Escola em Casa – Doações podem fazer diferença para que milhares de alunos da rede pública possam assistir aulas on-line

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CRE do Guará e comunidade se mobilizam para que moradores colaborem com computadores e smartphones usados para que alunos carentes possam ter acesso às aulas remotas enquanto gargalos são resolvidos pelo GDF

Por Amarildo Castro – Desde que o Governo do Distrito Federal anunciou há um mês as aulas on-line para os alunos da Rede Pública de Ensino do DF, iniciadas como continuação do ano letivo de 2020 no último dia 13 de julho, muitos desafios vieram à tona. O maior deles, a falta de aparelhos para alunos carentes e um pacote de internet para que esses estudantes pudessem ter acesso ao conteúdo. Em recente pesquisa feita pelo Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF), o estudo mostrou que apenas 45,21% dos estudantes da rede pública de ensino local conseguem assistir às aulas remotas, causando grande preocupação à comunidade escolar, pais, professores e ao próprio governo.

Segundo o Sinep-DF, apenas 45,21 dos estudantes da rede pública
têm acesso ao conteúdo on-line

Com o baixo índice de alunos participando das aulas remotas, logo o governo percebeu que o entrave está mesmo na falta de equipamentos na casa dos alunos para que possam acessar a internet e equipamentos para isso, como computadores (PCs) ou notebooks, tablets ou smartphones, aparelhos mais comuns para esse fim. O pacote de internet também é outro entrave. Mas em relação a essa última demanda, o governo firmou um convênio com a Universidade de Brasília (UnB) para o desenvolvimento de um aplicativo que permite aos alunos o acesso ao Google Sala de Aula sem custos com internet. Nesse caso, a conta seria paga pelo governo.

O diretor da CRE-Guará, professor Leandro Andrade diz que fez parceria com empresa particular para conserto de aparelhos usados como smartphones e tablets

No entanto, passadas duas semanas do início das aulas remotas, o sistema (aplicativo) ainda não foi disponibilizado e na prática, só participa das aulas quem tem internet em casa ou algum meio de acessar a rede. Daí então, mais de 50% continua sem acesso às aulas via on-line.

Desafios a parte enquanto o pacote de internet não é disponibilizado para os alunos, outro entrave para os alunos carentes trata-se da falta de equipamentos. O assunto vem sendo tema de debate nas redes sociais em várias cidades do DF. No Guará, algumas lideranças tentam fazer uma mobilização por doações de computadores e smatphones para a Regional de Ensino do Guará (CRE), que por sua vez, destina essas doações para os alunos que precisam.

“Realmente estamos precisando de muitos aparelhos para que todos os nossos alunos possam ter acesso ao conteúdo remoto, e nós também buscamos fazer nossa parte”,

cita o diretor da CRE-Guará, professor Leandro Andrade.

Andrade explica que a própria CRE também faz uma campanha interna, e que nos últimos dias, a entidade recebeu cerca de 10 aparelhos, especialmente smartphones. Os equipamentos foram doados pela comunidade. Porém, a maioria são aparelhos mais velhos e precisam de uma manutenção antes do uso.

Andrade explica que isso não é problema porque a CRE firmou parceria com uma empresa de tecnologia. Assim, todos os aparelhos que chegam ao local com algum tipo de problema são encaminhados para manutenção de forma gratuita para depois ser enviados a alunos com esse tipo de demanda. “Pedimos para a comunidade que nos ajudem porque essa pandemia é um desafio para todos, inclusive para o governo. Então tudo que chegar aqui terá destinação correta e os materiais serão muito bem-vindos”, esclarece Andrade.

Para a jornalista Zuleika Lopes, um simples aparelho usado pode fazer toda a diferença para alunos carentes

Apelo da própria comunidade

Algumas pessoas da comunidade local ou lideranças regionais se manifestaram sobre o tema. A jornalista Zuleika Lopes, moradora do Guará II afirmou que está empenhada em busca de doações. “Como avó de um menino de 12 anos, estudante da Rede Pública de Ensino do DF, tenho facilidades por estar rodeada de computadores e celulares em casa. Então, para meu neto o acesso a plataforma do Google Sala de Aula é facilitada pela velocidade da internet e por ter sua mãe e avó pós-graduada, conseguindo tirar as dúvidas no momento das tarefas cotidianas. Na contramão, milhares de famílias possuem inúmeras dificuldades para que seus filhos estudem remotamente”, diz.

“Seja pela falta de um celular ou computador, seja pela internet grátis que ainda não chegou para os estudantes do ensino público, como jornalista, não poderia deixar de ajudar a quem está, neste momento de pandemia, sem condições para adquirir um computador ou tablet. Já fiz contatos com algumas empresas e estou no aguardo do retorno. Pessoas físicas também podem fazer doação de equipamento de informática com algum defeito”, completa.

Para o professor Afrânio Barros o Ministério da Educação está sendo
omisso com a situação

Para professor, sistema tem que ser acessível a todos

Outro que se manifestou sobre o tema foi o professor da rede pública Afrânio Barros, que vem trabalhando no conteúdo on-line de casa. “O anúncio do retorno às aulas presenciais nas escolas públicas e privadas foi recebido com preocupação por muitos pais e educadores. A curva de contaminação de covid-19 ainda é alta e o medo de expor crianças, familiares e educadores ao vírus nos assombra. O ensino mediado por tecnologias recém-implantado na rede pública, é a alternativa do momento, no entanto, cabe destacar que para que a mesma ocorra se faz necessário que seja acessível a todos”, comentou.

Para Afrânio, muitas famílias (e educadores, também) não têm equipamentos, não dispõem de um plano de internet e não dominam ferramentas tecnológicas.  Segundo o educador, para que a aprendizagem aconteça no modelo remoto é indispensável que o governo faça investimento, capacite pessoas e oportunize a inclusão, caso contrário, tal ensino evidenciará, ainda mais, a exclusão dos mais necessitados neste processo.

“Se nada for feito rapidamente corremos o risco de ampliar ainda mais as desigualdades educacionais entre quem têm acesso a aulas a distância e os que não têm, assim, corremos um sério risco de ampliar sobremaneira aquilo que há tempos tentamos combater: a evasão escolar”. (Afrânio Barros)

Afrânio ainda diz que o Ministério da Educação tem sido omisso e, praticamente envolvido apenas em questões puramente ideológicas e de desconstrução da educação pública. “O retorno agora não é seguro. Para que este aconteça o governo deve ouvir os cientistas, médicos epidemiologistas, pais e educadores. Quando abrir, precisamos de rigorosos protocolos de higiene e segurança”, completa.

Serviço:

Para doar, basta ligar no 3901-6656 ou deixar o equipamento na própria CRE, na QE 38, AE D, Guará II, em frente à Avenida Contorno

Fotos de arquivo pessoal e Amarildo Castro

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