- Projetos criados por adolescentes dos CASAs Chiquinha Gonzaga, na capital, e Diadema conquistaram, respectivamente, a avaliação técnica e o voto popular na final do 4º Prêmio Criar & Realizar, realizada no Sesc Pompeia
Um aplicativo para conectar mulheres a profissionais de manutenção residencial e serviços de beleza venceu o 4º Prêmio Criar & Realizar, concurso de empreendedorismo realizado pela Fundação CASA, por meio da Gerência de Educação Profissional (GEP), em parceria com a Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT). Criado por adolescentes do CASA Chiquinha Gonzaga, centro socioeducativo localizado na capital, o projeto Soror Woman conquistou o primeiro lugar na avaliação da comissão técnica durante a final realizada nesta quarta-feira (30/9), no Sesc Pompeia, em São Paulo.
A cerimônia também premiou a escolha do público. Com 24,5% dos 506 votos presenciais e virtuais, a marca de moda inclusiva e sustentável My Favorite Closet, desenvolvida por adolescentes do CASA Feminino Diadema, venceu a categoria de voto popular. Na classificação geral da comissão técnica, a proposta ficou em quarto lugar.
A edição deste ano teve como tema o empreendedorismo feminino e reuniu seis equipes finalistas. O concurso é parte do itinerário formativo da qualificação em Empreendendo um Pequeno Negócio, da Fundação FAT, que envolveu mais de 350 adolescentes em 30 turmas de 27 centros socioeducativos paulistas. Ao longo da formação, os participantes transformaram ideias em planos de negócios, definiram público, estruturaram serviços e produtos, calcularam custos, criaram marcas e prepararam apresentações para banca e público.
Na etapa final, os projetos foram avaliados por critérios como inovação, criatividade, viabilidade de mercado, organização do plano de negócio, identidade visual, comunicação, apresentação oral, trabalho coletivo e participação dos integrantes.
1º lugar: Soror Woman
O Soror Woman, vencedor da comissão técnica, propõe uma plataforma digital para aproximar clientes de mulheres prestadoras de serviços de manutenção e reformas residenciais, como elétrica, hidráulica, pequenos reparos e construção civil.
Além de intermediar a contratação de serviços, o projeto prevê a capacitação de mulheres interessadas em trabalhar em setores ainda predominantemente masculinos. Durante a apresentação, as adolescentes detalharam o funcionamento da plataforma, a estratégia de atendimento e a viabilidade financeira da proposta.
“Foi uma jornada de nervosismo e ansiedade, mas cada passo que dávamos era um avanço para todas as meninas. Esse título é algo gratificante que vou levar para a minha vida. Criamos uma empresa com a nossa criatividade. Um pequeno negócio que colocamos no papel hoje pode crescer e virar uma grande empresa no futuro”, afirmou Laura, nome fictício de uma das adolescentes do CASA Chiquinha Gonzaga.
Para a encarregada de área técnica do CASA Chiquinha Gonzaga, Gláucia Silva Gonçalves, a conquista é resultado do envolvimento das adolescentes desde a construção inicial da proposta. “As adolescentes se dedicaram e se esforçaram muito. O projeto é bonito, mas o mais marcante foi acompanhar o processo: elas enfrentaram o nervosismo, organizaram as ideias e perceberam que podiam apresentar uma proposta consistente. É uma experiência que deixa marcas importantes na trajetória de cada uma.”
Voto popular: My Favorite Closet
A categoria de voto popular deu destaque à My Favorite Closet, marca desenvolvida por adolescentes do CASA Feminino Diadema. A proposta recebeu 24,5% dos 506 votos registrados e foi a mais escolhida pelo público entre os seis projetos finalistas.
A marca aposta em uma moda inclusiva, sustentável e sem gênero. O plano prevê o reaproveitamento de resíduos têxteis para a criação de roupas destinadas a diferentes corpos, estilos e identidades. Materiais que seriam descartados ganham novo uso em peças pensadas para pessoas que buscam se vestir com liberdade, identidade e menor impacto ambiental.
Além da conquista no voto popular, a My Favorite Closet ficou em quarto lugar na classificação da comissão técnica.
“Ganhar pelo voto popular foi muito especial porque mostrou que as pessoas entenderam a nossa ideia e se identificaram com ela. No começo, nem sempre foi fácil conciliar opiniões diferentes no grupo, mas aprendemos a ouvir umas às outras e a construir juntas. Eu comecei esse projeto pensando só no presente e termino com mais vontade de planejar o que quero fazer daqui para frente”, declarou Lúcia, nome fictício de uma das adolescentes do CASA Feminino Diadema.
