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| Além de reduzir o risco de formas graves da tuberculose, imunizante pode oferecer proteção contra a hanseníase em situações específicas; especialista explica Aplicada preferencialmente ainda na maternidade, a vacina BCG integra o Calendário Nacional de Vacinação e tem papel importante na prevenção das formas mais graves da tuberculose. Segundo o Ministério da Saúde, a dose é única e deve ser administrada, idealmente, ao nascer. Caso isso não seja possível, a vacinação pode ser realizada na rede pública até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.De acordo com a Dra. Isabela Pires, médica e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Educação Médica Brasília, a principal função da BCG é reduzir o risco de manifestações graves da doença, como a forma miliar, em que a infecção se dissemina pelo organismo, e a meningite, que atinge as membranas que envolvem o cérebro. “A ideia é que a criança já esteja protegida antes de uma eventual exposição ao bacilo, principalmente em contextos em que esse contato pode acontecer muito cedo”, explica. A especialista destaca ainda que o imunizante pode oferecer proteção contra a hanseníase em situações específicas. Nesse caso, a Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação de 2026 prevê a aplicação em contatos domiciliares de pessoas diagnosticadas com a doença, desde que não apresentem sinais ou sintomas. Por que a aplicação deve ocorrer tão cedo? A recomendação de administrar a dose ao nascer está relacionada à necessidade de oferecer proteção o mais precocemente possível. O Ministério da Saúde orienta que a aplicação ocorra preferencialmente ainda na maternidade ou, caso isso não seja possível, na primeira visita ao serviço de saúde. Para a professora de pediatria, a estratégia é especialmente relevante diante da possibilidade de exposição precoce. “Ela deve ser aplicada bem cedo, antes que a criança tenha contato com um domicílio onde haja caso de tuberculose ou onde exista maior vulnerabilidade social”, explica.A especialista da Afya ressalta que, em situações de maior risco, a imunização deve ocorrer o quanto antes. Há, contudo, uma exceção: recém-nascidos com peso inferior a 2 kg devem ter a aplicação adiada até que atinjam esse peso, conforme orientação do Ministério da Saúde. E se a criança não tiver recebido a dose ao nascer? A ausência da aplicação na maternidade não significa que a criança perdeu a oportunidade de ser imunizada. Segundo as orientações do Calendário Nacional de Vacinação de 2026, quem não recebeu a dose ao nascer deve fazê-lo na primeira visita ao serviço de saúde e pode ser vacinado na rotina do SUS até 4 anos, 11 meses e 29 dias. Após essa faixa etária, a aplicação não é indicada rotineiramente para a população geral. Há, entretanto, situações específicas previstas pelo calendário, como a de contatos domiciliares de pessoas com hanseníase, conforme avaliação e histórico vacinal. A famosa “marquinha” é obrigatória? A cicatriz no braço é uma reação característica após a aplicação, mas sua ausência não significa que seja necessária uma nova dose. O Ministério da Saúde não recomenda a revacinação de crianças que tenham registro da aplicação, mesmo que a marca não esteja presente. “A BCG é uma vacina extremamente segura. Hoje não há necessidade de ter a marquinha no braço; basta ter sido aplicada e ser comprovada no cartão vacinal”, destaca a pediatra.Após a aplicação, é comum surgir uma reação no local, que pode evoluir para uma pequena ferida e, posteriormente, resultar em uma cicatriz de até aproximadamente 1 cm. A orientação é não aplicar medicamentos, produtos ou curativos sobre a região. Uma vacina centenária A BCG tem uma história de mais de um século. Desenvolvida pelos pesquisadores franceses Léon Calmette e Alphonse Guérin a partir de uma forma atenuada de uma bactéria relacionada à doença, recebeu o nome de Bacilo de Calmette-Guérin. No Brasil, chegou em 1925, quando o pesquisador Arlindo de Assis recebeu uma cepa e passou a desenvolver sua produção no país. Em 1976, sua administração às crianças brasileiras tornou-se obrigatória, consolidando o imunizante no calendário nacional. |