
  
Quem é Wilson Bicalho:– Advogado e CEO da Bicalho Consultoria Legal em Portugal, Licenciado no Brasil e Portugal;- Sócio na Bicalho Consultoria Legal em Portugal;- Professor de Pós-Graduação em Direito Migratório;
– Pós-graduado em Lisboa pela Autónoma Academy de Lisboa;- Sócio fundador das empresas portuguesas B2L Born to Link e RBA International;- CEO da NextBorder.ai.

Sobre a Bicalho Consultoria:A Bicalho Consultoria Legal é uma empresa com ampla experiência em processos migratórios para os Estados Unidos e Portugal, com escritórios no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos. Oferece soluções para empresas e empreendedores e profissionais liberais, que englobam assessoria jurídica, consultoria nas áreas empresarial, tributária e trabalhista, e planejamento patrimonial, auxiliando a internacionalizar negócios e carreiras. Conta com um corpo experiente e multidisciplinar de profissionais e com avaliação pré-imigratória gratuita em seu site.

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