Mais de 20 mil jovens transformam Belo Horizonte em capital do empreendedorismo universitário

by Amarildo Castro
  • ENEJ 2026 reuniu, em quatro dias no Mineirinho, uma geração que administra empresas antes do diploma e movimenta milhões em projetos, turismo e economia criativa

Antes mesmo de concluir a universidade, milhares de jovens brasileiros já administram empresas, atendem clientes, lideram equipes e desenvolvem soluções para problemas reais. Durante quatro dias, mais de 20 mil deles se encontraram no Mineirinho, em Belo Horizonte, no ENEJ 2026 – Encontro Nacional de Empresas Juniores, que colocou em evidência um modelo que aproxima educação, mercado, empreendedorismo, diversidade e desenvolvimento.

Essa é a base do Movimento Empresa Júnior (MEJ), uma rede que reúne 1.449 Empresas Juniores e cerca de 25 mil empresários juniores nas 27 unidades federativas do país. Somente em 2025, as Empresas Juniores brasileiras movimentaram mais de R$ 66 milhões em projetos. Regulamentadas pela Lei nº 13.267/2016, as Empresas Juniores são associações civis sem fins lucrativos: seus integrantes não recebem remuneração pelas atividades desenvolvidas e os recursos permanecem nas próprias organizações, destinados à manutenção das estruturas e à capacitação dos estudantes. Na prática, negócios se transformam em formação.

Para Lorena França, coordenadora de Negócios do ENEJ 2026 e ex-presidente da FEJEMG, resultado e propósito fazem parte da mesma missão.  “Falar de negócios dentro do Movimento Empresa Júnior é falar de resultado, mas também de propósito. Somos uma rede diversa, formada majoritariamente por mulheres e com uma presença expressiva de jovens negros, pardos e LGBTQIAPN+. Quando criamos oportunidades para que essas pessoas liderem equipes, atendam clientes e tomem decisões ainda na universidade, estamos ampliando quem pode ocupar os espaços de liderança no futuro. Movimentar milhões em projetos é relevante, mas a nossa missão é fazer com que esse resultado volte para a formação das pessoas e gere transformação. É esse o tipo de crescimento em que acreditamos”, disse.

Experiência antes do diploma

A vivência empresarial começa ainda dentro da universidade. Os estudantes lidam com clientes, metas, gestão financeira, vendas, negociação, planejamento e liderança enquanto desenvolvem projetos reais. Dados do movimento indicam que pessoas que passam pelo MEJ conseguem sua inserção profissional até quatro vezes mais rápido que a média.

A diversidade também ajuda a revelar quem está ocupando esses espaços: 52,3% dos integrantes da rede são mulheres, 44,2% se autodeclaram pretos ou pardos e 29% fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+. O movimento alcança 274 instituições de ensino superior, envolvendo diferentes cursos e áreas do conhecimento.

Em Minas Gerais, essa atuação ganha uma dimensão particular. A FEJEMG – Federação das Empresas Juniores do Estado de Minas Gerais, fundada em 1995, reúne uma das redes mais estruturadas do movimento. Em 2025, foram 284 Empresas Juniores distribuídas em sete núcleos regionais, responsáveis por mais de 1.750 soluções entregues e aproximadamente R$ 6,3 milhões movimentados em projetos.

A engrenagem que move o encontro

Enquanto o encontro forma e conecta jovens, uma outra engrenagem funciona nos bastidores. A realização do ENEJ mobiliza profissionais e empresas de infraestrutura, tecnologia, alimentação, transporte, hotelaria, segurança, serviços técnicos e diferentes áreas da economia criativa. Nesta edição, foram mais de 7.500 m² de infraestrutura técnica e estrutural instalada, aproximadamente 270 toneladas de equipamentos, estruturas e materiais e mais de 1.200 postos de trabalho profissionais mobilizados. A preparação começou em agosto de 2025, praticamente um ano antes da realização do encontro.