A professora Érica Cristina Garcia, responsável pelas aulas na unidade, acompanhou a elaboração da proposta e ressaltou a autonomia adquirida pelas participantes durante o curso. “No início, foi difícil definir qual seria o negócio. Depois, elas passaram a construir o projeto com autonomia. Trabalharam autoestima, colaboração e a coragem de apresentar a ideia para outras pessoas. Houve um crescimento muito visível durante o processo”, disse.
Os projetos finalistas
Na classificação da comissão técnica, o segundo lugar ficou com o HUB PET, do CASA Rio Paraná, na capital. O projeto propõe um centro integrado de bem-estar animal, com hospedagem, atendimento, cuidados e serviços para animais de estimação, além de incentivo à adoção responsável.
O terceiro colocado foi o Meu Próximo Passo, do CASA Topázio, também na capital. A plataforma de orientação profissional foi pensada para ajudar adolescentes e jovens a conhecer profissões, cursos, experiências práticas e caminhos de formação antes de fazer escolhas relacionadas ao futuro profissional.
A My Favorite Closet, do CASA Feminino Diadema, ficou em quarto lugar na avaliação técnica e venceu a votação popular.
Na quinta posição, o CASA Pirituba apresentou o CicloNox, uma proposta de reciclagem e economia circular que pretende conectar pessoas, obras e materiais reaproveitáveis para reduzir desperdícios na construção civil.
O sexto lugar ficou com o Ponte Circular, do CASA Guayi, em Guarulhos. A plataforma propõe aproximar obras que têm sobras de materiais de pessoas e organizações que precisam desses recursos, dando destino a itens como cimento, tijolos, tubos, madeira, ferragens e ferramentas.
Para o presidente da Fundação CASA, Acacio Miranda, os resultados mostram que a formação profissional ganha mais sentido quando o adolescente é convidado a enfrentar desafios concretos. “Na final, vemos seis equipes, mas cada apresentação é resultado de um percurso que envolveu mais de 350 adolescentes em 27 centros socioeducativos. Eles pesquisaram, fizeram escolhas, revisaram ideias, calcularam custos e defenderam uma proposta diante de uma banca e de um público. Esse processo desenvolve conhecimento, mas também responsabilidade, capacidade de argumentação e confiança para pensar os próximos passos”, afirmou.
A professora Midiam Cristina Costa de Jesus, que ministrou o curso nos CASAs Chiquinha Gonzaga, Rio Paraná e Topázio – primeiro, segundo e terceiro colocados -, destacou que uma das maiores conquistas é a mudança na forma como os adolescentes percebem as próprias capacidades.
“É um trabalho desafiador, porque muitos chegam com timidez e sem conhecer o que é um plano de negócios ou um projeto de vida. Aos poucos, entendem que podem criar, pesquisar e realizar. Quando apresentam os projetos e recebem esse reconhecimento, começam a acreditar mais no próprio potencial”, avaliou.
Bolsas para cursos técnicos
Durante a cerimônia, o diretor-presidente da Fundação FAT, professor César Silva, anunciou que todos os adolescentes finalistas receberão bolsas de estudo integrais para cursos técnicos da Escola Técnica FAT, após a conclusão do ensino médio.
“Cada projeto apresentado nasceu de uma ideia e precisou ser discutido, desenvolvido e transformado em uma proposta concreta. Nenhum jovem deve ser definido por um momento difícil ou por um erro do passado. As bolsas são uma forma de garantir que esse aprendizado tenha continuidade e se transforme em novas oportunidades de formação”, afirmou.
A cerimônia reuniu representantes do Executivo, do Judiciário e do Ministério Público, entre eles o secretário executivo de Estado da Justiça e Cidadania, Fraide Sales; o procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa; e o juiz coordenador do Departamento de Execuções da Infância e da Juventude, Maurício Caliguere, representante do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Ao fim da cerimônia, os seis grupos finalistas deixaram o palco com medalhas, troféus e prêmios cedidos pelos organizadores. Mas o principal resultado começou antes da premiação: quando uma ideia surgida em sala de aula deixou de ser apenas um exercício e passou a ser defendida como uma solução possível para problemas reais.
Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização, e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social. Mais informações em: https://fundacaocasa.sp.gov.br/.
Sobre a Fundação FAT
Fundada em 1987 com o propósito de incentivar a pesquisa aplicada, a inovação, o desenvolvimento tecnológico e profissional e a educação em todo o território nacional, estendendo esses serviços a organizações públicas e privadas, e à comunidade em geral. Como entidade de direito privado sem fins lucrativos, a Fundação FAT tem como objetivo colaborar com as instituições que atuam nas áreas da educação e da tecnologia, buscando estimular e desenvolver o conhecimento através de programas de geração, difusão e transferência de tecnologia. Para saber mais acesse: https://fundacaofat.org.br/