- Pré-candidato do Avante afirma que o episódio evidencia divisões no campo conservador e reforça a necessidade de uma nova cultura política, na qual mulheres sejam reconhecidas como lideranças e não apenas como instrumentos eleitorais.
Texto: reprodução de https://portalviverpolitica.com.br/
Imagem: Folha de Pernambuco
O pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, tornou-se o único presidenciável homem a se manifestar publicamente em defesa de Michelle Bolsonaro após as declarações feitas por ela sobre conflitos e ataques que afirma ter sofrido no âmbito familiar.
Para Augusto Cury, o episódio ultrapassa a esfera pessoal e revela um momento de profundas tensões no campo da direita brasileira. Na avaliação do presidenciável, as divergências deixam de ocorrer apenas entre diferentes partidos e passam a expor disputas internas que atingem o próprio movimento conservador, evidenciando um ambiente de fragmentação e de disputa por protagonismo político.
Segundo Cury, esse cenário também abre espaço para uma reflexão sobre o papel da
mulher na política brasileira. Em seu entendimento, ainda persistem práticas em que
mulheres são valorizadas principalmente por sua capacidade de agregar votos e
fortalecer projetos eleitorais, sem que lhes seja conferido o mesmo reconhecimento
como lideranças políticas autônomas e protagonistas das decisões.
“O Brasil precisa superar uma cultura política em que mulheres, muitas vezes, são vistas apenas como apoio ou símbolo de campanhas. Elas devem ser respeitadas por sua capacidade de liderança, por suas ideias e por sua contribuição à construção do país”, defende Augusto Cury.
Ao manifestar solidariedade a Michelle Bolsonaro, o candidato reafirma que sua posição não decorre de alinhamentos pessoais ou disputas entre grupos políticos, mas da convicção de que toda mulher deve ser tratada com respeito e ter assegurado o direito de expressar sua versão dos fatos sem sofrer desqualificações ou ataques pessoais. Em vídeo publicado em suas redes sociais, Cury foi enfático ao dizer que “A dor dela é a dor de milhões de dezenas de milhões de mulheres que precisam ter voz”, e completou “ As mulheres poderosas não se calam! (…) Imaginem o que ela deve ter experimentado nos bastidores e ela nunca verbalizou (sic) então, se ela colocou publicamente essa dor tem de ser respeitada. É o seu direito, é o direito de toda mulher revelar os seus sentimentos “
Para Cury, o momento também convida a direita brasileira a promover uma autocrítica sobre seus métodos de organização e de formação de lideranças. Em sua avaliação, um projeto conservador comprometido com os valores da família, da dignidade humana e da justiça deve, necessariamente, reconhecer e fortalecer a participação feminina em condições de igualdade, respeito e autonomia.
Reconhecer e fortalecer a participação feminina em condições de igualdade, respeito e
autonomia.
Ao adotar esse posicionamento, Augusto Cury busca ampliar o debate sobre a renovação da política nacional, defendendo que o respeito às mulheres deve ser um princípio inegociável, independentemente de diferenças ideológicas, partidárias ou eleitorais.