Como formar leitores na era da inteligência artificial?

by Amarildo Castro
  • Educador ressalta como adotar o uso de IA sem substituir a leitura integral; confira três dicas para despertar o interesse pelos livros (Unidade Recreio da Rede Alfa CEM Bilíngue
    Divulgação/Alfa CEM)

A inteligência artificial (IA) gerou uma mudança na maneira como acessamos informações, mas impôs um novo desafio para a educação: como formar leitores críticos e autônomos em um mundo onde o resumo de qualquer obra literária está a um prompt de distância? A facilidade dos geradores de conteúdo, embora útil, ameaça diluir a experiência estética e reflexiva que só o contato integral com o texto pode proporcionar.

Para o Diretor-Pedagógico Geral da Rede Alfa CEM Bilíngue, Bruno Amaral, o primeiro ponto de atenção é a alteração na relação do estudante com a leitura pois a facilidade de acesso a resumos gerados por IA pode alterar a relação do aluno com a leitura integral de obras literárias. 

“A substituição da leitura completa pelo resumo priva o estudante da experiência estética e reflexiva proporcionada pela obra, limitando o desenvolvimento da capacidade de interpretação crítica, análise de linguagem e aprofundamento temático”, comenta.

O educador também aponta que nos anos iniciais do aprendizado, o risco é ainda maior, podendo comprometer a própria formação do hábito leitor e o desenvolvimento da imaginação. Além disso, a dependência do resumo impede o aluno de qualquer idade de desenvolver habilidades essenciais de leitura, como o reconhecimento de estilos e a percepção das sutilezas do texto.

No entanto, a IA não precisa ser vista apenas como um recurso negativo. Quando utilizada de forma intencional e pedagógica, pode se tornar um meio para despertar o interesse por gêneros literários, inclusive os clássicos, reforçando o papel do professor em abordar essa possibilidade da IA ser uma ferramenta de mediação. 

“A IA pode ser usada para contextualizar obras, apresentar adaptações iniciais com linguagem mais acessível, criar perguntas, propor conexões com a realidade dos alunos ou até simular diálogos com personagens, despertando o interesse pela obra original. O papel do professor, neste cenário, é orientar o uso crítico da IA, ressaltando que ela complementa, mas não substitui, a experiência completa da leitura”, explica Amaral.

Três dicas para reforçar a leitura com os alunos

Em um mundo de respostas instantâneas, se torna desafiador garantir que o aluno desenvolva uma interpretação de texto própria, e não apenas reproduza o que a tecnologia sugere. Para isso, as estratégias pedagógicas devem focar no processo de construção do pensamento.

“A adoção de perguntas abertas e reflexivas, que não possuem respostas únicas, é uma das melhores alternativas. Atividades como rodas de leitura, debates e discussões em grupo também favorecem a troca de perspectivas, ajudando o estudante a entender que diferentes interpretações podem coexistir”, aponta o educador.

A leitura mediada, na qual o professor guia o olhar do aluno para elementos-chave do texto, como linguagem, intenção do autor, contexto, também estimula a análise mais profunda. “A produção de resumos próprios, resenhas e diários de leitura fortalece a autonomia interpretativa do estudante e o ajuda a lembrar daquilo que foi lido”, explica Amaral.

Segundo o educador, para alunos expostos a um fluxo infinito de informações superficiais, é preciso ensiná-lo a fazer escolhas e indicações de leitura conscientes, desenvolvendo critérios de qualidade e seus próprios interesses. Por fim, a leitura mantém um papel insubstituível no desenvolvimento da empatia. 

“Diferentemente da IA, que pode simular respostas empáticas, a leitura promove uma experiência interna e sensível, permitindo que o aluno se coloque no lugar do outro e compreenda a diversidade de contextos e conflitos. Essa é uma competência humana que vai além do acesso à informação, conectando-se diretamente à formação integral, crítica e sensível do indivíduo na era digital”, conclui o Diretor-Pedagógico Geral.

Sobre a Rede Alfa CEM Bilíngue

A Rede Alfa CEM Bilíngue foi idealizada através do sonho de uma professora de História e tem uma Filosofia Educacional que impulsiona a percepção do aluno, fazendo-o refletir, questionar e principalmente transformar. Hoje, a Rede mantém uma sólida premissa de que o conhecimento humano é o maior tesouro a ser legado para as próximas gerações e que, ao mesmo tempo, a autonomia intelectual oferecerá ao estudante a capacidade de manusear o conhecimento, adquirido e/ou produzido, de maneira única e autêntica. A Rede Alfa CEM Bilíngue  aposta na diversificação metodológica para gerar o prazer da aprendizagem, seguida pelo desenvolvimento de múltiplas formas de aprender durante toda a vida, o que permite obter resultados em primeiro lugar nos últimos anos do ENEM em toda a Rede e manter a taxa de 100% de aprovação das Provas de Proficiência de Cambridge. Saiba mais em: alfacembilingue.com.br.

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