A produção executiva é conduzida pela RG Produções e Eventos, dos sócios Guilherme Leonart e Raisa Gazzineli, em parceria com Junior Hilton, gestor cultural e CEO da Business Group. O trabalho atravessa todo o ciclo da realização, dos primeiros estudos técnicos e processos de legalização à integração de fornecedores, montagem, operação e desmontagem.

Para Guilherme Leonart, os números dão uma dimensão da gestão necessária para colocar o projeto de pé. “Quando você olha para 270 toneladas de materiais, mais de 7.500 metros quadrados de infraestrutura e mais de 1.200 postos de trabalho, percebe que não estamos falando apenas de montar um evento. Existe uma empresa temporária funcionando aqui, com centenas de processos acontecendo simultaneamente. O nosso trabalho é transformar toda essa complexidade em uma operação que, para quem está participando, pareça simples. Essa é a engenharia por trás de um grande evento”, pontuou.

Para Raisa Gazzineli, a escala também pode ser percebida pelas oportunidades criadas ao redor da realização.  “Uma produção desse tamanho não é feita apenas de estruturas e equipamentos. Ela acontece porque existem mais de 1.200 postos de trabalho envolvidos e uma cadeia enorme de empresas e profissionais trabalhando juntos. São fornecedores, técnicos, alimentação, transporte, hotelaria e muitos outros serviços. Uma das maiores entregas do ENEJ é conseguir formar milhares de jovens enquanto, ao mesmo tempo, gera trabalho e movimenta a economia de Belo Horizonte”, ressaltou.

A movimentação provocada pelo ENEJ também alcança setores que não aparecem necessariamente dentro da estrutura do evento. A chegada de milhares de participantes à capital mineira gera demanda para hospedagem, mobilidade, alimentação, comércio e serviços, ampliando a circulação de visitantes e recursos pela cidade.

Para Junior Hilton, há ainda uma conexão entre a trajetória de quem participa do ENEJ e a de jovens empresários que hoje estão à frente da realização. “Existe uma identificação muito forte com quem está vivendo o ENEJ, porque também começamos muito jovens, empreendendo, assumindo responsabilidades e aprendendo na prática. Hoje, estar à frente de grandes projetos no Brasil e no mundo nos permite reconhecer o potencial, a energia e a vontade de realização dessa geração. Além de promover a formação de novas lideranças, um evento dessa dimensão movimenta o turismo e a economia do estado, fortalecendo setores como hotelaria, transporte e arrecadação de impostos. Participar da gestão do ENEJ, portanto, vai além de uma relação comercial com a Brasil Júnior: é contribuir para o desenvolvimento dos jovens e, ao mesmo tempo, para o crescimento e a visibilidade de Belo Horizonte e de Minas Gerais”, destacou.

Um impacto que permanece

Quando a programação termina, as estruturas serão desmontadas e os participantes retornam às suas universidades e cidades. Parte importante do resultado, porém, permanece. Ficam os postos de trabalho gerados, os fornecedores contratados, a atividade econômica provocada pela circulação de pessoas e os diferentes setores mobilizados pela realização. E seguem com os participantes as experiências, conexões e conhecimentos adquiridos ao longo do movimento.

É nessa convergência entre negócios, educação, diversidade, cultura, geração de oportunidades e desenvolvimento econômico que o ENEJ amplia seu significado para além dos dias de evento. Mais do que reunir uma geração, o encontro ajuda a criar condições para que ela ocupe os espaços de liderança que virão a seguir.

Sobre o Movimento Empresa Júnior

O Movimento Empresa Júnior (MEJ) é uma rede que reúne 1.449 Empresas Juniores e cerca de 25 mil empresários juniores nas 27 unidades federativas do país, alcançando 274 instituições de ensino superior. Regulamentadas pela Lei nº 13.267/2016, as Empresas Juniores são associações civis sem fins lucrativos que transformam a vivência empresarial em formação profissional. Em 2025, o movimento movimentou mais de R$ 66 milhões em projetos.

Colaboração de Assessoria de imprensa: Grupo Balo – www.grupobalo.com

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